Arquivos mensuais: Agosto 2022

ESCRITORES HISPÂNOS (MARÍA LUISA BOMBAL)

BOMBAL, María Luisa (Viña del Mar, 1910-1980). Novelista chilena, que estudou filosofía na Sorbona. É autora de duas novelas, nas quais evita seguir as duas correntes convencionais da novelística do seu país: o “criollismo” e o “neorrealismo”: “La última niebla” (1935), reescrita pola autora em colaboraçón com o seu esposo para unha versón em fala inglesa publicada como “House of mist” (1947) e “La amortajada” (1938), descrípta por Jorge Luis Borges como um “libro de triste magia… de oculta organización eficaz”. “La última niebla” conta a historia de unha mulher casada carente de verdadeiro amor, através da utilizaçón da personáxe da néboa, símbolo e símil da mulher. Esta novela foi comparada com a obra de Hoffmann, de Virginia Woolf e, em alguns pontos, toca as obras de Barrios e de Halmar polo seu subxectivismo. A reediçón de 1944, contêm duas novelas curtas centradas também no amor frustrado. “La amortajada”, é a historia de um dadáver contada em primeira pessoa a través de “flashbacks”.

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ESCRITORES HISPÂNOS (SARA BOLLO)

BOLLO, Sara (Montevideo, 1904). Poeta e crítica uruguaya. A sua poesía, em contraste com a convencional poesía herótica que acostumam escreber as hispanoamericanas, centra-se principalmente na sensibilidade espiritual. A sua obra teatral “Pola Salavarrieta” (estreada em 1944, publicada em 1945)é unha traxédia em verso situada na época de Bolívar, que tem como protagonista a unha heroína colombiana. A publicaçón da sua obra poética começou com os seus inmaduros “Diálogos de las luces perdidas” (1927) e “Nocturnos del fuego” (1931). Escrebeu poemas em prosa nas “Las voces ancladas” (1933). A sua voz poética começou a destacar em “Regreso” (1934), “Baladas del corazón cercano” (1935), “Ciprés de púrpura” (1944) e “Ariel prisionero, Ariel libertado” (1948), libros todos que servirom para elaborar a sua “Antología lírica”. Outros títulos mais recentes som “Espirituales” (1963), “Tierra y cielo” (1964) e “Diana transfigurada” (1964). Escrebeu também um manual de “Literatura uruguaya, 1807-1965” (1965, dous volûmes) e outros estudos menores, “Juana de Ibarbourou” (1935), os ensaios “Sobre José Enrique Rodó” (1951), “El modernismo en el Uruguay: ensayo estilístico” (1951) e “Delmira Augustini: espíritu de su obra” (1963).

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ESCRITORES HISPÂNOS (VICENTE BOIX Y RICARTE)

BOIX Y RICARTE, Vicente (Játiva, 1813-1880). Autor teatral, historiador e poeta. Novelista melodramático que segue a tradiçón de Dumas. Escrebeu a medíocre e voluminosa “Historia de la ciudad y reino de Valencia”, pouco fiábel nos seus dactos (1845, três volûmes). As suas “Obras poéticas” aparecerom em dous volûmes, “Poesías históricas y caballerescas” (Valencia, 1850) e “Poesías líricas y dramáticas” (Valencia, 1851).

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ESCRITORES HISPÂNOS (JUAN NICOLÁS BÖHL DE FABER)

