Arquivos diarios: 09/01/2021

LITERATURA CLÁSSICA LATINA (15)

Os Annais non podem ter sido um poema imperialista como o foi a Eneida. Ennio morreu dous anos antes da derrota de Filipo de Macedónia em Pídna no 167 a. C.; a sua vida adulta non abarcou suficientemente o conxunto deste período de cinquenta e três anos, durante o qual Roma passou da obscuridade para potência mundial. Como Políbio observaba no inicio da sua História, escrita em Roma na xeraçón seguinte, este era um dos feitos mais notábeis na História. Xá Políbio consideraba esta época como unha idade heroica. Ennio escrebeu os seus Annais despois de guerras que tinham orixinado câmbios mais rápidos do que era cómodo ou incluso compreenssíbel para os romanos: ninguém no 202 a. C. podería haber predecido ou esperado os extraordinários êxitos que Roma viveu no 188 a. C. Non era a intençón ou a política do Senado criar novas províncias ou adquerir compromisos fora da Italia e estaba todavia lonxe de ser evidente durante os anos em que Ennio escrebía os Annais, qual sería a relaçón precisa de Roma com as outras grandes potências. O ponto de vista de Ennio sobre a história era moral, individualista e aristocrático: a “virtus” era tudo; a seguridade do bem comum, dependia da “virtus” individual; e “noblesse oblige”… Ennio admiraba a Roma como Políbio. E o êxito do seu poema foi inmediato e notábel. Se nos conta, que se recitaba em público pouco tempo despois da sua morte, igual que os rapsôdas recitabam a Homero. “Ennius, um poeta egrêgio, de extraordinário inxénio. Oxalá o tivéramos completo (é dizer, os Annais) e tivéramos perdido a Lucano, Estácio, Silio Itálico “et tous ces garçóns-là”… ainda que algunhas vezes cheira a alho, tem um espírito extraordinário”. Sem desexar ningúm mal a estes escritores, podemos estar de acordo com Escalígero em que a pérda dos Annais de Ennio foi a mais lamentábel de toda a literatura latina. Em 184/3 a. C. Catón foi elexido nunha época em que, na opinión dos seus partidários, “Roma desliza-se cara à sua caída” e foi el quem “salvou o estado com as suas sábias medidas”, como se afirma na base de unha estátua de Catón erixida mais tarde no templo de Salus. A composiçón dos Annais pertence à década do 170 a. C. e è improbábel que Ennio começara antes de finais dos oitenta. Retrospectivamente, a censura de Catón quedou como um “exemplum” moral memorábel, que podía vêr-se como fronteira entre o final e o começo de unha época da história de Roma. Habia ahí um final apropriado para o poema, privada e publicamente. Non obstânte, só retrospectivamente podía vêr-se a censura do novo Licurgo como crítica. Difícilmente podería escapar à atençón dos contemporâneos que Catón chegou a ser censor mil anos despois da caída de Troia. Pode supôr-se que o Pitagórico Ennio e outros adivinhabam nisto algum significado, e que o poema de Ennio cubría exactamente este milénio. Se o culto das Musas foi inaugurado oficialmente ó redor do 184 a. C., como parece probábel, há outra conclusón tanto pessoal como pública para a épica que proclamaba a Roma membro pleno e igual do mundo helenístico. Ennio podía assim honrar aos grandes homes que o tinham axudado na sua carreira, apesar das suas diverxências políticas. Estas especulaçóns – posto que é tudo o que som – em torno do libro, suscitam, ao menos, importantes questóns sobre a unidade, composiçón e publicaçón da obra. Lucilio refêre-se à Ilíada e aos Annais como exemplos de “poesis” (poesía), como opostas a “poemata” (libros), como o de Lucilio. Cada um tem um tema e unha forma. Non obstânte há unha diferênça óbvia entre o poema que trata das consequências da “cólera de Aquiles” em unhas quantas semanas e o poema que se estende ao largo de mil anos, e tem muitos heróis.

E. J. KENNEY E W. V. CLAUSEN (EDS.)

HANS-GEORG GADAMER (SITUAÇÓNS HERMENÊUTICAS)

George Steiner descreveu com muita plasticidade algo que é comum a todas as situaçóns hermenêuticas (ou sexa, practicamente a todas as situaçóns da vida humana), embora aplicando-o ao momento especial da leitura de um texto relevante. Quando, por fim, nos distanciamos do frenesim quotidiano para nos concentrar-mos num libro, realizamos um acto de unha intimidade e solemnidade extraordinárias. É absurdo que, se estivermos a comer e nos chamarem ao telefone, demos a desculpa da nossa ocupaçón para non fazer caso à chamada, mas, em contrapartida, se nos surpreenderem a ler deixamos sempre o libro de lado, como se estivéssemos precisamente desocupados, nada mais do que “nos entretendo”, e atendemos o telefone. Deveria ser completamente ao contrário! Ao ler, preciso de actualizar, de algunha maneira, toda a memória da minha vida e fundi-la, com o significado do texto. Ou ele ou eu temos razón; ou ele ou eu expressamos melhor ou pior o estado de espírito que unha verdade requer. É pouco probábel que um grande libro coincida a tal ponto com o sentido global da nossa vida que nenhunha parte del nos questione; e, entón, começa um debate importantíssimo, parecido ao encontro com Sócrates na praça de Atenas. Aqui só é possíbel que haxa um vencedor ou que os dous saiamos derrotados (nesse caso, sou eu, mas non o texto, que non responde a unha segunda pergunta minha, que vislumbra unha terceira possibilidade). Non é possíbel mais dramatismo a non ser o de unhas horas de leitura (ou, melhor ainda, de diálogo vivo), visto que o resultado provavelmente será a morte de unha zona de mim próprio e o nascimento de outra.

MIGUEL GARCÍA-BARÓ