Arquivos mensuais: Xullo 2021

O FADO (NOVOS TALENTOS)

Também, com um traxecto interessante surxe Pedro Moutinho, com três discos editados e vários espectáculos, em salas de referência. Gonçalo Salgueiro que também é autor e actor, tem unha voz versátil e conta com vários discos editados a solo e participaçóns em tantos outros. O mais xovem a merecer especial interesse é Marco Rodrigues, que acaba de editar o seu segundo disco, sendo unha das novas vozes mais promissoras. Outros fadistas com interesse som: Duarte, António Laranjeira, Marco Oliveira ou Miguel Ramos. “O fado identifica-se principalmente pola saudade: a nostalxia daqueles que ficarom em Portugal, com a recordaçón daqueles que atravessarom os mares para non voltar, e dos que partirom com a recordaçón da terra onde nasceram.” Carlos Saura, Agosto de 2005. Em 2007, o premiado cineasta espanhol Carlos Saura, estreia o filme-concerto Fados, e encerra o seu ciclo das grandes cançóns urbanas, depois de Flamenco (1995) e Tango (1998). Um filme que expressa a visón non purista do autor, expandido este universo musical pola dança e por outros estilos como o “hip hop”, flamenco ou “reggae”, cruzando ainda artistas de fado com outros e atravessando xeraçóns diferentes. Este filme homenaxeia Severa, Amália Rodrigues e Alfredo Marceneiro, e tem a participaçón dos fadistas Carlos do Carmo, Argentina Santos, Vicente da Câmara, María da Nazaré, Mariza, Camané, Pedro Moutinho, Ricardo Ribeiro, Carminho, Ana Sofia Varela, Cuca Roseta, e conta com os instrumentistas Mário Pacheco, Fontes Rocha, Ricardo Rocha ou Jaime Santos. Integra ainda outros artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso, Toni Garrido, Lila Downs, Lura, Brigada Victor Jara, entre outros. Em 2008, o “Fado da Saudade” interpretado por Carlos do Carmo e incluído na banda sonora de “Fados”, vence em Espanha o prémio “Goya” para a melhor cançón orixinal, suscitando algunha polémica em torno da orixinalidade, quer do título quer da música. A música é o “Fado menor em versículo” com autoría atribuída a Alfredo Marceneiro, e o título coincide integralmente com um fado que Amália Rodrigues tinha interpretado nos anos cinquenta.

FADO PORTUGAL

MARX (O EDITORIAL 179)

A catorze de Xulho, volta à luta com unha nova ediçón do artigo “O Editorial 179”, mas, neste caso, acode em defesa da filosofia e da intervençón desta nos assuntos reais. O “Editorial 179”, que Marx critica, tinha mostrado o seu assombro por num diário como a “Gazeta Renana” se abordarem temas filosóficos; consideraba que a censura debería prohibir o tratamento filosófico de questóns políticas e relixiosas na imprensa, reservando-o para as cátedras ou revistas especializadas. Marx ironiza com essa paixón da filosofia alemán pola “solidón, o isolamento sistémico e a autocontemplaçón desapaixonada”; ironiza sobre o seu esoterismo e o seu refúxio em lugares sagrados, tornando-se impenetrábel ao olho vulgar: “É como um professor de maxía cuxos truques têm um efeito maxestoso, porque non se cpmpreendem”. E responde com ênfase: “Mas os filósofos non brotam da terra como cogumelos; som fruto do seu tempo, do seu mundo, do seu povo, cuxa sabedoria mais subtil, preciosa e invisíbel circula nas ideias filosóficas. É o mesmo espírito que constrói os sistemas filosóficos no cérebro dos filósofos e os caminhos de ferro com as máns dos trabalhadores. A filosofia non é exterior ao mundo, do mesmo modo que o cérebro non está fora do home, por non se encontrar no estômago”. Marx defende a irrupçón da filosofia no mundo como “acçón”, isto é, como “cultura”; non só como consciência subxectiva do que é, mas como realidade obxectiva que faz parte dele. A filosofia é encarada, deste modo, como a arma da emancipaçón: a filosofia que se coloca à altura do seu tempo, que se reconhece do seu tempo, que non finxe ir além do seu tempo, que se sabe constitutiva do seu tempo; a filosofia que deixa de residir no cérebro e de olhar o mundo de fora, para sair de sí e instalar-se no mundo. A filosofia emancipadora, vem Marx dizer-nos, é a que faz com que as ideias deixem de ser divinas para serem meramente “cidadáns”; a filosofia torna-se cidadán, enquanto seiva da cultura da libertaçón e da razón. Unha posiçón idealista, sem dúvida, mas de um belo idealismo. A defesa que Marx faz, nestes artigos, da filosofia e do estado como armas da emancipaçón é de grande beleza literária e ética; o radicalismo e intensidade som tán dramáticos que libertam o aroma tráxico da última defesa, do último momento heroico antes de entregar a praça sitiada. Marx exprime a paixón de quem pressente a derrota definitiva do ideal, de quem diz adeus à sua fé anterior. Porque, paradoxalmente, esse instante de desesperada defesa da filosofia e do estado, tem lugar no momento em que a filosofia mostra a sua impotência perante o poder e, o estado rebela a sua verdadeira essência, que non é precisamente a de caminhar para a liberdade e a igualdade, que non é a de realizar a universalidade. Bastou um xesto rude e obsceno do poder para que dezenas de xornais e cátedras fossem silenciadas e que os mais radicais defensores do estado racional fossem atirados para o exílio.

