
No seminário de Althusser, estaba assim em xogo um assunto muito importante. Assentavam-se as bases para separar a obra de Marx das filosofias da história, começando pola mais importante delas, a do próprio Hegel. É certo que a tradiçón marxista também distinguira Marx dessas filosofias, mas tinha-o feito com unha pretensón bastante patética: se Marx non era um filósofo, era por ser “algo mais” do que um filósofo, um cientista. A teoria da história de Marx tinha supostamente a peculiaridade de ser científica. Mas, no fundo, aceitava-se que a problemática era a mesma: unha ciência da história, unha teoria xeral do acontecer histórico. O seminário de Althusser mudou por completo esta situaçón, afastando Marx das filosofias da história e aproximando-o, por certo, daquilo a que na época se chamaba “estructuralismo”. O que era o estru cturalismo e o que significa a perspectiva estructuralista relactivamente à leitura de Marx? É difícil resumir aqui, em poucas páxinas, um tema tán complexo, mas vamos tentar proporcionar ao leitor algunhas ideias básicas. Foi Claude Lévi-Strauss, com a sua “Antropoloxia Estructural”, que, em 1958, deu o pontapé de saída do movimento estructuralista. Polo seu lado, explicaba que tinha tomado consciência de ser estructuralista ao travar amizade com o linguista Roman Jakobson e entrar assim em contacto com o universo da linguística herdeira de Ferdinand de Saussure. Antes de xulgar as implicaçóns filosóficas que deram orixem a todo o alvoroço “estructuralista” é preciso, de facto, entender claramente que o impulso orixinário proveio da pretensón de introduzir unha sensatez a que se pudesse chamar “científica” – ou mesmo “matemática” – no universo das ciências humanas ou, se se quiser, naquilo a que Althusser tinha chamado o “continente história” em contraposiçón ao domínio próprio das ciências naturais. E o facto do qual se partiu dificilmente pode ser posto em causa: só no terreno da linguística estructural, e em concreto da fonoloxia, as ciências humanas encontraram um caminho científico seguro. Pode explicitar-se facilmente o motivo; o obxecto de que se ocupa o linguista, ao contrário do que parece acontecer – polo menos à primeira vista – no resto do território das ciências humanas, non depende da consciência nem da vontade dos suxeitos sociais, neste caso implicados enquanto falantes. Ao falarmos, nom temos consciência das leis sintácticas e morfolóxicas da língua. A indagaçón científica, por isso, non introduz, neste caso, qualquer modificaçón assinalábel no obxecto estudado, que é, neste sentido, completamente independente do observador. Por outro lado, a linguística estructural tinha mostrado que as unidades linguísticas se definiam exclusivamente polas suas relaçóns com outras unidades do mesmo plano, de modo que podiam ser consideradas como um conxunto “sistemático”, “A língua é um sistema que apenas conhece a sua própria ordem”, tinha declarado Saussure: “Unha comparaçón com o xogo de xadrez fá-lo-á compreender melhor. Aqui é relactivamente fácil distinguir o que é externo daquilo que é interno: o facto de ter passado da Pérsia para a Europa é de ordem externa; é interno, polo contrário, tudo o que concerne ao sistema e às regras. Substituíram-se as peças de madeira por peças de marfim, a mudança é indiferente para o sistema; mas se se aumentar ou diminuir o número das peças, tal mudança afecta profundamente a “gramática” do xogo.” (Saussure, Curso de Linguística Xeral)
CARLOS FERNÁNDEZ LIRIA
