Arquivos diarios: 18/01/2021

BERGSON (UNHA NATUREZA COMPLEXA E OBSCURA)

Bergson doutora-se em 1888 com dous trabalhos. O primeiro é um brilhante estudo em latim sobre a física de Aristóteles, mais concretamente sobre a forma como este elude os paradoxos de Zenón para forxar a sua concepçón do lugar. Apesar da sua limitada difusón, meio século depois foi qualificado polo eminente historiador da filosofía Victor Goldschmidt como “unha das interpretaçóns mais comprehensivas que se consagraram a Aristóteles”. O segundo é a sua primeira grande obra publicada, o ambicioso “Ensaio sobre os Dados Imediatos da Consciência” (1889). Nele se propón, em primeiro lugar, refutar a puxante psicofísica alemán de Gustav Fechner, que pretendia medir os estados de consciência (especialmente as sensaçóns) atribuindo-lhes unha intensidade numérica. Bergson argumenta que, por mais que um estado interno se prolongue nunha expressón corpórea, permanece diferente dela e refractário ao número. Em segundo lugar, oferece unha profunda crítica, xá clássica, às teorías britânicas da escolha racional e reivindica a natureza complexa e obscura (mas non irracional) dos actos verdadeiramente libres, que se preparam durante muito tempo na nossa duraçón de consciência e que non som obxecto de um simples cálculo de interesses. Após o seu doutoramento, começa a trabalhar no conhecido liceu Henri-IV de Paris, onde lecionará até 1898. Como docente, Bergson caracteriza-se por desenvolver unha visón pessoal da pedagoxía. Farto de professores conformistas que contaxiávam de desânimo os melhores estudantes, tenta aplicar-se ao máximo em manter o rigor das explicaçóns. “O princípio do nosso sistema educativo é o de que é necessário tratar todos os estudantes e inclusive todo discípulo, como se houvesse nele matéria de mêstre.”

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

LITERATURA CASTELÁN (16)

O DESCUBRIMENTO DAS “JARCHAS” ROMÂNCES

Até há poucos anos, as testemunhas dos historiadores árabes citados sobre o carácter da estrofa zejelesca e da inclusón nela de vozes ou frases românces populares tinham encontrado tán só unha solitária e mínima confirmaçón: o zéjel número 82 do Cancioneiro de Abén Guzmán, única colecçón de zéjeles manexábeis, no qual se encontra um verso enteiro românce, pertencente sem dúvida a unha “albada” mozárabe, “por onde vemos – afirma Menéndez Pidal – que o xénero literário da albada era popular entre os cristáns da Andalucia, meio século antes de que se escrebessem as primeiras albadas provençais hoxe conservadas, as quais pertencem a finais do século XII. A proba era importante, mas manifestamente escasa, e todos os esforços dos investigadores para ampliá-la tinham fracassado. Mas em 1948 o hebraísta S. M. Stern deu a conhecer unha sensacional descoberta: vinte moaxajas hebreas, imitadas em tudo das árabes, e provistas de versos finais em fala românce muito arcaica; estes versos finais, forom os que se denominarom “jarchas”. Pouco despois o mesmo Stern deu a conhecer unha moaxaja árabe com a sua correspondente “jarcha” romance. O mais antigo poeta daquelas moaxajas hebreas, Yósef el Escriba, pertênce à primeira metade do século XI; outros, como Mosé ben Ezra e Judá Ha-Leví, à segunda metade do século XI e começos do XII. Ao menos a composiçón de Yósef el Escriba supôm-se escríta antes de 1042. “Se fora assi – afirma Dámaso Alonso -, trataría-se non só do texto poético mais antigo -com muito- em romance espanhol (anterior um século à data atribuída por Pidal ao Poema do Cid), senon -também com muito- do mais antigo texto lírico da Romania e da Europa: enormemente anterior ao primeiro trovador provenzal, Guillermo de Poitiers”. Comprende-se, pois, o valor, verdadeiramente sensacional, do descubrimento destas moaxajas, que venhem a confirmar plenamente as teorías de Ribera, logo defendidas por Menéndez Pidal: “así – afirma este sábio investigador -, o estado latente da primitiva lírica peninsular, perdeu de golpe dous séculos”. Dous séculos que talvés podem ampliar-se mais. No referido comentário sobre o descubrimento de Stern, e ampliando ideias deste, Dámaso Alonso puntualiza o feito de que os versos das “jarchas” estabam tomados de poesías populares em românce, e que estes versos formabam a base métrica e musical sobre a que se construía a moaxaja. “Tudo fai pensar – afirma – que esta lírica das jarÿas foi o ponto de nascimento das “muwassahas” e non viceversa. Y vislumbram-se entón profundidades cronolóxicas, verdadeiramente alucinantes. Xuntando logo: “Digámos dunha véz: que o centro de atençón debe desprazar-se do zéjel para o vilhancico. Estes exemplos de vilhancicos mozárabes do século XII, postos ao lado de toda a tradiçón castelán tardía, probam perfeitamente que o núcleo lírico popular da tradiçón peninsular é unha breve e sinxéla estrofa: um vilhancico. Nel está a essência lírica intensificada: é el a matéria preciosa. Sobre el pode formar-se unha “muwassaha” ou um “zéjel” árabe no século XI ou XII, unha glosa zejelesca em castelán no século XIV ou no XV, ou unha nova glosa no XVII. El é precisamente o que dá unha prodixiosa unidade à poesía tradicional castelán.

J. L. ALBORG