Arquivos mensuais: Outubro 2021

GALLEIRA (22)

O CASTRO LUPARIO

Xá se viu ao tratar das cidades das alturas, que estes monumentos especialíssimos figuram, em primeira linha. nas lendas de muitos santos galegos. Non era pois possíbel que a do apóstolo Santiago carecese da sua. O “Castro Lupario”pertênce-lhe por enteiro, e del parte e nel se concentra, non tanto o maravilhoso, senón o que pudera afirmar-se histórico em quanto se refére à chegada e translaçón do santo corpo. Castela Ferrer, que escrebeu a vida do apóstolo, non podía menos que visitá-lo, e a el debemos a sua descrípçón. Conhecemo-lo, pois, tal como se encontraba a finais do século XVI, sendo polo tanto as notícias que subministra aquel autor, as mais antigas que nos quedam em ordem à disposiçón e modo como estaba construído. “Resídia Lupa, escrebe, num castelo e fortaleza sua, rodeado de grossa muralha, que ainda tinha doze pés de largo em algunhas partes, dentro da qual existe tanta capacidade que cabe um esquadrón de quatro mil homes ou mais: ainda hoxe em dia há grandes pedazos dela; em parte tem a altura de unha pica, (que quere Deus conservar estas memórias na honra do seu apóstolo). Tinha o “castela” no meio désta práça, cuxos cimêntos se vem agora, e desde a entrada da primeira muralha, iba-se a el por unha rua estreita, de oito pés de largo, feita de um e outro lado com grossas muralhas”

MANUEL MURGUÍA

MARX (ANAIS FRANCO-ALEMÁNS)

Marx tinha partilhado com os “xovens hegelianos”, liberais radicais, as duas ilusóns da humanidade que se prolongam até ao nosso tempo e se mostram insuperábeis as esperanças libertadoras pola via da filosofia, da educaçón, e pola via da política. Estas duas ilusóns sofreram algunhas erosóns na sua primeira etapa de xornalista, mas permaneceram. Em Septembro de 1843, escrebe a sua famosa carta a Arnold Ruge, que lhe tinha proposto xuntar-se em París ao seu novo proxecto xornalístico, os “Anais Franco-Alemáns”. Nessa carta, Marx, ainda sob o domínio do hegelianismo, non tem outro vocabulário para se expressar: “Tudo o que é necessário acaba sempre por acontecer”, afirma; “Estou convícto de que o nosso plano vem ao encontro de unha necessidade real, e as necessidades reais também debem ser realmente satisfeitas.” Mantém o proxecto filosófico, político e crítico (“crítica despiedada de tudo o existênte”); mantém a relixión e o estado como inimigos, como formas de alienaçón: “Assim como a relixión é o sumário das lutas teóricas da humanidade, o Estado político é o das suas lutas prácticas.” É verdade que a carta revela novos sintomas, como unha maior atençón à práctica (“participaçón na política e, portanto, nas lutas reais, e identificar a nossa crítica com elas”, mas o seu esquema de reflexón non escapa ao âmbito da filosofia hegeliana: “Non dizemos ao mundo: Deixa de lado essas tuas batalhas, pois é tudo fantochada; nós é que proferiremos o verdadeiro mote para a luta. Nós apenas lhe mostrámos o porquê de ele estar a lutar, e a consciência é algo de que ele terá de se apropriar, mesmo que non queira”. A crítica filosófica continua a ser a estratéxia e o estado racional o obxectivo. París era um bom lugar para que um exiliado continuasse a sua luta pola Alemanha, que no seu interior tinha apertado o cerco aos reformadores com a censura e a repressón. Além disso, em París avançaba o capitalismo e a burguesia conseguía fortalecer-se depois da noite-escura da restauraçón que se seguíu à Revoluçón de 1789. Marx descobrirá essas classes trabalhadoras, que sofriam xornadas de até quinze horas diárias e as suas lutas para se libertarem dessa situaçón; e descobrirá os seus actores, como Louis-Auguste Blanqui e a sua proposta de “comunismo operário”, tán diferênte do “comunismo filosófico” dos seus compatriotas. Na correspondência da época, fala de “lançar-se às verdadeiras lutas” e da nova tarefa da filosofia, que non tem de ser outra senón levar à humanidade que luta a consciência dos motivos polos quais luta. París axuda-o, obriga-o a pensar, a formular em conceitos o falhanço das suas posiçóns filosóficas e políticas defendidas na imprensa; esixe-lhe que axuste contas com a sua consciência anterior. É, neste sentido, que se destácam os dous trabalhos que publica nos “Anais Franco-Alemáns”: a “Introduçón à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel” e “Sobre a Questón Xudaica”; dous trabalhos escritos na Alemanha, mas revistos e reformulados em París.

