
Por esse país fora iremos encontrar este modelo mil vezes repetido. Aqui, no Alto Minho álacre e florido, resulta unha fantasia mais, unha lantexoula insólita num avental vianês. Mas elas, as casas dos emigrantes inçam xá o país inteiro. Esmaltam de garridice a austeridade honrada do Soajo, a penedia taciturna dos planaltos transmontamos, as gândaras verdes do país litoral. Nada escapou e a epidemia aumenta, ao mesmo tempo que sobe o clamor dos protestos, as recriminaçóns dos paisaxistas e aumentam as posturas das edilidades para tentar cohibir o que se considera unha perversón do bom estilo castiço de antano. que sumariamente se identifica com as pardieiras de granito, os telhados de quatro águas, a telha de meia-cana. É o problema da casa do “francês”, questón que anda tanto na moda que sinto a necessidade de, para meu próprio governo, passar algunhas ideias a limpo. Primeira ideia: cada um tem o direito essencial de fazer a sua casa conforme ao seu gosto, desde que com isso non ponha em risco a segurança de todos. Segunda ideia: gostos non se discutem. Terceira ideia: cada terra tem as casas que merece. E fico por aqui. Seria unha perda de tempo dizer que estamos a poluir a paisaxem, a falsificar a unidade estéctica dos quadros naturais, etc…, etc… porque tudo isso é evidente e as evidências non precisam de ser aclaradas, pois se notam imediatamente. Também non irei chorar sobre o leite derramado, a lamentar a facilidade com que o Português ganha o sabor da vasilha, a discretear sobre o que explica esta docilidade nacional perante a moda alheia, esta capacidade de trazer de França o telhado preto, de Marrocos a açoteia branca, da primeira revista que lê a arquitectura do tixolo, ou a do cimento, ou a da madeira dos bosques que xá non existem senon nas revistas. O que se passa é que nesta matéria de opçóns estécticas reflectem-se questóns mais profundas de interiorizaçón de valores culturais, e as posturas dos municípios non têm aí efeito algum. Na cultura xoga-se unha espécie de xogo da verdade, no qual a cultura mais forte fica sempre por cima. Estes emigrantes saíram das suas aldeias sem saberem nada, e quando voltam só sabem o que aprenderom por lá. Por isso – porque é unha valorizaçón, um enriquecimento, um ganho – fazem gala em o exibir. A casa de telhado de castanholas e xelosias envernizadas têm a mesma funçón afirmativa que o carro aspaventoso, ainda com a matrícula de orixem, ou o estropiamento voluntário da fala: o importante é que se vexa que vem de fora, que se esteve lá fora, com tudo o que isso representa de implícita promoción. E questóns destas non se resolvem com conversas sobre o património, nem com providências restrictivas: só o aumento da cultura e a interiorizaçón do arraigamento a pode axudar a solucionar.
JOSÉ HERMANO SARAIVA E JORGE BARROS (O TEMPO E A ALMA)