JOSÉ MANUEL BERMUDO

LITERATURA CASTELÁN (A “DISPUTA” DA ALMA E O CORPO)

A “Disputa del alma y el cuerpo”. Esta composiçón, parece pertencer aos últimos anos do século XII, ou primeiros do século XIII. foi encontrada no Archivo Histórico Nacional, num pergaminho procedente do mosteiro de Oña, do ano mil douscentos um, e foi publicada e estudada por Menéndez Pidal. Consta de trinta e sete versos, agrupados em pareados, e está inspirada no poema françês “Débat du Corps et de l’Ame”. versón à sua vez de outro poema latino, “Rixa animae et corporis”. O seu tema é unha discusón acontecida entre o corpo e a alma de um difunto, atribuíndo-se reciprocamente as culpas dos seus pecados. Adqueríu difusón em todas as literaturas europeias, e na castelán persistíu baixo versóns diferentes: nos começos da escola alegoricodantesca, fins do século XIV, reaparece com o título de “Revelación de un ermitaño”; influíe na “Farsa racional del libre albedrío”, em que se representa a batalha que há entre o espírito e a carne; e penetra até à época de Calderón, que o utiliza num dos “autos sacramentales” da sua primeira época, titulado “El pleito matrimonial del Cuerpo y el Alma”.

J. L. ALBORG

O FLORESCIMENTO DA FILOSOFIA ISLÂMICA (AL-KINDI)

No islán, os primeiros passos filosóficos forom dados num contexto relixioso, quando os “mutazilis” do Iraque aplicarom a lóxica aristotélica à teoloxia islâmica (Kalam). Criticados severamente polos xuristas conservadores, forom qualificados como “os libre-pensadores do islán”. O seu lema era muito expressivo: “Antes a razón, que o saber herdado”. A filosofia helenizante começa no mundo islâmico com “al-Kindi” (finais do século VIII – 873), nascido em Kufa (Iraque), faleceu em Bagdade. Entre os seus abundantes escritos figuram vinte e nove tratados filosóficos. O seu mérito principal está em ter iniciado a recepçón de Aristóteles e ter elaborado um léxico filosófico em árabe. A sua metafísica é de orientaçón neoplatónica. Considerada lícita a especulaçón filosófica, apesar de esta proceder da Grécia: “Non debemos envergonhar-nos de apreciar a verdade e de nos apropriarmos dela, venha ela de onde vier, mesmo se nos chegar de raças distantes e de naçóns diferentes da nossa” (Tratado acerca da Filosofia Primeira). Foi o primeiro a expor no pensamento islâmico o tema do intelecto, isto é, como funciona a mente humana, de orixem aristotélica.

