
Com a publicaçón de “As Palabras e as Cousas” começa Foucault unha época de mudança, na qual irá intervir em inúmeros debates e entrevistas, responder a questionários, aclarar mal-entendidos. Em poucos meses, Foucault acabará por cortar com esta dinâmica, pedindo entón unha transferência por três anos para a Universidade da Tunísia, de onde segue de lonxe a controvérsia e onde será surpreendido polas revoltas do Maio do 68. Usou esse tempo para prosseguir unha nova reflexón sobre os pressupostos do seu próprio trabalho, tentando articular, como regras de um método, os diferentes procedimentos e precauçóns que colocou em práctica nos seus três trabalhos anteriores, agora considerados xá como exercícios do “método arqueolóxico”. O libro em que Foucault está entón a trabalhar chamar-se-á “A Arqueoloxía do Saber”, entendendo por “arqueoloxía” a interrogaçón do arquivo. E chama arquivo à “massa de todas as cousas que se disseram numa cultura, que foram preservadas, valorizadas, reutilizadas, repetidas e transformadas. Toda essa massa verbal que foi fabricada polos homes, que foi utilizada nas suas técnicas e instituiçóns e que está entrelaçada com a sua existência e história”. Assim, o termo que antes caracterizava a sua maneira de trabalhar passou a definir agora um campo de trabalho. E o que procuramos neste texto é precisamente descrever esse campo. Desta vez, non será suportado por qualquer relato histórico, concentrar-se-á principalmente em ordenar problemas e propor regras de procedimento. A sua reflexón apresenta assim um nível de sistematicidade e de xeneralidade ausente nas suas obras anteriores. E unha das consequências mais imediatas é que vai permitir-lhe axustar a sua distância tanto a respeito da “análise estructural” como do estructuralismo em xeral. Porque esta massa verbal non é abordada do ponto de vista da linguaxem, non é questionado qual é o seu sistema linguístico, o olhar é axustado segundo outro plano. O que importa dessa massa verbal non é que cumpra unha determinada possibilidade da linguaxem, mas que tenha sido efectivamente dita. E a pergunta dirixir-se-á entón às condiçóns históricas que permitiram que se dissesse o que foi dito e que, no entanto, non permitiram que se dissessem outras cousas, que também era possíbel dizer. Foucault resumirá assim este campo, tecido com a existência e com a história (entrevista concedida a J. M. Palmier, 1969): “O arquivo apresenta-se entón como unha espécie de grande práctica dos discursos, práctica que tem as suas regras, as suas condiçóns, o seu funcionamento e os seus efeitos. Os problemas colocados pola análise desta práctica som os seguintes: (1) Quais som os diferentes tipos particulares de práctica discursiva que podem ser encontrados num determinado momento? (2) Quais som as relaçóns que podem ser estabelecidas entre estas diferentes prácticas? (3) Que relaçóns mantém com as prácticas non discursivas, por exemplo políticas, sociais, económicas? (4) De que transformaçóns som susceptíveis estas prácticas?”. Mas para que estas questóns possam começar a abrir-se será necessário antes libertar-se de um obstáculo maior: debem ser colocados entre parênteses dous postulados ou pressupostos: o que pressupón que a história é um processo contínuo; e o que pressupón que a consciência humana é o suxeito orixinário de todo o conhecimento e de toda a práctica. Foucault entenderá que som duas faces de um mesmo sistema de pensamento, o próprio humanismo. Investigar a massa verbal do arquivo fora da obrigaçón de ler a sua história como algo contínuo implica entón colocar em práctica um “coeficiente de estranheza”, um afastamento da própria história, que deixa entón de ser a história de ninguém para se transformar na massa do dito. A partir daí, toda a atençón se concentrará nas disrupçóns, nas diferenças, nos acontecimentos e nas ordens que som desenhadas a partir deles, nessa massa do dito. E o que aparecerá entón é unha infinidade de nexos que antes eram imperceptíbeis, porque non podiam ser atribuídos a nenhum suxeito, a nenhuma “intençón” humana.
MIGUEL MOREY