BÖHL DE FABER, Juan Nicolás (Hamburgo, 1770-1863). Hispanista alemán, home de negócios e crítico literário. Foi cónsul alemán em Cádiz. Converteu-se ao catolicismo. Foi o pai de Cecilia Böhl de Faber. Colaborou com alguns artígos publicados na prensa gaditana (1814) difundindo as ideias de Schlegel sobre a beleza dos românces espanhois e do chamado drama “irregular” do “Siglo de Oro”, que entón era despreçado. Estes artígos iniciarom unha disputa com Alcalá Galiano, que atacou a Böhl desde unha perspectiva neoclássica. José Joaquín de Mora apoiou a Alcalá e manipulou para impedir que novos artígos de Böhl apareceram na prensa. A querela convertíu-se em política: os liberais apoiabam as teorias francesas neoclássicas e os conservadores como Böhl, López Soler e Agustín Durán considerábam-se a sí mesmos como os defensores da tradiçón cristiana, identificando esta, de unha maneira errónea, com a visón dos românticos. Forzado a deixar de colaborar nos xornais, publicou três panfletos baixo o título de “Pasatiempos” (1818-1819), com o pseudónimo de “El Alcalde de Daganzos”, que mais tarde reeditou na forma de libro como “Vindicaciones de Calderoń, y del teatro antiguo español contra los afrancesados en literatura” (1820). A polémica, conhecida como “querella calderoniana”, foi ganha polos hispanófilos encabezados por Böhl de Faber, que foi elexído membro honorário da Real Academia. Böhl adiantou-se aos críticos actuais ó afirmar que os autos relixiosos de Calderón eram tán valiosos como as comédias. Como erudicto fixo duas importantes compilaçóns: “Floresta de rimas antiguas castellanas” (Hamburgo, 1825) e “Teatro anterior a Lope de Vega” (1832).

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ESCRITORES HISPÂNOS (CECILIA BÖHL DE FABER)

BÖHL DE FABER, Cecilia (Morges, Suiça, 1796-1877). Novelista e costumbrista que escrebeu baixo o pseudónimo de “Fernán Caballero”. Filha do hispanófilo alemán Juan Nicolás Böhl de Faber. O seu pai educou-na no catolicismo. Aos dezanove anos casou-se com um xovem capitán de infantaria, que morreu ao ano seguinte em Puerto Rico. Em 1882 casou de segundas núpcias com o marquês de Arco Hermoso, e com el viveu nas casas de Sevilla e do campo, de onde sacou material para as suas novelas e os seus quadros rurais e de costûmes. Depois da morte do marquês, Cecília casa, por terceira e última vez, com Antonio de Ayala. Foi a causa da sua precária situaçón económica que considerou a publicaçón das suas obras. “La Gaviota” publicou-se por entregas no “El Heraldo” em 1849. De imediato, esta novela, orixinariamente escrita em françês, foi considerada como digna de um novo Walter Scott. Escrebeu-a como reacçón contra os folhetins sensacionalistas, que estabam de moda nos xornais da época; ademais de dar unha visón muito real de como se comportabam e falabam os espanhois daquel tempo. A obra trata do matrimónio fracasado do doutor Stein com a filha de um pescador, a quem chamabam “La Gaviota”. A mulher enamora-se de um “torero” e abandona o marido para converter-se em cantora profissíonal. O doutor Stein parte para os Estados Unidos e “La Gaviota” regresa finalmente ao fogar; perdida a voz, só lhe queda casarse com o barbeiro. As escenas da vida andaluza, que som a verdadeira razón de ser da novela, absoluctamente convincentes, mas, evidentemente, non reflexan “a vida espanhola”, xá que a autora seleccionou o que considera mais pintoresco. A seguinte novela, foi “Clemencia” (1852, dous volûmes), na qual unha mulher desafortunada no seu matrimónio aceita essa carga com resignaçón; “Cuadros de costumbres populares andaluces” (Sevilla, 1852); “La farisea” (1853), que está baseada nas suas experiências portorriquenhas; “Lágrimas, novela de costumbres contemporáneas” (Cádiz, 1853); e “La familia de Alvareda, novela original de costumbres populares” (1856), escrita em alemán, trinta anos antes da sua publicaçón em Espanha. Outras obras suas som: “Una en otra”, “Callar en vida y perdonar en muerte” e “Con mal o con bien a los tuyos te ten” (todas em 1856); “Un servilón y un liberalito, o tres almas de Dios” (1857); “Relaciones” (1857) e o quadro de costûmes breves “Deudas pagadas” (1860). Fernán Caballero aspiraba a expressar a verdade, o patriotismo e a naturalidade, mas a sua falta de xuíço literário, fán a sua leitura problemática para o home moderno. As suas “Obras completas” publicarom-se em 1855-1858 (19 volûmes).

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ESCRITORES HISPÂNOS (JAUME BOFILL I MATES)

BOFILL I MATES, Jaume (1878-1933). Poeta catalán característico do Noucentisme que utilizou o pseudónimo “Guerau de Liost”. Bofill é mais sério e irónico que Josep Carner, em “La muntanya d’amatistes” (1908) , “Somnis” (1913), “La ciutat d’ivori” (1918) e “Sàtires” (1928). A sua obra foi reunida em “Obra poètica completa” (Barcelona, 1948).

