Arquivos mensuais: Setembro 2022

OS DIFERENTES UNIVERSOS (FI-62)

Podería ser que para descrever o universo, tenhamos que empregar variadas teorías diferentes, em situaçóns diferentes. Cada teoría podería ter a sua própria versón da realidade, mas segundo o “realismo dependente do modelo”, isso só sería aceitábel se as prediçóns das teorías concordáram nos dominios em que estas se solapam, é dizer, em que ambas podem ser aplicadas. Tanto se a “teoría M” existe como unha formulaçón única ou como unha rede de teorías, conhecemos algunhas das suas propriedades. Em primeiro lugar, o “espaço-tempo” da “teoría M” tem once dimensóns em lugar de dez. Os “teóricos de cordas” xá tinham suspeitado desde fai tempo, que a prediçón de dez dimensóns debería de ser corrixida, e trabalhos recentes demonstrarom que efectivamente unha dimensón tinha sído deixada de lado. Ademais, a “teoría M” pode conter non só cordas vibrantes, senón também partículas puntuais, membranas bidimensionais, burbulhas tridimensionais e outros obxectos que resultam mais difíceis de repressentar e que ocupam todavía mais dimensóns espaciais, até nove. Som chamados “p-branas” (onde “p” vai desde cero a nove). ¿E que poderíamos dizer sobre o enorme número de maneiras de curvar as dimensóns pequenas? Na “teoría M” as dimensóns espaciais adicionais que formam o espaço interno non podem ser curvadas de maneira arbitrária, xá que as matemáticas da teoría restrinxem as maneiras possíbeis de fazê-lo. A forma exacta do espaço interno determina os valores das constantes físicas, como a carga do electrón, e a natureza das interaçóns entre as partículas elementais; em outras palabras, determina as leis aparentes da natureza. Dizêmos “aparentes” porque nos referímos a leis que observamos no nosso universo – as leis das quatro forças e os parámetros como as massas e as cargas que caracterizam as partículas elementais – , mas as leis mais fundamentais som as da “teoría M”. Polo tanto, as leis da “teoría M” permitem “diferentes universos”.

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW

VOLTAIRE (O PATRIARCA DE FERNEY-VOLTAIRE)

A sua produçón literária continuava a ser frenética. Aparece a primeira ediçón do seu “Ensaio sobre os Costumes” e, mais tarde, a “História da Rússia sob Pedro, o Grande” (Histoire de la Russie sous Pierre le Grand). É visitado por todo o tipo de personalidades, como o famoso historiador britânico Edward Gibbon, autor do “Declínio e Queda do Império Romano”, ou o célebre aventureiro veneziano Giacomo Casanova. Mas Voltaire continua a reinventar-se a si próprio e no final da vida fica conhecido como “o patriarca de Ferney”, aldeia para a qual se muda. Tal é a sua marca que esta localidade se chama actualmente Ferney-Voltaire. Como naquele tempo, continua a pertencer a França, mas está mesmo ao lado da Suíça, o qual para Voltaire podía ser muito conveniente, em funçón das represálias políticas ou eclesiásticas que os seus manifestos pudessem suscitar, repetindo-se, assim, a estratéxia xeopolítica de “Les Délices”. Aos 64 anos afirma non esperar viver muito mais, sente-se velho e combalido. A falta de dentes dá-lhe um aspecto cadavérico, mas restam-lhe ainda duas décadas para viver, que som decisivas para a sua obra e para a sua influência entre os seus coetâneos e para a posteridade. Depois de destruir as ruínas de um velho castelo, decide construir unha mansóm de acordo com o seu gosto e com espaços necessários. Além das visitas e dos sessenta criados de que precisava para manter a propriedade, há unha populaçón mais ou menos estábel composta pola sua sobrinha, um novo secretário, um copista, um xesuíta com quem xoga ao xadrez, um músico e a esposa do mesmo, a xovem Marie-Françoise Corneille, descendente do célebre dramaturgo, a quem Voltaire quase adoptou: dedicava-se à sua educaçón e ía com ela à missa todos os Domingos, para acalar aqueles que publicaram que a xovem estaba nas máns de Satanás. De facto, Voltaire reconstróie a igrexa parroquial de Ferney, decorando-a com unha inscripçón que diz “Deo erixit Voltaire”, ou sexa “Voltaire ergueu-a para Deus”, para deixar constância que um bom deísta non precisa de intermediários na sua comunicaçón com a divindade. As igrexas costumam dedicar-se aos santos, mas ele prefere dedicá-la ao Senhor e non aos lacaios.