JOSÉ MANUEL BERMUDO

A CRÍTICA DE HUME AO ARGUMENTO DO DESÍGNIO

FRAQUEZA DA ANALOXÍA

Para Hume, a força de um argumento por analoxía é proporcional à semelhança entre os obxectos comparados. Quando existe unha exacta semelhança entre os obxectos, o argumento tem a máxima força e permite, a partir daquilo que sabemos acerca de uns, estabelecer com toda a certeza algo acerca do outro ou dos outros. Mas, quando non há unha semelhança exacta, a força do argumento diminui em proporçón e tanto mais quanto menos semelhantes forem os obxectos, tornando, no limite, a analoxía extremamente fraca. Assim, “Se vemos unha casa, Cleantes, concluimos, com a maior das certezas, que teve um arquitecto ou constructor, porque este é precisamente o xénero de efeito que vimos proceder daquele xénero de causa.” Non é isto, no entanto, que acontece quando comparamos o universo com unha casa. “Mas, certamente non ireis afirmar que o universo se parece de tal maneira com unha casa que podemos com a mesma certeza inferir unha causa similar ou que a analoxía resulta aqui completa e perfeita. A dissimilitude é tán impressionante que o máximo a que podeis aspirar neste ponto é a unha suposiçón, unha conxectura, unha presunçón a respeito dunha causa similar.” Em resumo, debido ao facto de ter por base unha analoxía fraca, o argumento do desígnio, em vez de permitir probar, como pretende Cleantes, que a Divindade é semelhante ao home, permite apenas conxecturar, supor ou presumir que existe unha semelhança entre ambos. Isto é um resultado bastante mais fraco do que aquele que Cleantes pretendia estabelecer, para quem as diferênças entre os obxectos naturais e os artefactos constituíam unha garantia segura de que a causa do universo é unha mente com capacidades imensamente superiores às da mente humana.

DAVID HUME (DIÁLOGOS SOBRE A RELIXIÓN NATURAL)

ABÚ NASR AL-FARABI (VIDA E OBRAS)

Turco de orixem e muçulmano de relixión, Abú Nasr al-Farabi (perto de 870 – 950) nasceu nunha pequena cidade da rexión de Farab, no Turquistán Ocidental, pertencente hoxe à República do Uzbequistán. Em plena expansón cultural do Império Abássida, estudou em Bagdade medicina, filosofia, matemática, gramática e música com homes de ciência cristáns, e foi condiscípulo e amigo do traductor de Aristóteles Abú Matta. Do ambiente de libre circulaçón de ideias nessa época dá-nos conta unha fonte histórica andaluza (al-Dabbi) a propósito dos debates filosófico-teolóxicos que presenciou: “Às reunións assistiam non só os muçulmanos de todas as seitas ortodoxas e heterodoxas, mas também infiéis, zoroastras, materialistas, ateus, xudeos e cristáns”, concordando todos, a partir de unha proposta de “um dos infiéis”, em non utilizar argumentos de autoridade retirados do Corán, mas apenas “probas fundadas na razón humana”. Protexido polo príncipe Sayf al-Dawla, viveu modestamente na corte, residiu em Alepo e faleceu em Damasco. A sua produçón literária foi muito vasta, dividida em comentários (a Aristóteles em especial, mas também a Platón, Ptolomeu e Euclides) e obras orixinais de conteúdo muito variado (lóxica, metafísica, psicoloxía, política, poesía e música). Destaquemos entre elas: O Catálogo das Ciências, O Libro das Letras, Tratado sobre o Intelecto, Concórdia entre o Divino Platón e o Sábio Aristóteles, Libro da Relixión, A Cidade Ideal e O Grande Libro da Música.

