Arquivos mensuais: Novembro 2021

ESCRITORES HISPÂNOS (NURIA BALCELLS)

Balcells, Nuria (Barcelona, 1925). Escrebe com o apelido do seu marido, Nuria Parés. Com unha obra breve, mas intensa, colocou-se entre os melhores poetas espanhois do exilio. Despois da “guerra civil espanhola” passou a México, onde colaborou para a revista “Rueca” com Ernestina de Champourcin, Concha Méndez e Amalia de Castilho Ledón. O seu libro “Romances de la voz sola” México, 1951) é unha primeira obra cheia de vigor e de seguridade nos recursos poéticos. Influída por León Felipe, a sua poesía alcanzará definitiva madurez em “Canto Llano” (1959). Últimamente publicou os seus poemas em diversas revistas literárias, como “Vuelta y Diálogos”.

OXFORD

¡¡QUE NADA SE SABE!! (48)

Polo tanto, permíta-se-nos comparar, non sem motivo, a nossa filosofía com o labirinto de Minos: unha vez que tenhamos entrado nel, non poderemos retroceder, nem libertár-nos. E, se avanzamos, daremos com o Minotauro, que nos sacará a vida. Este sería o fim dos nossos abatáres, este o prémio de um trabalho inútil e vano: perpectuas vixilias, fatigas, ocupaçóns, preocupaçóns, solidóm, privaçón de todos os prazeres, vida semelhante à morte, e apartar-se dos vivos mentras se convive, se luta, se fala e pensa com os mortos. Descuidamos os asuntos próprios, destruimos o corpo à força de fazer trabalhar o espírito. De ahí as doênças, a miúdo a loucura, a morte sempre. E o trabalho ímprobo non vence tudo, senón sacando a vida e acelerando a morte, que de tudo liberta; assim é como vence tudo aquel que morre. Dista de ser verdade – até tal ponto, que sucede xustamente ao contrário – o que afirma Aquél quando diz: “Em suma, o sábio só é inferior a Xúpiter; é rico, libre, respeitado, distinguido; nunha palabra, rei de reis”. Sobre tudo, está sáno, a non ser quando tem um fastidioso moqueo”. Mira, como ao fim se viu forzado a sacar à luz o moco. Mas, noutro lugar afirma, e com mais razón, tudo o contrário. “Homero, ainda que tu mesmo venhas acompanhado das musas, se non dás nada, Homero, acabarás tirado sobre as pedras da rua”.

FRANCISCO SÁNCHEZ

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (116)

Alguns Spíritos pouco elevados, non tenhem mais conhecimento que os homes, porque están em castigo e non tenhem consciência de Deus. Sentem a sua soberanía, mas non o miram. Estes Spíritos, suxerêm sonhos com cousas inanimadas: como carbalhos, rios, campos, côtos, pedras; e algunhas vezes também com homes. Entón, haberá que interpretá-los com o “Dicionário dos Sonhos”. Este por exemplo, afirma que sonhar com um cemitério, é signo de prosperidade. Mas, a philosofia espiritista afirma que isto é falso. O sonho debería realizar-se, tal como se sonha. E, que de non realizar-se sería um castigo contra a pessoa que sonha, mas non por isso, deixa de ter pensamentos, bons ou malos; polos quais pode ser castigada se nón os rechaza (os malos). Nisto tudo, vexo muitas contradiçóns e grandes irregularidades, uns som realizados idénticos, outros quedam pola metade, outros non concordam com o “Dicionário”, etc… Enfím, que só o leitor pode discernir, pensar, discorrer, axudado polo estudo continuado, e só assi poderá apreender algo sobre está Sciência, se a sua natureza o permite. Volvendo ao meu propósito, penso que a estes Spíritos lhes falta unha fervúra… E, querem expressar as suas ideias por meio de signos, assim como nós falámos òs outros por sinais. Quando unha pessoa está segura que vai vir unha cousa boa ou mala (segundo o sonho), o leitor poderá apreciar algo, se acáso tem unha consciência para interpretar. E, quando non se sonha nada, e a divina providência nos oculta algum bem ou algúm mal, pois Deus nosso senhor assim o quere, para bem das Almas.