ROBERTO R. ARAMAYO

ESCRITORES HISPÂNOS (CARLOS BOYL VIVES DE CANESMAS)

BOYL VIVES DE CANESMAS, Carlos (Valencia, 1577-1617). Autor teatral do círculo de Lope de Vega. Conheceu ao “Fénix de los Ingenios” em Valencia, mas é um dos autores valencianos de menor interese desta escola, que também incluie a Guillén de Castro, Gaspar de Aguilar, Tárrega e Ricardo del Turia. Unha obra sua verdadeiramente valiosa é “El marido asegurado”, publicada na “Segunda parte de laureados poetas valencianos” (1616). A obra entronca com fontes italianas e com “El curioso impertinente” de Cervantes. O argumento conta a história do rei Segismundo de Nápoles, quem proba o amor e a lealdade da sua prometida Menandra de Sicilia, que xá tinha estádo comprometida com o duque Norandino. As probas a que submete a Menandra, trocando de identidade com Manfredo -o favorito- som superadas pola mulher. Finalmente, a irmán Fulgencia, casa com Manfredo. Boyl foi membro da “Academia de los Nocturnos”, na qual utilizaba o nome de “Recelo”. A sua poesía está reunida em “Silva de los versos y loas de Lisandro” (Valencia, 1600). Morreu assassinado por um desconhecido, quando passeaba xunto da catedral de Valencia.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (CARLOS BOUSOÑO)

BOUSOÑO. Carlos (Boal, Asturias, 1923). Poeta e crítico. Foi professor nos Estados Unidos e na Universidad de Madrid. O seu libro “Subida al amor” (1945) trata do amor reprimido, da relixión e da Espanha. “Primavera de muerte” (1946) trata do amor e da morte. Seguirom-se outras obras nas que o mundo dos sentidos está cada vez mais presente: “Hacia otra luz” (1951), que xunta “En vez de sueño” aos dous libros anteriores; “Noche del sentido” (1957); “Poesías completas” (1960); “Invasión de la realidad” (1962); “Oda a la ceniza” (1967) e “Las monedas contra la losa” (1973). Os dous últimos ganharom o Premio Crítica em 1968 e 1974, respectivamente. Bousoño opôm-se com a sua obra poética à corrente lacónica e epigramática que se dá em Espanha nesse momento. Escrebeu também como crítico trabalhos notábeis de grande sensibilidade e penetraçón: “La poesía de Vicente Aleixandre” (1950); “Seis calas en la expresión literaria española” (1951), em colaboraçón com Dámaso Alonso; “Teoría de la expresión poética” (1952), na qual busca encontrar unha base científica para o estudo da poesía; “Introducción a ensayo de la teoría de la visión” (1979) e unha antoloxía preparada por el, “Selección de mis versos” (1980).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (RAÚL BOTELHO GOSÁLVEZ)

BOTELHO GOSÁLVEZ, Raúl (La Paz, 1917). Contista e novelista boliviano. As narraçóns da sua “Borrachera verde” (1938) podem comparar-se, a pesar da sua brevidade, com a violência de José Eustacio Rivera em “La vorágine. Coca: motivos del Yunga paceño” (1941) é um românce que mistura o modernismo com o realismo socialista. “Altiplano” (Buenos Aires, 1945) é seguramente a sua melhor obra: nela chocam duas famílias que vivem perto do lago Titicaca, os Huancas e os Condoris. Trata-se de unha obra muito similar a “El mundo es ancho y ajeno” de Ciro Alegría. “Vale un Potosí” (1949) é um libro de contos que segue o estilo de Valle Inclán. Segue-se “Tierra chúcara” (1957) e “El Tata Limachi” (1967), novela à qual se agrega um conto sobre a corrupçón do idealismo de um cura, nunha solitária parróquia de unha aldeia indíxena. “Los toros salvajes y otros relatos” (1965) combina o humor, a fantasía e o realismo máxico. Também publicou um libro de ensaios, “Vendimia del viento” (1967), cuxo tema predominante é a necessidade da xustiça social.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (MIGUEL BOTELHO DE CARVALHO)

