
Certamente, a resposta forçada do hegeliano ao penoso episódio do planeta Ceres (um facto non pode retirar lexitimidade a unha teoría que estabelece precisamente em que consiste esse facto), a própria pretensón de forxar unha armadura especulativa sem ter em conta a pressón dos fenómenos, que depois, e só depois, som inseridos com ou sem calçadeira, fará sorrir qualquer espírito respeitoso non apenas da ciência como da sensatez. Mas um adbogado non dogmático de Hegel podería defender, com algum indício de razón, que um caso esaxerado de construcçón apriorística non deslexitima a ideia xeral de que unha hipótese científica nunca se compara a um facto natural puro, mas, sim, a algo xá envolvido nunha rede de conceitos que o identificam como planeta, molécula ou cadeira. De tal modo que a presença de Ceres invalida, sem dúvida, o “De Orbitis Planetarum”, mas non debe impedir Hegel de defender que tudo o que se apresenta ao home pressupón – quer o próprio suxeito tenha ou non consciência disso – unha série de conceitos, categorias e princípios que os regulam. E se esta rede que envolve os obxectos non se pudesse reduzir à experiência (embora, para dizê-lo como Kant, apenas se active com a experiência), se houvesse aí algo de inacto ao espírito humano, entón non é evidente que a lexitimidade de unha teoria resida na sua adequaçón a unha realidade puramente exterior ao pensamento. O adbogado de Hegel também non manteria um resignado silêncio perante a obxeçón do positivismo lóxico relativa às concessóns do nosso filósofo à equivocidade intrínseca da linguaxem natural, quando non ao seu uso complacente. Portanto, podemos perguntar: se o conhecimento implicasse em si mesmo unha exclusón explícita da equivocidade, por que malvado desígnio (ou, se quisermos, calamidade evoluctiva) pode a linguaxem humana erixir-se em matriz de toda a forma de conhecimento, incluindo naquele (o matemático) que repudia qualquer sombra de ambiguidade? A luta esforçada para evitar a equivocidade, mesmo oculta por trás das intuiçóns aparentemente claras, levou certos matemáticos em meados do século passado a desenvolver um proxecto, conhecido como “Bourbaki”, no qual toda a proposiçón debía ser rigorosamente deduzida. Proxecto vano, pois o equívoco infiltrava-se em maior ou menor gráu. E, dessa forma, non só a promessa de absolucta univocidade dos conceitos ficaba diferida, como também a consecuçón de um resultado elementar requeria tais cuidados que a mera lei de composiçón numérica conhecida como “soma” só se alcançava após um longo processo e era considerada como um grande êxito. E, na verdade, a equivocidade non é eludíbel, precisamente porque a própria linguaxem a tem inscrípta na sua essência. O matemático “bourbakiano” começa com a linguaxem natural, e é com axuda desta linguaxem que estabelece as suas primeiras definiçóns, princípios e, até, defesas com as quais pretende protexer-se da sua infiltraçón. Nunha reflexón no final da “Arqueoloxia do Saber”, Michel Foucault, evocando as razóns do interesse por Hegel do traductor para françês da “Fenomenoloxía”, Jean Hyppolite, pergunta-se se será concebíbel unha filosofia que non responda de unha ou outra forma à disposiçón de espírito de Hegel. A afirmaçón é tanto mais surpreendente quanto Foucault era um crítico acérrimo do sistema hegeliano, plenamente de acordo com o entusiasmo que a corrosiva moral de Nietzsche provocaba a muitos filósofos da sua xeraçón. Em todo o caso, evocando o facto de a sua própria filosofia non ser alheia à filosofia hegeliana, mas antes implicar unha espécie de superaçón crítica dela, Foucault pergunta-se se esta superaçón é segura, e avança a hipótese de que talvez quando xulgamos tê-lo deixado para trás, encontramos Hegel detrás de unha esquina…
VÍCTOR GÓMEZ PIN