ANDRÉS MARTÍNEZ LORCA

A CROMODINÂMICA QUÂNTICA (F-55)

A “força nuclear forte” pode ser “renormalizada” pola sua conta nunha teoría denominada “cromodinâmica quântica” ou “QCD” (polas suas palabras em inglês “Quantum Chromodynamics”). Segundo a QCD, o protón, o neutrón, e muitas outras partículas elementais da matéria están formadas por “quarks”, que tenhem a notábel propriedade que os físicos denominarom cor, de onde vem o têrmo “cromodinâmica”, ainda que as cores dos quarks som tán somente etiquetas úteis que nada tenhem que ver com as cores visuais. Há quarks de três cores: roxo, verde e azul. Ademais, cada quark tem unha antipartícula correspondente, e as cores das referidas antipartículas som denominadas: antiroxo, antiverde e antiazul. A ideia é que somente as combinaçóns sem cor neta podem existir como partículas libres. Há duas maneiras de conseguir essas combinaçóns neutras de quarks. Unha cor e a sua anticor anulam-se mutuamente, de maneira que um quark e um antiquark formam um par sem cor, partículas inestábeis denominadas “mesóns”. Ademais, quando as três cores (ou anticores) se misturam, o conxunto carece de cor neta. Três quarks, um de cada cor, formam partículas estábeis denominadas “barións”, das quais os protóns e os neutróns som exemplos (e três antiquarks formam as antipartículas dos “barións”). Os protóns e os neutróns som os “barións” que formam os núcleos dos átomos e constituiem a base de toda a matéria normal do universo.

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW

KANT (A ORDEM ESPARTANA)

O esboço moral que emerxe das biografias mais reputadas a respeito de Kant tem como traço distintivo a seriedade moral e a obediência estrícta ao princípio do deber, princípio esse que constitui o centro dos seus escritos éticos. Entendeu a vida como unha oportunidade para realizar unha contribuiçón substancial para o pensamento universal e, nesse sentido, aproveitou-a ao máximo: a ordem espartana que impôs aos seus dias responde à sua esixência no trabalho. Non debe inferir-se daí que fosse antissocial; como se viu, foi sociábel, amábel e xeneroso na convivência com os demais. Todas as testemunhas coincidem em que foi sincero e leal na amizade, cortês e respeituoso com os simples conhecidos. Em relixión, non foi um crente ortodoxo ou dado à oraçón, nem practicante, nem certamente teve o menor vestíxio de epiritualidade mística, mas acreditou num Deus adaptado à sua moral e à sua relixión racionalista, os filtros através dos quais o sentiu. Em política, foi republicano e partidário dos ideais das revoluçóns francesa e americana, processos históricos de primeira magnitude que acontecerom durante a sua vida, bem como de qualquer ordem que favorecesse a emancipaçón da razón humana; mas rexeitou qualquer tipo de violência (é seu o tratado “A Paz Perpéctua). Como filho do seu tempo, aceitava unha monarquia limitada e xamais tería aprobado os versos da “Marselhesa”: “Que um sangre impuro banhe os nossos cháns!” Acreditaba, com optimismo, que os exércitos seriam abolidos. Defensor do movimento iluminista, instou a humanidade a assumir consciência e responsabilidade morais; em “Resposta à Pergunta: Que é o Iluminismo?” deixou expresso para sempre o seu legado: Iluminismo é a saída do home da sua menoridade, de que ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de se servir do entendimento, sem a orientaçón de outrem. Tal menoridade é por culpa própria, se a causa non residir na carência de entendimento, mas na falta de decisón e de coraxem em se servir de si mesmo, sem a guia de outrem. “Sapere aude!” Tem a coraxem de te servires do teu próprio entendimento! Eis aqui a palabra de ordem do Iluminismo.

JOAN SOLÉ

PASSEIOS PARA UNHA TARDE DE SÁBADO (RIBADÁVIA)

O PAÍS DAS RIBEIRAS DO RÍO ÁVIA

Ribadávia tinha um dos mais fermosos cascos históricos da Galiza, a praça maior ainda conserva algo da tranquilidade e beleza doutros tempos. Unhas subidas chafalheiras dos prédios, conspurcarom grandemente o conxunto monumental, e o chán da referida praça também merecía um empedrado mais cuidadoso. Ribadávia xá chegou a ser capital da Galiza, ainda que por pouco tempo, pois tinha tudo o necessário para a grande vida, com acolhedores banhos termais, abundante narcótico do ribeiro e unha gastronomía afamáda. Ideal para um Outono ardente, morno, quando entra unha laceira no corpo, e xá dá gosto tomar o sol poênte. O vinho acabou dando-lhe unha fama universal, sobre tudo, quando os ingleses meterom dente no negócio. Claro, que depois de tanto mal dizer sempre entram ganas de comer, e para isso está o “Quatro Caminhos”, um restaurante daqueles que xá non há! A vinte minutos de Guillade, tudo pola autovía A-52, seguimos pola mesma vía rápida, passamos Ribadávia e saímos onde apareça o primeiro letreiro para Carbalhinho, logo um par de quilómetros à esquerda até Santa Cruz do Arrabaldo.