BOTELHO DE CARVALHO, Miguel (faleceu em 1622). Poeta português que escrebeu a maior parte da sua obra em castelán excepto “La Filis” (1641), poema em oito estâncias, que começa em um previssíbel estilo pastoril, mas que vai ganhando interese à medida que o poeta narra a sua própria vida e aventuras. As suas obras mais importantes som “La fábula de Píramo y Tisbe” (Madrid, 1621), “Prosas y versos del Pastor de Clenarda” (Madrid, 1622) e “Rimas varias y tragicomedia del Mártir de Etiopía” (Ruán, 1646).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (JOAN BOSCÀ ALMUGAVER)

BOSCÀ ALMUGAVER, Joan (Barcelona, 1487?-1542). Poeta e traductor. Foi tutor do xovem don Fernando, futuro duque de Alba. A pesar de que passou a maior parte da sua vida em círculos da corte, os seus melhores temas tratam da vida doméstica, e do amor da sua mulher e filhos, dos prazeres mais sinxélos do lar e da vida honesta do burguês. Conheceu e travou amizade com Garcilaso de la Vega na corte de Carlos V, e esta amizade resultou decissiva para a introduçón dos novos metros italianos na literatura espanhola. Em 1526, o embaixador veneciano Andrea Navagero convidou a Boscà a escreber no metro italiano. Boscà, que estaba familiarizado com o endecassílabo provençal a través da sua orixe catalán, mostrou aos seus compatriotas este novo metro. Escrebeu em oitavas reais, tercetos e probou o soneto. Aconselhou a Garcilaso a probá-lo também, e a causa disto renovou totalmente o panorama lírico espanhol. A poesía de Boscà alcança em muitos momentos unha grande maestría, mas resulta difuso, inconsistente: tende também a trivializar ou a ser excessivamente pesado. Boscà começou a reunir os seus poemas, mas morreu antes de vê-los publicados; a sua viúva Ana Girón de Rebolledo, a quem tinha dirixido os seus mais belos poemas, encargou-se de reunílos e publicálos como “Las obras de Boscán y algunas de Garcilaso de la Vega repartidas en cuatro libros” (Barcelona, 1543). O primeiro libro contem a poesía mais temperám de Boscà, escrita em metros tradicionais espanhois; o segundo reúne os seus versos ao estilo italiano; o terceiro, a “Epístola a Mendoza”, em tercetos, a alegórica “Octava rima”, que começa bem mas ao alargarse a 85 oitavas, perde a força que tenhem as cinquenta orixinais de Bembo que lhe servem de modelo, e o poema em 2.793 versos brancos, “Leandro”, baseado no “Hero y Leandro” de Museo; o quarto libro contem a obra de Garcilaso, muito superior à de Boscà. O libro foi um êxito e conheceu numerosas reediçóns. Durante bastante tempo (até 1570), a obra de ambos poetas continuou reeditando-se tal como a tinha proxectado a viúva de Boscà. A partir dessa dacta, non obstânte, a obra de Garcilaso sobreviveu, mentras que os poemas de Boscà ficárom um tanto esquecidos, e forom suprimidos em posteriores edicçóns. A primeira edicçón da obra é também importante desde o ponto de vista bibliográfico, pois marca a transiçón entre os tipos góticos e os romanos na Espanha do século XVI. Boscà traducíu “El cortesano” de Castiglione, atendendo a unha petiçón de Garcilaso.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (GEORGE BORROW)