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ESCRITORES HISPÂNOS (ANTONIO DE BOFARULL I DE BROCÁ)

BOFARULL I DE BROCÁ, Antonio de (Reus, 1821-1892). Historiador e autor teatral. Fundou a revista satírica “El Hongo” e foi crítico de teatro baixo o pseudónimo de “Lo Coblejador de Moncada”. Contribuiu para o resurximento da literatura catalán e para a restauraçón dos “Jocs Florals”. Entre as suas obras encontram-se “Pedro el Católico, rey de Aragón” (1842) e “Roger de Flor” (1845). Escrebeu também unha novela histórica bastante medíocre, “Blanca o la huérfana de Menagres” (1876). É mais conhecido pola sua obra de historiador. Durante muitos anos, foi director do “Archivo de Aragón”. Escrebeu Crónica de Pedro IV “el Ceremonioso” (1845), “Hazañas y recuerdos de los catalanes… hasta el enlace de Fernando con Isabel” (1846), “Historia de don Jaime I” (1848) e “La confederación catalana-aragonesa: historia crítica civil y eclesiástica de Cataluña” (1878).

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ESCRITORES HISPÂNOS (GRUPO BOEDO)

BOEDO, grupo. Grupo literario arxentino dos anos vinte, chamado assim por unha rua do bairro baixo de Buenos Aires, onde viviam a maioria dos inmigrantes. O grupo opunha-se ao da rua Florida, cuxa cabeça vissíbel era Jorge Luis Borges. O Boedo estaba formado por Roberto Arlt, Álvaro Yunque (Arístides Gandolfi), César Tiempo (Israel Zeitlin), Enrique Amorim, Olivari, González Tuñón, Guijarro, Riccio, Barletta, Elías Castelnuovo e Mariani. Na realidade, personáxes de âmbos grupos colaboravam na revista supostamente “contrária”. E os estilos non eram tán diferentes, ainda que as actitudes sim estivéram diferenciadas. Boedo optaba por unha literatura comprometida, contra a inxustiça social. Interesába-lhes mais o conteúdo das obras que o estilo florido, polo que alguns dos seus membros acabarom no panflecto. Queriam “levar ao verso, ao conto, à novela, ao ensaio, ao teatro, à crítica, essa visón definitiva que nas massas começaba a encender-se como unha possíbilidade imediata”. A primeira revista que publicarom foi “Los Pensadores”, seguida depois pola mais representativa “Claridad”. Cultivarom preferentemente a novela.

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ESCRITORES HISPÂNOS (GABRIEL BOCÁNGEL Y UNZUETA)

BOCÁNGEL Y UNZUETA, Gabriel (Madrid, 1603 – 1658). Poeta. Foi bibliotecario do Cardeal-Infante Dom Fernando. O seu “Rimas y prosas”, xunto com “Fábula de Leandro y Ero” (1627), mostram unha clara influênça de Góngora y Jáuregui, dentro da tradiçón do culteranismo. Escrebeu também numerosos poemas de ocasión (como um dedicado á festa de San Juan Bautista celebrada em Madrid) e panexíricos (um ao Infânte Dom Carlos em 1633). A sua poesía amorosa resulta pedestre, mas nos seus melhores momentos, alcança grande força sensual e beleza nas imáxes. Escrebeu unha peça de teatro, “El emperador fingido”, que apareceu na “Parte 43 de Comedias nuevas” (1678).

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ESCRITORES HISPÂNOS (BONIUM OU BOCADOS DE OURO)

BOCADOS DE ORO (O BONIUM). É unha das colecçóns de sentênças mais importantes da Idade Média. Foi traducída ao castelán por ordem de Alfonso o Sábio. Procede do “Libro de las sentencias” de Abû-l-Wafâ’ al-Mubashshir ibn Fâtik (século XII). Bonium, rei de Persia, viaxa á India para interrogar aos sábios sobre a verdade e a sabedoria. As respostas dos sábios constituem o grosso do libro (editado por Hermann Knust em “Mittelungen aus dem Eskurial” (Tübingen, 1879). foi reeditado várias vezes nos séculos XV e XVI. As sentênças atribuídas aos sábios indios derivan na realidade da filosofia grega: um filósofo grego fai a introduçón de cada capítulo.

