Arquivos diarios: 12/01/2021

ESPINOSA (AS PRETENSÓNS DO RACIONALISMO)

Paradoxo da inactualidade actual: O seu sistema e a sua linguáxem, que pareceriam irremediavelmente ancorados nunha etapa do pensamento terminada, continuam a atrair os contemporâneos. Non supera e, ao mesmo tempo supera “o teste de Hume-Kant”. É preciso explicar esta questón de forma breve (e mais extensamente noutra secçón do libro). Na Europa do século XVII, existiu unha corrente filosófica dominante, o racionalismo, que baseou toda a sua estructura em princípios conceptuais abstractos à maneira da matemática, uns conceitos que, segundo os pressupostos racionalistas, non requeriam a experiência do mundo real para confirmar a sua validade e fiabilidade, ou só a requeriam secundariamente. Estes conceitos, permitiriam atinxir um conhecimento incontestábel, correcto e necessário sobre o mundo e o seu sentido final. Espinosa pertence totalmente ao racionalismo e é, segundo muitos, a sua máxima expressón, o pensador que mais exclusivamente confiou tudo à razón. O escéptico escoçês David Hume rexeitou, de forma conclusiva, no século XVIII, as pretensóns do racionalismo, e, poucos anos depois, Immanuel Kant confirmou-as ao mostrar que non se podia obter nenhum conhecimento sólido sem o fundamentar na experiência e nos dados dos sentidos. Kant é decisivo na história do pensamento. Como um marco fundamental, estabelece um antes e um depois: o criticismo kantiano transforma em história do pensamento quase tudo o que há antes dele, que deixa de ser pensamento vivo e actual, útil para a vida, e fica reduzido a um episódio no desenvolvimento da filosofia. É preciso referir que o pior que pode acontecer a unha doutrina filosófica, quanto à sua credibilidade, é ter sido formulada antes de Kant. E aquilo que tem um pior resultado no exame crítico kantiano é a metafísica racionalista. Perante o que foi dito (que, de acordo com o referido, será devidamente exposto em próximas páxinas) poderíamos supor que Espinosa permaneceu como um simples e ultrapassado pensador racionalista do século XVII, com interesse apenas para os historiadores da disciplina, ou sexa, como unha relíquia ou um vestíxio arqueolóxico no vasto xazigo das ideias mortas. Isso non é verdade. Inspirou escritores e poetas. O espinosismo continuou aberto para pensadores rigorosamente filosóficos e de índole muito diversa. O muito britânico (no sentido de detentor do proverbial “common sense” e relutante aos voos metafísicos) Bertrand Russel escreber: “Espinosa é o mais nobre e o mais admirábel dos grandes filósofos. Intelectualmente, alguns podem tê-lo ultrapassado, mas quanto à ética ocupa o lugar mais elevado” (História da Filosofia Ocidental).

JOAN SOLÉ