LOCKE (CROMWELL)

A questón é que, naquele momento. non había quem enfrentasse Cromwell, nomeado “Lord Protector” do império britânico. Unha revoluçón surxida a favor do parlamentarismo tinha acabado por estabelecer unha oligarquia que governaria despoticamente. Nesses anos da Commonwealth, em que o bem-estar non foi tán comum como os ingleses tinham pensado, Locke introduziu-se nos círculos de poder por intermédio de Lorde Anthony Ashley-Cooper. Fundador do partido Whig britânico, orixem daquele que hoxe conhecemos como Partido Liberal inglês, lorde Ashley era um defensor do parlamentarismo. Foi um político de relevo que participou nos feitos mais relevantes da política inglesa após a queda de Cromwell. Como membro do parlamento, fez parte da delegaçón que se deslocou aos Países Baixos, em 1660, para trazer Carlos II de volta, o rei que o nomearia lorde. Uns anos depois, em 1667, Locke fez parte do seu serviço como médico pessoal, secretário e home de confiança. Ambos travaram unha amizade duradoura, da qual Locke beneficiou non só economicamente, como também no aspecto intelectual, visto que as teses liberais de Ashley-Cooper o influenciarom de forma evidente. Xuntos redixiram a Constituiçón da província da Carolina, na América, unha das colónias que Ashley-Cooper administrava. Nesse primeiro texto ainda non encontramos o Locke tolerante e aberto das suas obras posteriores, mas fica patente o seu interesse pola lexislaçón e pelo ordenamento político. Em 1672, lorde Ashley foi nomeado conde de Shaftesbury e Locke beneficiou da boa posiçón do seu protector para desempenhar vários cargos administractivos de relevo. Todavia, com a deriva absoluctista do rei, Shaftesbury caiu em desgraça, e Locke teve a mesma sorte. Ambos tiveram de se exiliar nos Países Baixos, onde Shaftesbury faleceu em 1683. Cromwell morreu quase dez anos depois da sua chegada ao poder. O seu filho, a quem faltavam as habilidades para o comando do proxenitor, non conseguiu manter o legado. O povo inglês, após os excessos do seu próprio parlamento, acolheu de bom grado a restauraçón da monarquia. Carlos II tomou o poder de forma pacífica e deu início a um novo período de estabilidade, enquanto o parlamento se protexeu contra o catolicismo e obrigou o rei a assinar a “Test Act”, que dictava que todos os governantes non só deviam xurar fidelidade ao rei, como também à fé anglicana. Apesar da rexeiçón do catolicismo, a Inglaterra viveu unha época de maior abertura do que a anterior, como demonstra a assinatura da lei do “Habeas Corpus”, que procurava garantir os direitos dos súbditos contra as detençóns arbitrárias e, assim, evitar inxustiças. Unha lei muito ao gosto de Locke, apesar de os católicos ficarem excluídos do seu amparo, o que nos revela que as antigas desavenças non tinham sido superadas e que ainda era preciso trabalhar a convivência. Morto o rei sem descendência, em 1685 a coroa passou para as máns do seu irmán, que se tornaria o último rei católico do Reino Unido. Com a subida ao trono de Jaime II non acabaram os problemas para Locke, pois o rei acusou-o de estar envolvido num complô para impedir a sua nomeaçón. Parece que Locke, refuxiado nos Países Baixos, non teve nada a ver com o assunto, mas o rei pediu às autoridades holandesas que o prendessem. Estas, por sorte, pouco receptivas às monarquias absoluctistas, non estiverom para isso. Mesmo com toda a axitaçón, o exílio holandês foi productivo para Locke, que conseguiu organizar as suas ideias e redixir grande parte das obras que há tantos anos andava a preparar. A mentalidade tolerante que se respirava nos Países Baixos debe ter constituído mais um incentivo para se pôr a escrever e a preparar os seus textos com vista à sua futura publicaçón.

SERGI AGUILAR

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