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¡¡ QUE NADA SE SABE !!

Diferencia entre “aprehensón” e “recepçón”, xá que o cán recebe a “especie” de um home, de unha pedra, de algo que tem um tamanho, e non obstânte non conhece. Também o nosso olho recebe, e non conhece. Muitas vezes recebe a alma, e non conhece, como quando admite falsidades ou quando as cousas se apresentam obscuras a um espírito torpe. Distingue também entre o conhecimento propriamente dito, que acabamos de descreber e que, sem embargo, non conhecemos, e outro conhecimento, impropriamente dito, polo qual se afirma que alguém conhece o que viu noutro momento e o conserva na memória adornado com os seus próprios caracteres. Em virtude deste conhecimento, afirma-se que o menino conhece o seu pai e ao seu irmán, o cán ao dono, assím como o caminho por onde passou. Por último, divide todos os conhecimentos em dous. Um é o “perfeito”, mediante o qual unha cousa é “percebida e entendida” por todas partes, por dentro e por fora; este constitue a “ciência”, à qual agora desexaríamos pôr em harmonia com os homes, ainda que ela non se deixa. O outro é o “imperfeito”, mediante o qual se “aprehende” unha cousa de qualquer modo e da maneira que sexa; este é o que nos resulta mais familiar, se bem é maior ou menor, mais claro ou mais escuro, nunha palabra, está repartido em diversos gráus, segundo a variedade dos enxenhos humanos. Acostuma a dividir-se este conhecimento em dous: um “externo”, que se realiza mediante os sentidos e polo mesmo se chama “sensorial”, e outro “interno”, que se realiza por meio da mente só, mas non resulta “nada” em absolucto!

FRANCISCO SÁNCHEZ

ALADINA (2)