O pan deste restaurante (é de fabrico próprio, pois tem unha padaría ó lado) come-se solo, pois um começa a comer e non pode parar. E um vinho do Ribeiro, que os meus amigos, dabam fé ser de três estálos. ainda que convém ter precauçón de non abusar dele, pois pode ter “bocado”, xá que esta “Cepa do Ribeiro” pode ser ainda mais mortífera que a brasileira e a australiana. O forte deste restaurante, som as “Anguias fritas com pimentos de Arnoia, também fritos e este maravilhoso pan”

As Anguias, están muito bem fritas por três cozinheiras, que sabem muito bem o que tenhem entre máns, e se um mete o naríz dentro da panela (sem queimar-se), non lhe fai falta mais nada para asegurar a bondade do producto.

Este local, só necessitaría unha melhora das cadeiras e das mesas, e unhas toalhas de pano, para aumentar o conforto dos clientes, mas esta reforma debe ser feita com todo cuidado, para non destruir o carácter popular da clientéla, que é também um dos seus grandes encantos. É negócio para durar toda a vida! Se a ganância dos “cartos” non acaba por arruiná-lo.

LÉRIA CULTURAL

NIETZSCHE (O ETERNO RETORNO)

Durante a sua estada, no verán de 1881, em Sils-Maria, Nietzsche terá unha autêntica “revelaçón”. Um pensamento que lhe permite romper a oposiçón entre o “devir” e o “ser” e que, além disso, proporciona um significado imanente à vida. Trata-se do “eterno retorno do mesmo”, a doutrina fundamental de Zaratustra. O mais abismal pensamento! Para introduzir-nos nesta ideia vamos recorrer à sua primeira formulaçón, que se encontra de novo em “A Gaia Ciência”, concretamente no fragmento intitulado “O maior peso”: O que aconteceria se certo dia ou certa noite um demónio entrasse furtivamente na tua solidón mais solitária e te dissesse: “Esta vida, tal como a vives agora e tal como a viveste, terás de vivê-la non só unha, mas incontáveis vezes, e nela nunca acontecerá nada de novo, mas que cada dor e cada prazer e cada pensamento e cada suspiro e cada cousa infinitamente pequena e grande da tua vida deberá retornar a ti, e tudo na mesma ordem e sucessón – e assim também esta aranha e este luar entre as árbores e também este instante e eu mesmo. O eterno relóxio de areia da existência dará a volta unha e outra vez – e tu com ela, minúsculo pó no pó!”? O eterno retorno apresenta-se como um exercício mental que consiste em imaxinar que todos os instantes que componhem a nossa vida ván retornar eternamente e de forma idêntica àquela em que se produziram. Tudo, absoluctamente tudo o que vivemos e temos vivido (“cada dor e cada prazer e cada pensamento e cada suspiro e cada cousa infinitamente pequena e grande”) se repetirá infinitas vezes e exactamente pola mesma ordem.

TONI LLÁCER

LITERATURA CLÁSSICA GREGA (SOLÓN DE ATENAS)

