
George Steiner descreveu com muita plasticidade algo que é comum a todas as situaçóns hermenêuticas (ou sexa, practicamente a todas as situaçóns da vida humana), embora aplicando-o ao momento especial da leitura de um texto relevante. Quando, por fim, nos distanciamos do frenesim quotidiano para nos concentrar-mos num libro, realizamos um acto de unha intimidade e solemnidade extraordinárias. É absurdo que, se estivermos a comer e nos chamarem ao telefone, demos a desculpa da nossa ocupaçón para non fazer caso à chamada, mas, em contrapartida, se nos surpreenderem a ler deixamos sempre o libro de lado, como se estivéssemos precisamente desocupados, nada mais do que “nos entretendo”, e atendemos o telefone. Deveria ser completamente ao contrário! Ao ler, preciso de actualizar, de algunha maneira, toda a memória da minha vida e fundi-la, com o significado do texto. Ou ele ou eu temos razón; ou ele ou eu expressamos melhor ou pior o estado de espírito que unha verdade requer. É pouco probábel que um grande libro coincida a tal ponto com o sentido global da nossa vida que nenhunha parte del nos questione; e, entón, começa um debate importantíssimo, parecido ao encontro com Sócrates na praça de Atenas. Aqui só é possíbel que haxa um vencedor ou que os dous saiamos derrotados (nesse caso, sou eu, mas non o texto, que non responde a unha segunda pergunta minha, que vislumbra unha terceira possibilidade). Non é possíbel mais dramatismo a non ser o de unhas horas de leitura (ou, melhor ainda, de diálogo vivo), visto que o resultado provavelmente será a morte de unha zona de mim próprio e o nascimento de outra.
MIGUEL GARCÍA-BARÓ