Arquivos diarios: 29/05/2021

KUHN (AS CRISES RESOLVEM-SE COM UNHA REVOLUÇÓN BREVE)

Pois bem, esta visón tán característica da filosofia clássica da ciência, quanto à identidade das teorías (quer dizer, acerca de que tipo de entidades som), as suas relaçóns com a experiência e as suas eventuais relaçóns com outras teorias, é precisamente o que Kuhn pôn em causa. Nega pura e simplesmente as três teses clássicas que acabamos de expor: a) unha teoria científica non é simplesmente um conxunto axiomático de princípios; b) a sua relaçón com a experiência é de natureza muito diferente da que os filósofos clássicos da ciência supónhem, tanto “positivistas lóxicos” como “popperianos”; c) quando unha teoria considerada “melhor” sucede a outra mais antiga, a relaçón entre ambas non é de reduçón no sentido que descrebemos, mas de “incomensurabilidade” (de que falaremos mais adiante). Segundo Kuhn, o motor da dinâmica científica non é nem a induçón (como acreditam Carnap e os seus seguidores), nem a deduçón (como defendem os popperianos). De facto, non existe apenas unha forma de dinámica científica, mas duas, e nem unha nem outra correspondem aos modelos “inductivistas” ou “falsificacionistas”. Através dos seus estudos históricos, Kuhn detecta dous tipos de fases completamente diferentes na evoluçón de unha disciplina científica: por um lado, períodos que descrebe como de “ciência normal” e, por outro, períodos que classifica como de “ciência revolucionária” (para sermos exactos, deveríamos acrescentar, embora Kuhn nunca o tenha dito de forma explícita, um terceiro tipo de período entre os dous anteriores, unha fase mista e confusa de “crise”. Os períodos de “ciência normal” nunha determinada disciplina som, em xeral, bastante mais longos que as épocas revolucionárias. Veriamos alguns exemplos históricos de períodos de “ciência normal”: o desenvolvimento da “astronomia ptolemaica” (mais correctamente denominada “astronomia xeocêntrica”) desde o século V a. C. até meados do século XV (uns 2000 anos); o desenvolvimento da “mecânica newtoniana” desde finais do século XVII até começos do século XX (mais de duzentos anos); a “química daltoniana” durante todo o século XIX (cem anos); o desenvolvimento da “xenética” inadequadamente chamada “mendeliana” desde princípios do século XX até meados da década de 1950 (mais de meio século). Em contrapartida, as revoluçóns científicas costuman ter lugar em lápsos relactivamente breves (como acontece também com as revoluçóns políticas): além do caso singular da revoluçón “copernicana”, ou sexa, “heliocêntrica” (que foi abrindo caminho ao longo de século e meio), exemplos preeminentes de revoluçóns científicas, como a construçón da nova mecânica por Newton, o descobrimento do “processo de oxidaçón” por Lavoisier ou a concepçón das “teorias da relactividade” por Einstein, correspondem a fases revolucionárias comparativamente breves, xá que se estendem por apenas alguns anos. O esquema da revoluçón de unha disciplina científica segundo Kuhn é, pois, esquematicamente o seguinte a partir do momento em que a disciplina em questón se consolida como disciplina verdadeiramente científica (e non como um mero conglomerado heteróclito de especulaçóns dispares), desenvolve-se durante um longo período de “ciência normal”, o qual num determinado momento, vai derivar nunha crise, que se resolve por unha revoluçón, à qual sucede um novo período de “ciência normal”, que em algum momento também entrará em crise, dando lugar a outra revoluçón, e assim sucessivamente. De um ponto de vista epistemolóxico xeral, o importante é verificar que os conteúdos da “ciência normal” e da “ciência revolucionária” som completamente diferentes. Vexamos em que consistem uns e outros.

C. ULISES MOULINES

LITERATURA CLÁSSICA GREGA (TEOGNIS)

Teognis é um dos poucos poetas gregos (e o único da era arcaica) cuxa obra nos chegou, non nunha pequena selecçón realizada por antoloxistas, non em fragmentos citados por autores posteriores ou em trozos de papiro, senón como um corpo completo conservado a través da Antiguidade tardía e durante o período bizantino. Desgraçadamente, este corpo é mais do que completo: temos demasiado. O texto conservado nos manuscritos medievais compom-se de uns 600 “dísticos elexíacos”; um manuscrito, o mais antigo e melhor, acumula outro centenar baixo o epígrafe de “Libro segundo”. Os versos están escritos em sequência ininterrompida, mas non existe estructura xeral, non há continuidade lóxica que se mantenha muito tempo. Polo contrário, encontra-mos a cada passo câmbios de tema abruptos, assím como de suxeito e inclúso de destinatário. Están lonxe de ser pouco comúns a repetiçón – verbal e temática- , a incoherência e a contradiçón franca. Resulta difícil evitar concluir que nos enfrentamos a unha colecçón miscelânea de poemas elexíacos. a maioría muito curtos, alguns incompletos; está claro que non som todos da mesma mán, polo feito de que muitas séries curtas de versos encontradas em Teognis, están noutros lugares atribuídas de maneira firme a Solón, Mimnermo e Tirteo. Non sabemos quanto mais da obra destes poetas fica por reconhecer no “corpus de Teognis”, posto que non temos fragmentos das suas obras; nunca saberemos, tampouco, quantos poétas mais, hoxe anónimos, forom levados a engrossar a mostra. O chamado libro segundo toca o mesmo tema em toda a sua extensón – o “amor efébico” -; compôm-se de unha série de unidades curtas (um ou dous dísticos na maioría dos casos), muitas das quais começam com “rapaz”… Mas o resto da miscelânea contem artículos tán diversos, como breves invocaçóns às divindades (Apolo, Ártemis e as Musas), poemas dirixidos por Teognis a Cirno, filho de Polipante , com outros extendidos polo resto de poemas, dirixidos a outros homes (Simónides e Onomácrito por exemplo), que bem podem ser as personáxes bem conhecidas, mencionadas em outros lugares, mas que também podem non sê-lo), exhortaçóns gnómicas morais de um carácter xeral, por non dizer banal, e cançóns de bebedores do tipo de moda entre os parrandistas dos banquetes aristocráticos. Parece como se unha colecçón orixinal de poemas de Teognis, dirixidos a Cirno, um home muito mais xovem, houbera medrado durante o curso de muitos anos de transmisón, até ao seu presente formato e tamanho, por adicçón de material paralelo (e em contraste), talvez também polo procedimento de extraçón. Non sabemos em que momento exacto se fixo a antoloxía na sua forma actual. Os poetas cuxa obra podemos identificar como (Solón, Mimnermo, Tirteo), som todos anteriores ao século V, e, até onde podemos afirmá-lo, os poétas do século V que utilizarom o “dístico elexíaco” (Ión de Quíos, Simónides, Critias) non están representados. O acontecimento histórico mais tardío que se menciona é a invasón persa da Grecia no 480 a. C.; os versos 773-82, som um eloquente chamamento a Apolo para que salve Megara, refére-se claramente a um perigo presente, non alonxado, e também lamentam a desunión dos gregos frente ao invasor.

P. E. EASTERLING E B. M. W. KNOX (EDS.)