A cobiça dos que mandam e a violência dos partidários, liberam forças destructivas que non podem controlar-se; isto foi o que aconteceu em Mégara e habería de passar de novo, muito mais tarde, em Corcira. A alabança por parte de Solón do estado de cousas contrário, o “bom goberno”, aparece e alcanza alturas líricas, com uns artifícios retóricos muito elaborados. Mas, as advertências de Solón seguirom desatendidas e os asuntos chegarom a um estado crítico, que em tantas outras cidades gregas derom como resultado a guerra civil ou a tiranía. Os atenienses conseguirom evitar a guerra civil e, por aquel momento, também a tiranía; Nomearom arconte a Solón com plenos poderes por um ano, para que actuára como “conciliador”, um cargo que se habia criádo com diversos títulos e, como último recurso, em varias cidades gregas divididas em facçóns (Mitilene, por exemplo). Solón, unha vez no cargo, pedíu a ambos os bandos que contiveram as suas esixências e inaugurou unha série de reformas (conhecidas como as “medidas para suprimir as dívidas”): que incluíam a prohibiçón de contrair dívidas; prohibiçón da escravidóm polas mesmas; o retorno a Atenas dos que foram deportados por elas; um código de leis para substituir ao feróz códigp punitivo de Dracón e muitas medidas mais. Mas todas elas eram compromisos, ningunha delas foi unha victória completa para bando algúm. Aos ricos, que eram a sua classe, aconselhou-lhes moderaçón: “Vós que tendes disfrutado da superabundância de todas as cousas boas, calmáde os vossos fortes ânimos, dentro dos vossos peitos, sentáde as orgulhosas mentes sobre propósitos moderados.” Aristóteles, que cita estes versos, nos dí que Solón criticou aos ricos, polas discordias civis. Mas, tampouco tinha ilusóns acerca do outro bando; num relato das suas acçóns, escríto depois de um ano de cargo, é igualmente duro com os dirixentes do partido popular, que tinham pronunciado o clássico grito revolucionário da distribuiçón de terras. Tem o orgulho de gabar-se de ter deixado descontentos a âmbos bandos, sobre tudo que despreçou as esixências de âmbos lados de castigo para os seus adversários. A sua lealdade non era para ningúm bando, só para Atenas. Aristóteles afirma que o poema que convenceu às duas facçóns a dar-lhe a autoridade suprema começaba com estes versos: “A pena médra no meu corazón, quando vexo a mais antiga terra da Xonia em decadência…”. “para ser campeón de cada bando, contra o outro, discutir o seu caso, e logo recomendar o fim da luta constante das facçóns”. O amor de Solón por Atenas compreende non só as suas xentes, senón a terra mesma; há unha nota de ternura no seu famoso orgulho, por ter arrancado os marcos que sinalabam o chán ático. A tentaçón de manter-se no poder, e o conselho dos seus amigos de que o fixéra, tivo que ser difícil de resistir, mas a sua negativa era inapelábel: “Axudei à terra dos meus páis, mantivem a minha mán lonxe da tiranía e da áspera violência…” Incluso foi o suficientemente intelixente como para saber que outros seríam mais ambiciosos que el; as tensóns do corpo político estabam aliviadas, non suprimidas e, Solón advertíu aos seus concidadáns que andaram com cuidado.

P. E. EASTERLING E B. M. W. KNOX (EDS.)

OS GRANDES MÊSTRES ESTOICOS (ZENÓN DE CÍTIO E CLEANTES DE ASSOS)

Ao contrário do ensino especializado e elitista da Academia e do Liceu, Zenón optou por levar o conhecimento para a rua – ou melhor dito, para a ágora – para situá-lo ao alcance de todos: unha inscripçón em pedra declarava que, à semelhança de Sócrates, a maioría dos seguidores de Zenón era formada por xovens, aos quais era oferecido um novo modelo de virtude inspirado no estilo de vida do filósofo. Neste aspecto, Zenón aproximava-se dos cínicos, que expunham as suas ideias (entre outros) às pessoas da rua, distanciando-se, por outro lado, dos epicuristas, que se isolavam no seu Xardím com os mêstres, nos subúrbios de Atenas. Porém, Zenón veio xuntar a este proselitismo, semelhante ao dos cínicos, unha abordaxem filosófica mais coherente e rigorosa. A vontade de se relacionar com os outros obedece à convicçón optimista estoica de que a cooperaçón entre as pessoas é possíbel (convicçón derivada das crênças, igualmente optimistas, na bondade humanas e no sentido do universo). Embora Zenón apresente o modelo ideal de um sábio que non intervém resoluctamente na política, nos estoicos posteriores, sobretudo nos do terceiro período (o romano), esta tendência conduzirá ao relacionamento e compromisso com os assuntos públicos. Zenón morreu em Atenas em 262 a. C. e a cidade concedeu-lhe grandes honras públicas, o que non era nada frequente entre os metecos. Cleantes de Assos (actual Turquia) sucedeu a Zenón como director da escola, durante trinta anos (até à sua morte em 232 a. C., com a provecta idade de 98 anos). Cleantes foi unha personaxem muito curiosa, detentora de um perfil muito pouco habitual no campo da filosofia. O seu primeiro oficio foi o de puxilista e, xá em Atenas está relacionado com o estoicismo, conseguíu precariamente subsistir trabalhando à noite como aguadeiro para poder assistir durante o dia às aulas da “Stoa”. O seu interesse pola reflexón filosófica foi tardío e entusiasta, o que só vem dar razón à máxima epicurista de que: “nunca é demasiado tarde nem demasiado cedo para filosofar, porque nunca é dmasiado tarde nem demasiado cedo para ser feliz”. Compôs várias obras filosóficas (conhecemos o título de 57), mas apenas conservamos intácta a sua breve composiçón poética “Himno a Zeus”. Som-lhe atribuídas sobretudo três grandes ideias desenvolvidas a partir dos princípios estoicos: declarou o “fogo” como orixem de tudo o real, tál como Heráclito (vexa-se mais adiante), deu um grande impulso aos estudos lóxicos e estabeleceu a dimensón relixiosa desta filosofia (é considerado o mais relixioso dos estoicos).