MANUEL CALVIÑO SOUTO

MONTAIGNE (O SEPULCRO DA ROMA ANTIGA)

Na primavera do ano seguinte, visitará a Biblioteca Vaticana, aberta todas as manháns. Montaigne observa o elevado número de libros “presos com pequenas correntes em numerosas filas das estântarias”; os restantes estabam pechados em caixas que se abriram “sem excepçón”. Encontrará manuscriptos de Séneca e Plutarco, cuxos códices provabelmente se facilitavam a Amyot para a traduçón do “corpus” de Plutarco, traduçón que Montaigne defenderá sempre, também num xantar com Muret e outros “douctos”, numa noite durante a sua estada romana. Recordará ter visto, entre outros, um libro chinês, escrito só de um lado em folhas “de unha certa matéria muito mais delicada e mais transparente do que o nosso papel”; um fragmento de papiro; o Breviário de Santo Gregório; um Tomás de Aquino com correçóns autógrafas (escrebia mal, observa Montaigne, com unha grafia minúscula, ainda pior do que a sua); unha Bíblia em quatro línguas (hebreu, caldeu, grego e latim, impressa por Cristoforo Plantin em Amberes); a Assertio septemsacramentorum (escrita, segundo Montaigne, por Henrique VIII contra Lutero)… Visita-a “sem nenhuma dificuldade” (“toda a xente pode visitá-la da mesma forma e procurar tudo o que desexar”: Menos afortunado foi o embaixador françês que tinha regressado à sua pátria sem ter podido visitá-la (“lamentando-se polo facto de quererem fazê-lo cortexar por isso o cardeal Charlet”) e, sobretudo, sem ver “aquele Séneca manuscripto” como tinha desexado. A partir daquele antecedente, o próprio Montagne tinha perdido qualquer esperança, quando “o caso” se lhe proporcionou. “Um xentil-home conduziu-me por todo o lado e convidou-me a usar tudo o que quisesse (…) qualquer cousa resulta igualmente fácil por certas vias e inacessíbel por outras: a ocasión e a oportunidade têm os seus priviléxios e frequentemente oferecem ao povo o que recusam ao rei. A curiosidade frequentemente interpón obstáculos a si mesma, como sucede à grandeza e à potência”. Por exemplo, parece que o superintendente da Biblioteca tinha recusado a Muret um manuscripto de Zósimo, porque o libro era “ímpio e malvado”. Montaigne chegou a 30 de Novembro de 1580 a Roma, onde permaneceu até Abril do ano seguinte: todo esse tempo para poder “estudar” a Cidade Eterna. Prescindirá do guía françês (como do seu secretário, despedido a 16 de Fevereiro) e, com a axuda de mapas e libros, em poucos dias tornar-se-á tamanho especialista da cidade que “teria podido guiar o seu guia”. A Roma papal induz-lhe algunhas amargas consideraçóns, enquanto o frío do Inverno o sentia tán parecido com o da Gasconha: fortes xeadas e ventos insuportabelmente frios, sem dizer que rosas e alcachofras xá floresciam ao abrigo da primavera, embora ele non notasse um calor extraordinário e andasse vestido e “tapado” como na sua casa. A Roma moderna surxia-lhe, agora, como o “sepulcro da Roma antiga”.

NICOLA PANICHI

LITERATURA HISPÂNA (LA TRADICIÓN)

Muito mais orixinal, e mais americana que a novela indianista, habería de resultar unha variante do relato costumbrista que se conheceu na América Hispâna baixo o nome de “Tradición”. O seu fundador e mais brilhante fazedor foi o peruano Ricardo Palma (1833-1919), de cuxas “Tradiciones peruanas” (primeira série, 1872; última, 1911) haberíam de derivar polo menos quarenta imitadores e discípulos (entre eles, Clorinda Matto de Turner). Impenitente leitor de papeis velhos e habitante enfeitiçado dos arquivos, Palma tinha sonhado com escreber a história da Inquisiçón de Lima. Depois de muitos intentos, acabou por deixar apenas um esboço da obra (que escrebería o chileno José Toribio Medina, com impecábel professionalismo) para dedicar-se a um tipo de narraçón que ainda que tem as suas raízes no documento histórico busca outras fontes para o seu desarrolho. O mesmo Palma definíu a tradiçón como um relato, que com um pouco de história e muito de lenda e ficçón, construíu unha anedocta dos tempos passados. Nas suas tradiçóns, o passado do Perú, e em particular o período virreinal, aparece condensado maxicamente em vinhetas ao mesmo tempo, brilhantes e satíricas. O grupo de tradiçóns que Palma centra em personáxes como “La Perricholi” e el Virrey Amat” mostra a sua habilidade para caracterizar em poucos rasgos a unha personáxe e a unha época. Ainda que Palma no seu tempo, foi atacado por reaccionário e acusado de tradicionalista (el prefería chamar-se tradicionista), a verdade é que os seus relatos non só revelan unha nostalxia polo passado brilhante do Virreinato; também reconstruiem essa era na sua miséria, no seu grotesco e na sua rapazidade. Demasiado bom artísta para cair na beataría dos conservadores, as suas “Tradiciones peruanas” continuam sendo das poucas obras que non perderom frescura e non requerem unha especializaçón do gosto.

RBA EDITORES, S. A. (BARCELONA)