
A influência de al-Farabi na filosofia islâmica foi enorme, a ponto de ser chamado “o Segundo Mêstre”, isto é, o principal filósofo depois de Aristóteles, o Mêstre por excelência para os árabes. Vexamos algunhas marcas do seu pensamento. Em “lóxica”, pode dizer-se que todos os seus sucessores no Oriente e no Occidente aprenderom com el esta ciência formal e propedêutica, ou sexa, introductória à filosofia. Os seus comentários ao “Organon” (o conxunto das obras lóxicas de Aristóteles) foram os textos-base com os quais xeraçóns de sábios aprenderam a raciocinar correctamente. Vexamos dous testemunhos a esse respeito. O primeiro deles procede do home de ciência e historiador Said al-Andalusi, xá citado. “Finalmente, temos de mencionar al-Farabi, sem dúvida algunha o maior filósofo dos muçulmanos. Estudou a lóxica com Yuhana b. Haylan (…) e superou nesta matéria todos os sábios muçulmanos, devido ao profundo conhecimento que dela tinha adquirido, o que o levou a explicar as suas partes obscuras, a descobrir os seus segredos e a torná-la mais acessíbel. Al-Farabi reuniu todos os elementos necessários para conhecer esta ciência em libros, compostos por unha linguaxem correcta e imaxens subtis, que reúnem tudo aquilo que al-Kindi e outros autores tinham omitido acerca do método analítico e do despertar da matemática. Nestas obras, fez unha clara exposiçón das partes da lóxica, deu informaçón acerca dos casos em que esta é útil, mostrou as vias que permitem servir-se dela e o meio para conhecer o raciocínio siloxístico em cada unha destas matérias. Os seus libros, relativamente a estas questóns, som o melhor que há e o mais perfeito que existe. Além disso, compôs um excelente libro acerca da classificaçón das ciências e do conhecimento dos seus obxectivos, que ninguém conseguiu superar nem cuxo método foi seguido por nenhuma outra pessoa. Desta forma, nenhum estudioso das ciências conseguiu passar sem se referir a el ou sem o ler previamente.” O outro testemunho é o do filósofo xudeu Maimónides, que o eloxiou assim: “Em xeral, recomendo-te que non leias sobre lóxica outras obras que non as do sábio Abú Nasr al-Farabi; pois tudo o que ele compôs é pura flor de farinha” (“Carta a Samuel ibn Tibbon”). Outro marco decisivo no rumo do pensamento islâmico é a recepçón do “aristotelismo”, que a partir de al-Farabi, e graças a el, se consolida como o sistema filosófico hexemónico. Mais tarde, os principais filósofos andaluzes coroarán esta recuperaçón com valiosas contribuiçóns. Por seu lado, na filosofia escolástica a partir de Alberto Magno e Tomás de Aquino inserir-se-á o racionalismo aristotélico na teoloxia cristán. Voltaremos mais adiante a este ponto. Deste modo, al-Farabi elaborou um pensamento político orixinal no qual definirá as linhas mestras da organizaçón social islâmica e estabelecerá as relaçóns entre política e relixión num novo quadro teórico. De unha perspectiva medieval, a sua posiçón foi revolucionária: “as duas partes que constituem a relixión (teórica e práctica) están subordinadas à filosofia. (…) A filosofia é que dá as demonstraçóns daquilo que a relixión virtuosa compreende. O ofício real, do qual procede a relixión virtuosa, está entón subordinado à filosofia” (Libro da Relixión). Esta inovadora perspectiva seria assumida e reelaborada mais tarde no islán occidental, isto é, em al-Andalus, por filósofos da magnitude do zaragoçano Avempace e do cordovês Averróis.
ANDRÉS MARTÍNEZ LORCA