BORROW, George (1803-1881). Autor inglês de “Lavengro” (1851) e “The Romany rye” (1857). Foi axente em Espanha da “British and Foreign Bible Society” de 1835 a 1840, durante o período da guerra carlista de 1833-1839. Foi também corresponsal do Times em Espanha. Os seus trabalhos sobre este país som unha mistura de realidade e fantasía: “The Zincali, or an account of the gypsies in Spain” (1841), sobre os ciganos espanhois, e “The Bible in Spain” (1843), libro que foi traducído para castelán por Manuel Azaña.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (TOMÁS BORRÁS)

BORRÁS, Tomás (Madrid, 1891-1976). Novelista muito prolífico agora caído no esquecimento. Estudou com Navarro Ledesma no Instituto de San Isidro. A sua melhor obra está nos seus contos: “Noveletas” (1924), “Cuentos con cielo” (1943), “La cajita de los asombros” (1947), “Algo de la espina y algo de la flor” (1954) e “Pase usted, fantasía” (1956) entre outros. Parece ser que escrebeu mais de cinco mil artígos xornalísticos, desde os doze anos até à sua madurez. Cultivou outros xéneros: escrebeu “La esclava del Sacramento” (1943), (biografía dramática) situada no Madrid de 1840 a 1865. A maior parte da sua produçón é novelística, “La pared de tela de araña” (1924; segunda ediçón, 1960), que oferta escenas costumbrístas da vida em Marrocos, especialmente no que se refere às relaçóns entre homes e mulheres; “Checas de Madrid” (Cádiz, 1940), com visóns alucinadas de unha cidade aterrorizada pola guerra; “La sangre de las almas” (talvés 1947; segunda ediçón, 1955), conmovedor relato das diferênças entre a teoría e a práctica revolucionárias, ainda que a miúdo chega a esaxerar, o qual converte o relato em inverossímil; “La mujer de sal” (1925), drama pasional de unha mulher que se suicida ao saber que o seu amante ama a unha mulher rica. Os críticos ignorarom a sua obra, mas resulta interesante o tratamento que dá aos dictadores como heróis das suas novelas, e polo uso de xiros dialectais. Falta-lhe profundidade e as relaçóns entre as personáxes nunca som expostas com claridade. Ao final da sua vida publicou “Retratoteca” (1973) e “Madrid, madrileño” (1975).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (FRANCISCO DE BORJA Y ARAGÓN)

BORJA Y ARAGÓN, Francisco de (1581-1658). Poeta espanhol descendente da casa real de Aragón e da família Borgia. Foi príncipe de Esquilache e virrei do Perú, onde fundou a Universidade de San Marcos em Lima. Pola sua amizade com os irmáns Argensola resistíu-se a utilizar o estilo culterano nas suas obras, excepto em “El canto de Antonio y Cleopatra”. Os seus poemas cortesanos som elegantes mas relativamente sosos. Os melhores dos seus trescentos românces “artísticos” som excelentes mostras da sua labor como poeta. Nas suas “Obras en verso” (1639, com várias reimpressóns), está incluída “La Pasión de Nuestro Señor Jesucristo” (1638), obra escrita em tercetos. Escrebeu um poema mediocre para celebrar os feitos do seu antepassado Alfonso V de Aragón: “Nápoles recuperada por el rey don Alfonso” (Zaragoza, 1651). Na sua velhice traducíu os tratados latinos atribuídos a Tomás de Kempis e publicou-nos como “Meditaciones y oraciones” (Bruxelas, 1661).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (CÉSAR BORJA)

BORJA, César (Quito, 1852-1910). Poeta, político e médico. Foi exilado a causa das suas convicçóns políticas. Quando os liberais assaltarom o poder regressou ao seu país como ministro da Educaçón. A sua melhor obra é “Flores tardías” e “Joyas ajenas” (1909), em cuxa primeira parte os temas preferidos som a infância e o amor pola natureza. Em “Joyas ajenas” tradúz versos de Baudelaire e de Hérédia, entre outros importantes poetas franceses.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (ARTURO BORJA)

BORJA, Arturo (Quito, 1892-1912). Poeta equatoriano, filho de Luis Felipe Borja, comentarista do Código civil do seu país. Borja introducíu o postmodernismo francês no Equador. Postumamente foi publicado o seu libro “La flauta de ónix” (1920), com vintisete poemas e três homenaxens dos seus amigos.