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Había naqueles tempos unha rapaciña moi fermosa e moi boa, chamada Aladina. que entrou a servir no palacio de El Rei. Axiña atopou graza nos ollos dos seus amos; pero era obxecto de envexa por todos os demais domésticos. A ela encomendábanlle os traballos máis arduos e penosos, ameazándoa de continuo con denunciala e facela odiosa a El Rei. -Vaite -dixéronlle un día- lavar esa roupa ao río. Se non a tes hoxe toda branca coma a neve, co ferro pasado e tersa coma un espello, a cólera do Rei caerá sobre ti. A roupa era tanta que cargaba un enorme carro, que foi conducido por unhas vacas á beira do río. Ao chegar, a mociña ceibou as vacas para que pacesen e sentouse chorando. -¿Como é posible -dicía- que lave tanta roupa? Se non a lavo, hanme matar. Estaba cos ollos fixos nas augas, cando viu saír delas un paxaro, que, sacudindo as ás, lle dixo: -Rapaciña, ¿por que choras? -Porque teño que entregar hoxe lavada e co ferro pasado toda esta roupa; se non, hanme matar. -Non te aflixas; chama ás vacas e dilles: Vacas miñas, cos cornos lavade, e coas patas o ferro pasade. A rapaza, obedecendo, dixo: -Vacas miñas, cos cornos lavade, e coas patas o ferro pasade. E as vacas en poucos intres lavaron e pasaron o ferro a toda aquela rima de roupa. Os criados, cheos de admiración e rabia, ao veren volver a Aladina airosa da súa empresa, dixéronlle: -Agora é mester que vaias buscar a cama dos dous xigantes que habitan debaixo do palacio. Aladina, sentada á beira do río, dicía suspirando: -¿Como hei de buscar e traer a cama dos xigantes? De improviso, saíndo de entre as aguas o paxariño, preguntoulle: -¿Por que choras, meniña? -Porque me mandan ir buscar a cama dos xigantes. -¡Ánimo, Aladina! Colle un saco e éncheo de chinches e pulgas. Ás once da noite sairán os xigantes da súa caverna tomar o fresco. Naquel momento entra co teu saco e baléiralo sobre a súa cama, agochándote logo tras a porta. Cando eles se teñan deitado, rabiosos polas mordeduras de tanto insecto, collerán a cama e arrebolarana tras a porta. Bótalle entón a man e para a casa con ela. Fíxoo así a rapaza, e levou a cabo a súa empresa, volvendo a palacio coa cama dos xigantes. Outro día dixéronlle: -O fillo do Rei está encantado desde que un anel lle caeu ao río. É mester que busques o anel no fondo das augas. Choraba a rapaciña, sentada na beira, sen saber como alcanzar a prenda que lle esixían. Pero o paxaro protector veu na súa axuda. -¿Por que choras, Aladina? -preguntoulle. -Porque non podo coller do fondo do río o anel do fillo do Rei. -Non te apures: trae un frasco e unha navalla. Logo que Aladina volveu con estes obxectos, dixo o paxariño: -Córtame o corpo en anaquiños pequenos e méteos no frasco, coidando de que non se perda nin unha soa gota de sangue. Guinda logo o frasco ao río e axiña volverá subir traendo o anel dentro. -¡Non ho!, eu non te matarei, meu paxariño. -Non temas, volverei vivir. Obedeceu a rapaciña con repugnancia; pero ao dividir o corpo da ave caeulle ao chan unha pinga de sangue. O frasco, lanzado ao medio do río, non tardou em subir á superficie e achegarse á beira, onde o colleu a moza, que deu un berro de alegría, ao atopar dentro o desexado anel. Mais non por isso se desfixo o encantamento do príncipe nin se soubo o paradoiro deste. Os criados do Rei, ao veren a Aladina sempre triunfante das súas empresas, propuxéronlle a aquel que a mandase ir buscar a caixa que gardaba un vello máxico, e sen a cal non se podía desfacer o encanto. A rapaza, cando se lle intimou esta terrible orde foi, segundo costume, desafogar con bágoas as súas penas á beira do río. O paxaro protector, vivo xa, aparecéuselle novamente, e díxolle: -Non chores, Aladina. Toma unha vasoira, un pedazo de carne e unha vasilla con auga, e vai ao castelo do feiticeiro. Antes de chegar á porta, atoparás uns leóns que custodian a entrada; dálles a carne, e deixarante pasar. Máis adiante hanche sair ao paso uns tigres, dálles de beber e non che han facer dano. Ao chegares á porta, verás un vello que, sentado sempre sobre unha arca, estará asomado á ventá. Pídelle un pouco de pan, e non te retires ata que se levante para darcho. Aproveita o momento no que a arca queda soa; empuxa a porta, limpa coa vasoira o po e arañeiras que cobren a tapa da arca, e abrindo esta, colle ao punto a caixa que has de atopar dentro e fuxe. Aladina, provista de vasoira, carne e auga, encamiñouse cara ao temeroso castelo. Ofreceulles a carne aos leóns e aos tigres a auga, e chegou á porta. -Unha esmola por amor de Deus, berrou mirando para o vello que estaba na ventá. -Vaite, rapaza, rosmou el. ¿Como chegaches ata aquí? -¡Señor, unha esmola por amor de Deus! -Toma -díxolle o vello mostrándolle unha pequena moeda. -Pan, deame pan, que teño fame. Por verse libre da importuna, levantouse o ancián buscar o pan; entrementres Aladina empurrou rapidamente a porta, que se abriu sen dificultade, pasou a vasoira sobre a arca, abriu a tapa e colleu a caixa que atopou dentro. O vello, ao vela fuxir, berrou: -Arca miña, arráncalle o teu tesouro. -Non quero -respondeu a arca-; ti tíñasme sucia de po e arañeiras, e ela limpoume. O vello bramaba: -Tigres, matádea. -Non queremos -responderon-; ti deixábasnos morrer de sede, e ela deunos auga. -Leóns devorádea. -Non queremos; ti tiñasnos famentos, e ela deunos de comer. Aladina entregou a caixa dos encantos ao Rei, e este abríndoa en presenza de todos, atopou dentro unha caixiña; dentro desta, outra e outras sucesivamente, ata chegar a unha moi pequena. Desta saíu un paxariño, que instantaneamente, a vista de todos, se transformou nun gallardo mancebo, no que os presentes recoñeceron ao fillo do Rei. -Aladina, ti desencantáchesme, dixo o príncipe: o encanto que me detiña, non se podía desfacer, por mor de ter caído ao chan unha pinga de sangue do paxaro que metiches no frasco en anacos, a cal foi recolhida nesta caixa. Ti venciches todos os obstáculos, a ti déboche a vida, e quero premiarte facéndote a miña muller. A fermosa Aladina casou co fillo do Rei, con admiración e envexa de todos os pacegos.

