
CRÍTICA AO ARGUMENTO DO DESÍGNIO
Mesmo admitindo, a título de hipótese, que a analoxia entre os artefactos e o universo é forte, daí non decorre que “o argumento do desígnio” sexa bom. O desígnio, diz Hume, é unha das causas existentes na natureza (xuntamente com o calor, o frio, a atracçón e a repulsón, etc…), e, tanto quanto sabemos, apenas unha das formas como algunhas partes da natureza axem sobre outras. Ora, em primeiro lugar, non é lexítimo inferir algo acerca do tudo a partir unicamente do que sabemos acerca de unha das suas partes, sobretudo se, como é aqui o caso, existe unha grande desproporçón entre essa parte e o tudo. Em segundo lugar, mesmo admitindo, a título de hipótese, que fosse lexítimo passar da parte para o tudo, non há qualquer razón para escolher o pensamento e o desígnio, que tudo indica ser um princípio insignificante e limitado. Em terceiro lugar, mesmo admitindo que, ao contrário daquilo que a experiência parece permitir, tivéssemos a certeza de que o pensamento e o desígnio som muito mais comuns no universo, isso non nos permitiria fazer extrapolaçóns relativas ao período da sua formaçón e concluir que seriam esses mesmos princípios os utilizados nessas circunstâncias.
DAVID HUME