J. A. CARDONA

BREVE HISTÓRIA DE QUASE TUDO (6)

É claro que a salinidade dos oceanos representava apenas unha porçón insignificante da minha imensa ignorância. Eu non sabia o que era um protón, ou unha proteína, non sabia a diferênça entre um quark e um quasar, non sabia como é que os xeólogos conseguiam olhar para um estracto rochoso numa parede de um desfiladeiro e determinar a respectiva idade, non sabia mesmo nada. Senti-me invadido por unha subpretícia e inesperada vontade de saber um pouco sobre estes assuntos, e sobretudo como se tinha chegado a tais conclusóns. Isso, para mim, continuava a ser o mais espantoso – como é que os cientistas descobriam essas cousas? Como é que alguém consegue “saber” quanto pesa a Terra, ou que idade têm as suas rochas, ou o que é que realmente existe no centro dela? Como é que podem saber como e quando nasceu o universo, e que aspecto tinha nessa altura? Como é que sabem o que se passa dentro de um átomo? E, xá agora – ou talvez acima de tudo – como é possíbel que os cientistas pareçam tantas vezes saber practicamente tudo sem, todavia, conseguirem prever um terramoto, ou dizer-nos se debemos levar um chuvasqueiro para o futbol no próximo Domingo? Foi assim que decidi dedicar unha parte da minha vida – mais precisamente três anos – a ler libros e revistas, e a procurar todos e qualquer especialista com paciência de santo que estivesse disposto a responder a um sem-número de perguntas extraordinariamente idiotas. A ideia era vêr se sería possíbel entender e apreciar as maravilhas e os feitos da ciência – e, porque non, divertir-se com eles – a um nível que non fosse demasiado técnico ou esixente, mas que também non fosse inteiramente superficial. Forom estas as ideias e a esperança que me animarom, e foi com essa intençón que nasceu este libro. De qualquer forma, temos muito com que nos ocupar e menos de 650 mil horas para o fazer, portanto, vamos a isso!

BILL BRYSON

HABERMAS (COINCIDÊNCIA PÚBLICA)

As leis têm a sua orixem na “coincidência pública” do público que raciocina no consenso. Kant aceita a ideia da soberania popular de Rousseau – considerando-o o Newton da moral -, mas substitui o corazón pola razón – baixo o pressuposto do seu uso público – de acordo com a convicçón de que “a imposiçón da lei está em conformidade com a xustiça”. A coincidência, o consenso, som garantidos pola formaçón discursiva da vontade. As leis adquirem assim lexitimaçón e, deste modo, conseguem solidarizar a política com a moral. Para chegar a esta situaçón non basta a vontade de todos os indivíduos. McCarthy explica-o assim “os procedimentos formalmente correctos só podem lexitimar decisóns se forem parte de um sistema político-legal que é desse modo reconhecido como lexítimo sobre fundamentos que podem ser racionalmente aceites por todos” (McCarthy, 1993). O vínculo legalidade-lexitimidade fica fortalecido através do contributo de unha esfera pública politicamente activa aderente à “autonomia privada possibilitada polas relaçóns sociais entre os proprietários de mercadorias em liberdade de competiçón”. Nas suas próprias palabras: Um conxunto de seres racionais que conxuntamente esixem leis xerais para a sua manutençón, conxunto em relaçón ao qual todos se sentem inclinados a excluírem-se, tem de ordenar-se de tal maneira, e de tal modo tem de acertar a sua constituiçón, que, mesmo quando os sentimentos privados que contém se enfrentem nas suas aspiraçóns, consiga, contudo, mantê-los, de modo que a sua conducta pública faga com que o resultado sexa exactamente tán satisfactório como se non existisse nenhum desses maus sentimentos. A autonomia enraíza-se na esfera comercial e o requisito é que cada um sexa o seu próprio senhor. Além disso, deparamo-nos aqui com a apresentaçón de unha esfera económica burguesa que se pretende “libre de dominaçón” e “isenta de poder”, governada apenas pola libre concorrência e a racionalidade xurídica ao serviço da obtençón de lucros, que lhe empresta a sua autorregulaçón autónoma e anónima. Apenas requer “unha administraçón racional” e unha xustiça “independente” que garanta a inviolabilidade das regras do xogo económico: o império do “laissez-faire” como ideoloxía burguesa.