OXFORD

¡¡QUE NADA SE SABE!! (54)

Consideremos isto de unha outra maneira: o home é o único cognoscente, e um só é o conhecimento em todos estes casos, pois é a mesma mente a que conhece o externo e o interno. Os sentidos nada conhecem, nada xulgan: limitam-se a receber o que ofertam à mente para que esta conheça, da mesma maneira que o ar non vê as cores nem a luz, ainda que os recebe para dá-los à vista. Non obstânte, há três clásses de cousas que som conhecidas pola mente de diversas maneiras. Unhas som totalmente externas, ao marxem de qualquer acçón da mente. Outras som totalmente internas, algunhas das quais existem sem actividade da mente e outras non existem de todo sem tal actividade. As terceiras som em parte externas e em parte internas. Ademais, as primeiras manifestam-se mediante os sentidos. As segundas manifestam-se imediatamente por sí mesmas e em modo algúm mediante os sentidos. As últimas, por fim, manifestam-se em parte, por eles e, em parte, por sí mesmas. Vamos explicá-lo: Côr, son e calor, non podem oferecer-se por sí mesmos à mente para que os conheça, a non ser que imprimam a sua “especie” (admitámos agora que a sensaçón produce-se por recepçón de “especies”) num organo ápto para recebê-la, e esta “especie” mesma – ou outra semelhante a ela – oferta-se à mente para que a conheça, ou para que conheça mediante ela a cousa da qual é “especie”. Em câmbio, as cousas que som enteiramente producidas polo entendimento mesmo, as cousas das que el é o pai e que estám dentro de nós, apresentam-se e maniféstam-se ao entendimento, non mediante outras “especies”, senón por sí mesmas. Tais som muitas das que el se inventa, como quando, trás muito cabilar, ideia e chega a concluir algo novo, ou quando el mesmo entende a sua própria inteleçón, ou quando dentro de sí estabelece conexións, comparaçóns, predicaçóns e noçóns: dirixindo a atençón para todas essas cousas, as conhece por sí mesmas. A este segundo xénero, pola sua parte, pertencem todas as realidades internas, da mesma condiçón que o entendimento, ainda que se dêm ou existam sem a intervençón deste, como é o caso da vontade, a memória, o apetite, a ira, o medo e demais paixóns, assim como qualquer outra cousa interna que sexa conhecida polo próprio entendimento imediatamente e por sí mesma.

FRANCISCO SÁNCHEZ

GALICIA DE CONTO (A MEIGA QUE QUERÍA CASAR O FILLO COA FILLA DO REI)

Unha vez era unha meiga que quería casar o fillo coa filla do rei, e como non podía, botoulle un meigallo á nena e esta parou de falar. O rei mandou vir os médicos. Mais por moito que lle dicían ela só contestaba: – Todo puede ser. Entón o rei botou un bando no que prometía casar a filla co primeiro que lle devolvese a fala. E viñeron cabaleiros e ofrecéronlle á nena xoias e antollos. Mais ela seguía a teimar: -Todo puede ser, todo puede ser. Conque un día chegou un cabaleiro de lonxe, e antes de falar coa princesa quixo ir á misa. Polo camiño topou co fillo da meiga, que estaba a cocer garavanzos nunha ola, e preguntoulle quen era. O rapaz dixolle: -Eu son o que pilla os que van e agarda polos que veñen. E quería dicir que pillaba os garavanzos cocidos e deixaba ir os que estaban duros. Entón o cabaleiro preguntoulle onde estaba a mai, e el contestou: -Vai devolver a cea de onte. E quería dicir que lle fora levar a unha veciña o pan que lle pedira para cear. Entón o cabaleiro preguntoulle pola irmá, e o rapaz apuntou: -Está a chocar as risas do ano pasado. E era certo, porque a irmá estaba parindo. E dixo o cabaleiro: -Pues yo soy el que viene a quitarle el meigallo a la princesa, pero no sé si llegaré a tiempo para la misa. O rapaz explicoulle: -Se vai amodo, ha chegar, e se vai a correr, non. O cabaleiro non lle fixo caso e marchou a galope para a igrexa. De camiño rompeulle unha fibela da montura e chegou tarde. Entón comprendeu que o rapaz era bruxo e volveu cabo del, e propúxolle: -Si me ayudas a desencantar a la hija del rey, te daré una moneda de oro. O rapaz aceptou, e marcharon para a casa do rei. Ao chegar, o cabaleiro púxose a falar coa princesa, prometéndolle un palacio marabilloso. Mais ela dicía: -Todo puede ser, todo puede ser. E terciou o rapaz: -También puede ser puta tu madre, y tu padre no lo saber. Entón a princesa berrou: -¡Ai, gran pícaro! ¿Como va a ser puta la reina? E o rei, vendo que a filla volvía a falar, casouna co fillo da meiga. E o cabaleiro amolouse.

