Arquivos diarios: 24/01/2021

ARENDT (CRÍTICA DA FACULDADE DO XUÍZO)

O pensar está relacionado com a acçón, ou é unha actividade que só se exerce nunha espécie de afastamento do mundo, no ideal de um filósofo isolado no seu pensamento e desvinculado do resto da humanidade? Quais som os efeitos políticos do pensar? E quais som as consequências da sua ausência no mundo em que vivemos? Muitas destas questóns tinham ficado no ar após as suas reflexóns sobre Eichmann e o mal, e o seu obxectivo era analisar se o que se designara por “a vida contemplativa” (própria do filósofo solitário) era também unha vida política, como parecia inferir tanto dos casos de Heidegger como de Sócrates, embora em sentido oposto. As perguntas passaram a ser como pensar e axuizar sobre o que está bem ou mal, sobre o xusto e o inxusto, até nas condiçóns mais adversas, por exemplo, através do isolamento dos indivíduos nas sociedades de massas ou sob o xugo opressor de um rexime totalitário. A questón da responsabilidade do indivíduo, do cidadán, para evitar o mal foi um dos temas importantes neste contexto. Pensar e axuizar non som, portanto, tarefa exclusiva dos filósofos, mas polo contrário, capacidades fundamentais da cidadania, unha cidadania que pensa, xulga e axe. Em contrapartida, a ausência de pensamento e de exercício do xuízo leva-nos a situaçóns de inibiçón moral perante o sofrimento alheio, e ao aparecimento do mal banal, sem motivos. As fontes das quais Arendt se alimentou nesse caminho foram, mais unha vez, a filosofia alemán, e mais concretamente a “Crítica da Faculdade do Xuízo”, de Kant, obra em que consideraba que podíamos encontrar unha explicaçón da capacidade de xulgar como faculdade política do cidadán, ou sexa, do indivíduo em sociedade que se desenvolve num mundo comum partilhado com outros. Arendt non acabou a terceira parte de “A Vida do Espírito”, dedicada à análise da faculdade do xuízo em Kant.

CRISTINA SÁNCHEZ

GRAN HOTEL DO BALNEÁRIO (MERCAR UNHAS RUINAS)

Mercaria vostede quatro pedras em ruina por 80 milhóns de pesetas só por têlas? A bom seguro que nón, por mais que diversos estamentos lhes oferecessem cartos, para que depois de mercadas puidéra arranxálas e convertílas, doutra volta, num Gran Hotel do Balneário? Vostede poderá non facelo, mas há xente que sim. Por exemplo, o senhor Xosé Castro, alcalde quase perpéctuo de Pontareas. Sábe-se que nunha visita do director xeral de actividades turísticas senhor Etxevarri (debe ser este o nome correcto, por mais que escrebo de memória), home do governo central, que vinha ver o que se podia fazer com o queimado estabelecimento, para recuperar a sua importância mundial. O senhor Castro andou ao quite (quite toureiro onde os haxa) e afirmou que o Concelho por el gobernado estaria disposto a pagar 75 milhóns de pesetas para recuperar a industria, sempre e quando o goberno central puxéra os cartos (dalgúm xeito) para restaurar o monumento, que está totalmente queimado. O senhor Etxevarri voltou para Madrid, no convencimento de pôr-se a trabalhar no assunto e aos poucos meses, muito poucos, xá non estaba no cargo (cousas da política). Mas, Castro tinha que seguir adiante com o proxecto. Estaba “empenhado”. E continuou, claro, mas vamos contar o que passou, que non som poucos os anos que demorou este assunto. A campana da igrexa a isso da unha da noite, mentras o povo todo disfrutaba dunha xantarada pagada polas àguas milagreiras, comezou com badaladas enérxicas, raibosas, rápidas a anunciar o que passaba. A essa hora, todo o mundo ficou surpreendido. ¿Que passa? Éra a pergunta. Daló, da banda debaixo, via-se sair um fumo mouro, presáxio de mal agoiro, foi o começo do fim da história. Todo o povo correu cara ao Gran Hotel, nenos, mulheres, homes, velhos, todos… todos com caldeiros na mán, que àgua sobraba. Aqueles minutos, forom suficiêntes para que algúns cairam na conta de que non habia nada que fazer: aquilo era a morte do Gran Hotel do Balneário. A escada, fermosa escada, única no mundo, fixo de tiro do lûme que começou polo faiado. De arriba para baixo, as madeiras nobres, castanho, carbalho, pinho-tea, iam sendo arrassadas; quadros dos melhores pintores, móveis antigos, artísticos, únicos; tapiçarias, cortinas, panos, prata, ouro… tudo quedou reducido a nada. No parque da entrada, todos os setecentos habitantes do Concelho, ou mais, ou menos. ¿Que mais dá? Gritabam, que habia que entrar e salvar algo que puidesse ser retirado do lûme antes que este chegara abaixo, à pranta da entrada. Alguns, entrarom, e salvarom algúm quadro (pensasse) e também um fermoso piano de cauda (o piano, supôm-se, que estará na casa dos donos, mas nunca mais se ouvíu falar dele). Caiam caldeiros d’agua, mas, para nada valiam. Os bombeiros de Pontareas, tardarom meia hora em chegar, estando a oito quilómetros de distância (pola estrada de Pías). Trinta minutos, que se houbéra unha bomba, que puidera sacar àgua do rio, o resultado sería bem diferênte. Botou três dias a arder, muxíca a muxíca no ar, até que só ficarom as pedras das paredes. Esqueleto, inmorredouro, do passado explêndor. Se o poeta americano falára de “explendor na herba”, em Mondariz habia “explendor na àgua”…

XOSE CURRAS (PUBLICADO NA PENEIRA ANO I – 1984)