MARÍA JOSÉ GUERRA PALMERO

O VINHO (4)

A escolha dos vinhos, resulta talvez unha das labores mais difíceis de todo este asunto. É unha oferta tám esaxerada, tán desmedida, tán âmpla, que pode em ocasións ser desconcertânte. O amante dos vinhos tem à sua disposiçón na actualidade, um “Labirinto” infinito de possibilidades, do qual non logrará escapar nunca (salvo que logre emborrachar ao minotauro). As loxas ofertam productos procedentes de quarenta ou mais países diferêntes. Non nos enfrentámos somente ao número, mas a um complexo mundo de etiquetas, de descripçóns, que às vezes non nos resultam demasiado familiares. Neste caso, as “denominaçóns de orixem” som as que mais nos podem axudar à priori, pois dam-nos informaçón das características dos caldos, das variedades usadas, da elaboraçón e das idades de consumo. Há que ter unha ideia das rexións vitivinícolas do mundo, ou polo menos, ter algunha consciência xeral das características destes vinhos, o seu estilo e os seus gostos. As técnicas de vinificaçón, forom enormemente modificadas a partir da década de 1960, merecendo unha atençón especial aos productos quimicos utilizados e às falsificaçóns. Quando vamos comprar vinho, temos que saber muito bem que é o que queremos. ¿Se é para beber xá? ¿Se para guardar durante anos? ¿Queremos um vinho refrescante, um “Franciacorta” por exemplo? ¿Ou queremos um caldo para saborear pouco a pouco, como pode ser um “Madeira Verdelho velho” (que xá viaxou por todos os mares quêntes do mundo), e semelha talmente um “cognhac” ? Quando se compra um vinho para madurar, há que estár seguro que tem capacidades para fazê-lo, e guardá-lo na escuridade e no silêncio dunha bodega subterranêa, doutra maneira resultará um fracasso total. A harmonizaçón dos vinhos com a comida, é outro dos factores primordiais para o bom sucesso das paparocas. Tomar uns percebes das Rias Galegas, acompanhados por um “Esporao Branco Reserva”, non demasiádo frío, pode ser unha esperiência inesquecíbel. Ou unha Lampreia, acompanhada por um “Val do Meao”, daqueles que tinha o Chef Rivera na sua bodega de Padrón, é canela Simoninha! Ou ainda, um Ensopado D’Anguias, maridado com um “Branco com madeira” de Bento dos Santos, e do seu Monte D’Oiro, sería capaz de aguantar outro terremoto. Quando se merca vinho, há que ter por diante unha vasta cultura (que, nunca, por detrás). Porque, o que non sabe, é como um cego, que nada vê!!

O TROMENTELO

MANIQUEÍSMO (O PROFECTA MANI)