HÉRCULES DE EDICIONES (PISÓN, X.; LOURENZO, M.; E FERREIRA, I., 1998: CONTOS DO VALADOURO, ED. A NOSA TERRA (VIGO).

ARISTÓTELES (CONHECER COM LÓXICA)

Vimos que Aristóteles inicia unha das suas obras fundamentais, a Metafísica. com a afirmaçón: “Todos os homes por natureza desexam conhecer”. De semelhante perspectiva, a observaçón do mundo e a capacidade de maravilhar-se perante as cousas que nos rodeiam non só nos torna humanos, como constitui o xérmen de um desexo de saber que todos os indivíduos possuem naturalmente. O ser humano procura respostas para satisfazer este desexo, mediante o conhecimento científico ou a superstiçón e o mito. No entanto, o mito – tán presente na antiga Grécia, do mesmo modo que na nossa sociedade – representa unha resposta falsa, visto que, apesar de poder saciar o desexo de saber, atrofia a nossa capacidade de nos espantarmos. Para Aristóteles, o mito possui unha clara funçón social, pois é muito útil para “persuadir as pessoas para benefício das leis e do conveniente”, mas é totalmente inútil para os interesses científicos de um filósofo. Por um lado, valoriza-o, porque se parece a unha forma primitiva de filosofia, com a qual partilha a orixem (o espanto) e pela citada funçón de coesón da sociedade; mas, por outro lado, sabe que o mito representa um travón à autêntica sabedoria. Descartado o mito, só resta a ciência como meio de acceder à verdade. Sabemos que a ciência se ocupa de cousas reais. do mundo que nos rodeia, mas (e esta é a pergunta crucial): o que é o real? Quais som essas cousas reais das quais se debe ocupar a ciência? E mais ainda: o que é o “Ser”? A resposta a estas perguntas ocupa o centro de duas obras básicas para a compreensón da filosofia de Aristóteles: “Categorias” e “Metafísica”. Antes de Aristóteles, os pré-socráticos e Platón xá se tinham questionado sobre o que era o “Ser”. A resposta platónica, da qual Aristóteles é herdeiro directo, é unha síntese de duas possíbeis vias de resposta, representadas e defendidas polos pré-socráticos Heraclito de Éfeso e Parménides de Eleia. Para Heraclito tudo fluie, e é precisamente esse fluir que define a realidade. A única cousa que permanece inalterábel e, portanto, a única cousa que podemos qualificar como real, é o futuro, o dinamismo presente na natureza, a mudança constante e eterna. E exemplifica-o com a célebre metáfora do rio: apesar de non nos parecer, na realidade, nunca tomamos banho duas vezes no mesmo rio. Esta mudança constante responde a unha razón universal à qual Heráclito denomina de “Logos”, a lei natural, a expressón do divino que nos é revelada através dos sentidos. Para Heraclito, conhecer é, pois, compreender essa lei. No polo oposto. o “Ser” de Parménides é estáctico, inmutábel, eterno, indivissíbel. O que realmente existe, a realidade, é um “Ser único”, homoxénio, nunca muda e ao qual os homes só podem acceder mediante a “razón”. Portanto, o que obtemos através dos sentidos é mera “opinión” (doxa), unha ilusón, non é o real. Ao conhecimento do “Ser”, à “verdade” (epistême), só se accede através do pensamento.

P. RUIZ TRUJILLO