ANDRÉS MARTÍNEZ LORCA

O CASTRO DE TROÑA

Ubicado na aldeia de Pias, a uns duzentos e oitenta metros de altura do nível do mar. O Castro de Troña, do concelho de Pontareas, é um dos mais estudados e escavados de toda a Galiza. Tem forma de ovo, presenta âmplas terrazas na sua pendente Oeste, e um largo foso polo lado de nascente, que o aílha completamente dos montes da Hermida, mais elevados que el. Os eixos principais do Castro midem duzentos metros (Leste- Oeste), e cento cinquenta metros (Norte-Sul). O Castro de Troña, alberga um sistema defensivo que afirma a enorme importância defensiva que tivo na sua época. O sistema está formado por valos (muralhas), foso e parapetos. Dous lenços de valos, cerram completamente o recinto, com um grossor que varía desde os cinco metros e meio, até ao metro e meio, com unha altura que vai dos dous aos cinco metros. É de salientar o reforço ou torreón, que tem um primeiro valo na sua parte Leste. Descoberto fai pouco tempo, é um dos escassos exemplares que se conhecem no Noroeste penínsular. A nascente tem um foso de dezoito metros de profundidade e dez de ancho no fundo. polo que circula agora a estrada de acceso ao Castro. O sistema defensivo está completado com dous pequenos parapetos de pedra e terra, no seu lado Nordeste, de seis metros de lonxitude e três de altura. É possíbel que tivera várias entradas, que até hoxe non puderom ser determinadas, ainda que podemos supor que estarám situadas, unha a Nascente xunto do torreón, e outra a Poente, xá no segundo valo. Na actualidade, conta com trinta casas castrexas, a meirande parte delas excavadas a princípios do século por Pericot e Cuevillas. Actualmente, no mes de Agosto houbo unha excavaçón, campanhas sistemáticas organizadas e subvencionadas polo Concelho de Pontareas. Queremos salientar, que este Castro, igual que todos os demais, conta com um bom número de lendas vencelhadas a el. (E, que, a figura do guerreiro celta que, estaba estampada nos mazos de cigarros “Celtas”, foi copiada dunha estátua de pedra pequena encontrada neste Castro galego, e cuxo destino a levou a Catalunha e parece ser que actualmente Estados Unidos).

PUBLICADO NA “PENEIRA” (ANO I – 1984) COM A COLABORAÇÓN DE X. M. HIDALGO.

KANT (AS RELAÇÓNS SENTIMENTAIS VISTAS COMO PATOLÓXICAS)

Kant, non se casou, nem parece que sentisse inquietude, necessidade ou carência algunha em relaçón ao eterno femenino. Non manifestou elevados sentimentos acerca das mulheres (embora também non fosse misóxino, ao contrário de Schopenhauer) e, quanto à instituiçón do matrimónio, non tivo grandes ilusóns ou expectativas: em xeral, qualificaba as relaçóns sentimentais como “patolóxicas”, o que resulta exacto de um ponto de vista etimolóxico e até pode conter boa parte de verdade empírica, mas non parece a actitude mais adequada para assumir o compromisso de unha relaçón séria. Esteve duas vezes a ponto de contrair matrimónio, mas ambas as ocasións se frustraram, sem que saibamos muito bem se foi devido a ter pensado demasiado, ou muito pouco. O certo é que das duas vezes, depois de um pré-acordo claro, Kant adiou “sine die” a confirmaçón definitiva, demasiado absorto nas suas tarefas filosóficas, e as duas hipotécticas senhoras Kant terminarom por ser categóricas no seu despeito: unha casou com outro home. a outra foi viver para outra cidade. Encontramo-nos a um mundo de distância, como se vê, das desventuras amorosas do xovem Werther, que muito cedo habería de impor a norma passional na Alemanha. É duvidoso se Kant tería mostrado mais entusiasmo perante um zulu, um esquimó ou o citado Werther. Os hábitos, o sedentarismo e a independência, permitiam a Kant concentrar-se nas suas investigaçóns filosóficas, complementadas com a sua funçón docente e com os seus cargos de xestón na direcçón da universidade. A sua entrega ao trabalho foi intensa e satisfactória, em consonância com a sua concepçón de liberdade, como obediência a normas autoimpostas. Non podemos esquecer que, desde 1770, ano em que se costuma situar o início da sua elaboraçón da filosofia crítica, até 1796, continuou a dar aulas na universidade, em contacto diário com xente xovem, que se entusiasmaba com o seu vigor e a sua xenerosidade intelectuais, e que o seu maxistério non se limitou, nesse quarto de século, á filosofia abstracta (como se poderia pensar lendo a “Crítica da Razón Pura”), mas estendeu-se também a disciplinas de conteúdo tán concreto como a antropoloxia e a xeografía física. Nos seus cinco últimos anos foi perdendo a visón e as faculdades mentais, um processo dexenerativo que viveu com impotência e amargura. Morreu a 12 de Febreiro de 1804, com setenta e nove anos. No seu funeral, hoube unha assistência massiva de concidadáns de Königsberg, que o consideravam o seu habitante mais exemplar, e de grandes personalidades do pensamento e da política, que o instituíam xá como o marco iluminado que non deixou de o ser nos dous séculos posteriores.

JOAN SOLÉ