
Constatando que, para a maioria das pessoas, o mel é doce como o som certas frutas, o observador começará a “raciocinar”, procurará analoxías entre o primeiro e as segundas. Descubrirá, talvez, um elemento comum entre os componentes do mel e os da uva madura, estenderá esta inspeçón à pera ou ao figo, efectuará unha xeneralizaçón, e, como resultado de tudo isso, concluirá que aquilo que produz no paladar o sentimento de doçura corresponde a unha “propriedade obxectiva” do mel, propriedade que, por causa da sua carência, o ictérico se vê na impossibilidade de perceber. Entón, tudo resolvido? Non tán depressa. Se atentarmos no processo, na sua totalidade, vemos que se assistiu simplesmente a unha mudança de testemunho. O nosso home efectuou um “raciocínio”, isto é, deu a prioridade à sua capacidade de inteleçón em detrimento da sua capacidade sensorial. É, finalmente, o intelecto que atribuíu às cousas traços característicos, susceptíbeis ou non de serem captados pola nossa capacidade sensorial. Temos aqui o embrión que, ao longo da história do pensamento, se conheceu como a “actitude racionalista”, que consiste xeralmente em formar unha imaxem do mundo na qual o entendimento é quem lexisla (atençón! Lexislar pressupón que haxa outro, non se trata, pois, de dizer que há apenas conceitos). Esta imaxem pode ou non ter a característica particular de se encontrar matematizada (os pitagóricos seram os representantes paradigmáticos de tal tendência), mas, em qualquer caso, representa unha diminuiçón do peso dos sentidos, polo menos no que ao conhecimento se refere, pois é difícil pôr em causa a preeminência dos sentidos tratando-se do comércio quotidiano com a natureza e, desde logo, tratando-se do prazer ou da dor. O combate “sentidos-intelecto” apresenta-se como consequência de que, no próprio caminho traçado polos pensadores xónicos, a interrogaçón sobre o ser das cousas naturais dê lugar a unha interrogaçón que abarca também a questón do ser de razón, o ser do home. E, nesse momento, de unha reflexón que é o embrión da ciência, estamos a passar a unha reflexón que será a infância da filosofia. Podemos afirmar, pois, que as perguntas filosóficas surxem de unha inquietude sobre as respostas científicas. Mas, para abordar este assunto, debemos começar polo princípio, e polo aspecto positivo deste princípio, essa confiança “de que a natureza é cognoscíbel”, que leva a avançar hipóteses sobre o elemento (àgua, ar, etc…) que se escondería por trás das aparências. Só depois voltaremos ao postulado do carácter neutro do conhecimento mostrando, com maior detalhe, as enormes implicaçóns desse facto.
VÍCTOR GÓMEZ PIN