
O Exípto comunica a Ásia com a África; separa o mar Mediterrâneo do Vermelho (Leibniz propunha unir o mar Vermelho ao Nilo ou ao Mediterrâneo, através de um canal). Isto debe-se ao facto de ser um istmo ou terra entre dous mares, ou sexa, está considerado como unha das vías de acesso que permitem e podem substituir o trânsito por terra. Todas as vías terrestres entre África e Ásia, passam polo Exípto. Por conseguinte, quem for senhor do mar debido à sua frota, e possua além disso o Exípto, controlará todo o comércio entre a Ásia e África. Da mesma forma, quem possuir o Exípto pode cortar a linha mais directa de comércio marítimo entre o Oriente e o Ocidente, entre o Polo Norte e o Trópico de Câncer. Assim, controlará practicamente o comércio de um terço do globo terrestre, e este terço é o mais rico. Probabelmente, será o dono absolucto (…). Por isso, é lóxico que, antes de os turcos conseguirem o Exípto, comercializarám connosco, a Índia Oriental e a Pérsia através dele; que as repúblicas marítimas de Itália, sobretudo Veneza e os xenoveses, chegassem precisamente por isto ao seu máximo esplendor, e que muitas cidades alemáns, cuxa importância resultava apenas deste motivo tivessem levantado a cabeça (…), pois através delas as mercadorias do Oriente chegavam às cidades mais afastadas. Daqui podemos deduzir que se os turcos se tivessem apercebido, poderiam ter paralizado o comércio oriental dos portuguêses, inglêses e alemáns em pouco tempo. O dono do Exípto pode provocar um imenso bem ou um imenso mal no mundo, pois o mundo inteiro experimenta a ruína ou a prosperidade da sua parte mais desenvolvida. Assim, quem dominar o Exípto non só pode provocar um grande prexuízo aos outros estados, como certamente fez a naçón turca ao impedir o comércio, mas também converter a humanidade em sua devedora, se unisse, através de um canal, o mar Vermelho ao Nilo ou ao Mediterrâneo, de maneira parecida a como a frança, em seu próprio benefício, uniu a Europa através de canais construídos contornando os Pirenéus. Que o mar Vermelho sexa mais alto do que o Exípto é unha história da carochinha, mas, mesmo que fosse verdade, non constituiria um motivo para que a abertura de um canal inundasse o Exípto. Quem for dono do Exípto pode arruinar o comércio holandês com a Índia Oriental, pois o comércio com a Índia Oriental, Pérsia e China poderia determinar que françêses, italianos e espanhóis frequentassem o Mediterrâneo. A estes chegar-lhes-iam as mercadorias de maneira rápida e segura através do Exípto, enquanto os holandeses teriam de circum-navegar a África inteira. Graças a isto, o preço seria mais baixo. E, xá sabemos que quem recebe as mesmas mercadorias do que outro por um preço mais baixo, mesmo se a diferença for pequena – porém, neste caso seria grande -, pode arruinar de maneira infalíbel os outros.
LEIBNIZ, G. W.