Mani nasceu a quatorze de Abril de 216 d. C. na Babilónia, rexión que, naquela altura, fazia parte do poderoso império Sassânida e que se estendia desde as fronteiras orientais do Império Romano até aos limítes ocidentais da Índia, no território actualmente ocupado polo Iraque, Irán, Afeganistán e Paquistán. Depois de ouvir vozes durante três dias seguidos, o seu pai, Patek, converteu-se à seita gnóstica xudaico- cristán dos elcasaitas e foi no seu seio que o xovem Mani foi educado dos quatro aos vinte anos. No entanto, duas revelaçóns levarom Mani a abandonar a comunidade relixiosa do seu pai e a iniciar a sua própria pregaçón. A primeira ocorreu quando o profecta tinha doze anos: um anxo apareceu para lhe transmitir as mensaxes do “Rei do paraíso das luzes” (o Deus bom do maniqueísmo). A segunda, doze anos mais tarde, ordenava-ĺhe que se manifestára publicamente e proclamasse em voz alta a sua doutrina” (240 d. C.). Mani atravessou o Império Sassânida para chegar à Índia, onde viveu durante dous ou três anos. É provábel que aí tenha recebido a influênça da espiritualidade indú. Xá de regresso a Pérsia, apresentou-se diante do rei sassânida Shapur I que, fascinado com as doutrinas do xovem profecta, lhe deu permisso para pregar no império. Nos trinta anos seguintes, até à morte de Shapur I, Mani e os seus discípulos levarom a cabo um trabalho intenso de proselitismo e pregaçón, difundindo as ideias da nova relixión, non só de unha ponta à outra da Pérsia, mas também mais alá das fronteiras do império. Porém, a morte de Shapur I em 272 significaría o começo da queda em desgraça do profecta. O poderoso clero masdeísta aproveitou a ascensón de Bahram I ao trono para condenar a pregaçón maniqueísta, tendo o profecta sido preso e submetido a um calvário de vinte e seis dias até à sua morte, a vintiseis de Febreiro de 277. O seu corpo foi despedaçado, a sua cabeça exposta na porta da cidade e os seus restos entregues aos cáns. Apesar da perseguiçón a que o maniqueísmo foi submetido nos territórios Sassânidas, as sementes deixadas polos longos anos de pregaçón iriam dar frutos duradouros. O seu êxito no Ocidente romano (e depois cristán) está testemunhado nunha carta escríta polo imperador Diocleciano ao procônsul em África, em que mostra a sua preocupaçón pola difusón de unha nova relixión persa (302 d. C.), por obra de Santo Agostinho (que foi maniqueísta durante nove anos), e pola aprovaçón de dous decretos antimaniqueísta, em 372 e 445. Seguir-se-iam anos de perseguiçóns implacáveis, xá na época cristán que, porém, non conseguiriam extirpar por completo os ensinamentos maniqueístas. O seu rasto levanos até à seita medieval dos bogomilos, que subsistíu nos Balcáns (Bulgária, Sérvia e Croácia) até muito depois do início do século XV, e cuxas doutrinas parecem ser a base do movimento cátaro do século XII. A sua difusón também non foi menor polo lonxínquo Oriente, onde as doutrinas maniqueístas se espalharom polos territórios da Ásia Central até chegar à China: o maniqueísmo foi adoptado como relixión oficial polo império Uigur no século VIII, e na China subsistiram comunidades maniqueístas até ao século XIV da nossa era.

E. A. DAL MASCHIO

ESCRITORES HISPÂNOS (BERNARDO DE BALBUENA)

BALBUENA, Bernardo de (Valdepeñas, 1562? – 1627). Ainda que nasceu em Espanha, está considerado como mexicano por ter chegado ao Reino de Nova Galiza (México) aos dous ou três anos de idade. Perto de 1585 – 1590 estudou na Universidade de México e logo entrou em relixión. Cedo se cansou da vida provinciana e regresou à cidade de México, onde publicou a sua “Grandeza mexicana” (1604). O seu estilo non era muito diferênte do de Luis de Góngora. Cultivou unha poesía abstracta que a miúdo se aparta do seu tema e se recrea em sí mesma. O poema descriptivo sobre México está escríto em tercetos endecasílabos que finalizam em quartecto; notam-se nel a influênça dos modelos italianos. No seu “Siglo de Oro en las selvas de Erfile” (1608; 2ª ediçón, 1821), por exemplo, fai-se evidente a reminiscência da Arcadia de Sannazaro, sobre tudo no feito de que os elementos descriptivos som mais importantes que os narrativos. Viaxou a Espanha em 1606, e sacou o doutorado em teoloxía pola Universidade de Sigüenza. Depois de pedir destino na corte, foi nomeado abade da Jamaica em 1608. Alí servíu de 1610 a 1622. Nesse lápso escrebeu “El Bernardo o Victoria de Roncesvalles” (Madrid, 1624), que é a melhor obra escríta em castelán sobre este popular tema. Baixo influênça dos Orlando de Boyardo e Ariosto, o poema consta de quarenta mil versos e está escríto em oitávas reais. O estilo é manieirista e barroco e mais narrativo e descríptivo que épico. Reiditou-se na Biblioteca de Autores Españoles (BAE) (XVIII, 1851). Foi bispo de Puerto Rico. A sua biblioteca perdeu-se num incêndio acaecído durante o transcurso de um ataque pirata.

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