SACO Y ARCE, J. A., 1987: LITERATURA POPULAR DE GALICIA. DEPUTACIÓN PROVINCIAL, OURENSE (EDICIÓN E ESTUDO PRELIMINAR DE J. L. SACO CID).

THOMAS S. KUHN (MATRIZ DISCIPLINAR)

A ciência normal é, assim, unha actividade de investigaçón guiada por um “paradigma” partilhado por toda a comunidade científica envolvida. Mas voltemos à pergunta: em que consiste exactamente um paradigma? No apêndice à segunda ediçón do seu libro, em que propôs substituir a designaçón “paradigma” pola mais adequada “matriz disciplinar”, Kuhn caracteriza essa entidade como unha estructura global articulada por quatro tipos de componentes ligadas entre si; estas constituem, no seu conxunto, a identidade de unha tradiçón de investigaçón guiada por um determinado “paradigma”. Vexamos, quais som essas quatro componentes. Em primeiro lugar, há o que Kuhn chama “xeneralizaçóns simbólicas”, a que também poderíamos chamar (e provavelmente seria mais apropriado) “princípios-guia”, isto é, fórmulas muito xerais que, por si mesmas, non têm um conteúdo empírico concreto, de tal modo que, se consideradas de forma superficial, podem facilmente ser confundidas com meras definiçóns nominais. Na realidade, porém, som algo muito mais substancial. Com efeito, esses princípios som indispensábeis à investigaçón empírica, xá que fixam o “tipo” de leis empíricas concretas que deberíamos formular para explicar diversas classes de fenómenos. Estas “xeneralizaçóns simbólicas” ou “princípios-guia” aparecem muitas vezes nos manuais em forma matemática, como por exemplo “F = m·a” (no caso do paradigma da mecânica newtoniana) ou “I = V/R” (no caso da teoria da electricidade). Mas, às vezes, também podem vir expressos em palabras da linguaxem comum, como “a acçón é igual à reacçón”, ou “a combinaçón química é produzida segundo proporçóns constantes de peso”. Em si mesmas, consideradas isoladamente, essas fórmulas som expressóns quase vazias de conteúdo empírico: non som verificábeis nem falsificábeis, mas suxerem a forma que toda a lei com conteúdo empírico debe adoptar para poder ser admitida no paradigma considerado e ser confrontada com a experiência. Unha das tarefas típicas da “ciência normal” consiste precisamente em encontrar formas especiais desses “princípios-guia” para as aplicar a situaçóns empíricas concretas. O próprio Kuhn dá alguns exemplos de tais “especializaçóns” do princípio-guia xeral para o caso da mecânica newtoniana, para o pêndulo simples, e para outros problemas mecânicos. (…) Esse guia vem dizer ao investigador: se te deparares com um movimento de corpos que queres explicar, procura certas forças responsáveis por ele, de tal forma que a soma de todas elas sexa igual ao producto da massa pola aceleraçón desses corpos; se a soma de forças postuladas non coincide com tal valor, a conclusón non deberá ser que o princípio-guia de Newton é falso, mas que debes continuar à procura de novas forças ou precisar melhor a natureza e a magnitude das xá postuladas. Neste sentido, os “princípios-guia” som “irrefutábeis” e só no caso de unha “revoluçón científica” (isto é, de unha mudança de paradigma) serán abandonados. Durante os períodos de “ciência normal” non se questionam; só se ponhem em causa nos momentos de crise. Se acabam por ser abandonados, é porque a acumulaçón de problemas irresolúveis levou a comunidade científica a perder a confiança neles. As revoluçóns implicam, entre outras cousas, o abandono dos “princípios.guia”, mas só como parte de um processo global e dramático (que non acontece com frequência) de perda de confiança na “matriz disciplinar” com que se trabalhaba há muito tempo.

C. ULISES MOULINES

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (121)

Este é o lugar ¡¡oh Céus!! Que busco, para chorar a desventura, em que vós mesmo me habeis posto. Este, é o sitio, em que o humor dos meus olhos, acrescentará as àguas deste pequeno riacho, e os meus continuados e profundos suspiros, moveram as folhas destas montaráces árbores, em testemunha e sinal da pena, que o meu acelerado corazón padece. ¡¡Oh vós!! Quem queira que sexais, rústicos deuses, que nestes inabitábeis lugares tendes a vossa morada. Ouvide a queixa deste desafortunado amante, a quem unha ausência e uns inimaxinábeis ciúmes, trouxérom a lamentar-se a estas asperezas. Queixas, da dura condiçón em que me puxo aquela bella ingrata. Têrmo e fím da humana fermosura! Náspeas e Dríades, que tendes por costûme habitar nas espessuras dos montes, assim como os lixeiros e lascivos sátiros de antiga raíz. Ainda que em ván amadas, nada perturbe xamais o vosso feliz sossego. Axudáde-me a lamentar a minha desventura. ¡¡Oh Dulcinea del Toboso!! Dia da minha noite, glória da minha pena, norte dos meus caminhos, estrela da minha ventura! O Céu te axude, a pedir-lhe, que considere o lugar e estado, ó qual a sua ausência me conducíu, e que com bom têrmo corresponda à minha fé. Árbores, que desde hoxe em diante, habeis de acompanhar a minha solidón, dai-me indícios com o brando movimento das vossas folhas, que non vos desagráda a minha presença. Tomáde bem nota na vossa memória, destes prósperos e adversos negócios, para que os conteis e reciteis à causante de tudo isto.

MANUEL CALVIÑO SOUTO

MANDEVILLE (A COLMEIA RUIDOSA OU A REDENÇÓN DOS CANALHAS)

Em 1742, o filósofo, médico, e economista Bernard Mandeville publicou a sua famosa obra a “Fábula das Abelhas”, unha provocadora defesa do consumo e da necessidade dos vícios, contra a qual Berkeley arremeteu com dureza no “Alciphron” ou o “Filósofo Minucioso”. A “Fábula das Abelhas” foi qualificado como o libro mais malvado e intelixente da língua inglesa, e até Samuel Johnson reconheceu que a sua leitura lhe tinha ampliado muito a visón da vida real. Mandeville demorou vinte e quatro anos a elaborar a “Fábula das Abelhas”, que começou como um livrinho de vintiseis páxinas publicado sob anonimato, em 1705, com o atraente título de “A Colmeia Ruidosa ou a Redençón dos Canalhas”. Anos mais tarde, após sucessivos acrescentos, assumio o título de “Fábula das Abelhas, Vícios Privados, Benefícios Públicos”. Esta obra, fundamentada na experiência directa, mostra, de unha maneira orixinal, as contradiçóns da sua época. Utilizando a alegoria de unha colmeia, descreve o egoísmo e a perversidade de todos os seus membros e defende que o vício é o fundamento da prosperidade e do benefício, entendendo por tal tudo aquilo que contribui para o enriquecimento e a felicidade da naçón. A obra é, na verdade, unha profunda análise da virtude moral e da natureza da sociedade, e nela se conclui que é impossíbel unha sociedade ser florescente e, ao mesmo tempo, virtuosa. Muito em conformidade com a efervescência do luxo e dos vícios sociais que tinha lugar na época de Mandeville, a obra é um canto ao utilitarismo moral como impulsor do lucro económico. A moral da “Fábula” é que na grande colmeia do mundo há que medrar, qual videira avara, seca e retorcida, mas que dá vinho abundante; só os tolos se esforçam por fazer de unha grande colmeia unha colmeia honrada. O utilitarismo moral de Mandeville e a sua influência sobre as ideias económicas através da defesa do luxo, da divisón do trabalho ou da filosofia do “laissez-faire”, non agradarom a muitos autores, que se lançarom a mostrar que, contrariamente à posiçón de Mandeville, a virtude nunha “sociedade de mercado” é possíbel e que sem vício também pode haber paraíso.

LUIS ALFONSO IGLESIAS HUELGA