Arquivos diarios: 17/12/2020

HEIDEGGER (AVENTURA ONTOLÓXICA)

O leitor que se aproximasse de “Ser e Tempo” teria de esquecer a aura enganosa da palabra “ser”, elevada na tradiçón como conceito fundamental. O significado filosófico teria de voltar ao seu sentido mais elementar: “ser” é apenas o nome para se referir a cada cousa e non a um conceito. Na verdade, mesmo antes de se definir por um significado, por “cousa” debería entender-se simplesmente “o que é”, e que é o primeiro, o que propriamente delimita unha “cousa” face a qualquer outra: nem sequer a um escudo face a unha espada, mas ao escudo cantado por Homero, quando se encontra no braço de Aquiles ou abandonado nunha esquina da sua tenda, ou até mesmo ao escudo de mísseis apontados a um obxectivo determinado. Na verdade, essa manifestaçón sempre distinta é o fenómeno em cada caso ou, o que é o mesmo, a “cousa”. Por isso, faz sentido falar de um ser universal (substância) e de um nome comum (substantivo), ao qual podemos chamar “ente”, que corresponderia a unha multiplicidade de cousas diversas (“escudo”, “espada”) e que também pretende significar “o que é”? Se fizer, virá sempre depois – recordemos aqui o sentido do irrelevante “antes” – e articular-se-á como algo derivado, a partir daquela “cousa” singular. Sobre o “ente” há, deste modo, unha ambiguidade orixinal: por um lado, constitui esse comum; por outro, na expressón ressoa, sem cessar, o eco daquilo que simplesmente é na sua irrelevância, a “cousa”, que tem lugar no momento exacto em que non reparamos nela, porque quando o fazemos, tal como vimos, se apresenta de outra forma. Imaxinemos os zapatos que trazemos calçados e que, certamente, nos passaram desapercebidos até este momento. Poder-se-ia dizer que o seu ser nada tem a ver com o significado “zapato” e que para nós carece de significado, na medida em que, simplesmente, os trazemos calçados. No entanto, esta situaçón mudará no momento em que, por diferentes motivos, por exemplo, porque se estragam em plena rua, me apertem o pé ou non sexam os adequados para a chuva que acabou de começar a cair, se me apresentam através de outro prisma. Dessa maneira, os zapatos convertem-se noutra “cousa”: nessa nova situaçón, por exemplo, se están estragados, penso neles noutra perspectiva, unha perspectiva que os torna precisamente inúteis para continuarem a ser usados. Os meus zapatos passam a ser assunto do zapateiro, que é quem sabe de zapatos e de como consertá-los. Assím, quem simplesmente calça zapatos, non sabe de zapatos, e quem sabe – o zapateiro ou desenhador de zapatos – non anda, polo menos enquanto exercita o seu saber. Qualquer outro exemplo (a camisa que tenho vestida; o copo que aproximo dos meus lábios para beber, mas no qual só penso como copo quando se parte; o eléctrico em que entro sem parar para pensar no seu funcionamento nem na rede de transportes municipais, excepto quando é interrompida) serviria para ilustrar esta divisón: as cousas “som” precisamente quando non as questionamos, e passam a ser outra cousa, quando, por algúm motivo, interrompemos a nossa relaçón e nos vemos obrigados a reparar nelas. Essa divisón reitera a ambígua questón do ser, xá antes referida. Agora poderíamos completá-la assim: a ontoloxia torna as cousas o seu tema central, mas ao fazê-lo interrompe o seu curso, o seu ser. A ontoloxia começa como interrupçón do ser, como a operaçón que situa as cousas noutro estracto, exactamente naquele em que o seu limite (o seu uso) non é suficiente para diferenciá-las e aparece unha determinaçón acrescida: o seu significado. Agora, o limite deixa de ser o seu para se transformar no que a própria tematizaçón impón. A partir dessa tematizaçón, as cousas podem ser reconhecidas como “entes” e, de passaxem, como conceitos e ideias.

ARTURO LEYTE

LITERATURA CASTELÁN (15)

Um poeta de Córdoba, Abén Guzmán, que viveu a finais do século XI e inícios do XII, compuxo um Cancioneiro, que logrou chegar até aos nossos dias e que foi publicado por Nykl, graças ao qual podemos conhecer à perfeiçón este xénero de poesía, tal como se cantaba naquela época entre as xentes de Al-Andalus. Julíán Ribera e Nykl suponhem que o mencionado “zéjel” àrabe-andaluz, e com el numerosos elementos da ideoloxía amorosa a que servia de vehículo, influírom nos começos da poesía provênçal, e sobre tudo no primeiro dos trovadores conhecidos da referida escola, Guilhermo de Aquitânia. À semelhança de quanto afirmamos no capítulo anterior a propósito das oríxens e difusón da poesía épica, non podemos imaxinar-nos tampouco que o pobo se sentira interessado pola lírica, como unha pura forma literária. A poesía era entón simplesmente – como para infinitas xentes o é ainda hoxe – a letra das suas cançóns, e só considerando-a baixo este aspecto pode ser entendida. Pensamos primeiro que, à falta de outras diversóns, o pobo daquelas épocas debeu sentir a necessidade do canto e da danza como meio irrenunciábel de esparcimento; agora mesmo, nos nossos dias, sobre tudo em certos meios populares e em especial entre as xentes andaluzas, como alívio do tédio ou do trabalho salta unha cançón, e ela só é um motivo de festa. Todavía mais: a poesía, letra de um cantar, brota instintiva e inevitabelmente em circunstâncias inumerábeis da vida; inspirada na ociosidade dos quarteis ou dos campamentos, as festas cívicas ou relixiosas, a solidón do campo ou das suas taréfas, a presença ou a nostalxía do ser amado, o gozo dunha victória, a alegría repousada ou báquica, as romarías, as guardas, a ronda nocturna. A poesía assím entendida, inunda a vida toda, brota em lábios de qualquer como expresón espontânea, cada vez que se acende unha chispa de emoçón e forma um caudal inesgotábel de sentimento lírico popular. Se a épica, como vimos, necessitou para seu vehículo de difusón os “Xograres”, non cabe negar que estes forom também parte muito importante para criar e difundir a lírica (como elemento que era de diversón monopolizado por eles), mas acreditamos que em proporçón infinitamente menor; Qualquer podía inventar ou repetir em infinitas circunstâncias a letra de unha copla. De aquí a existência de um imenso substracto de lírica popular, tradicionalmente conservada e incesantemente renovada, que é necessário supor ainda que faltem os textos que no-lo mostrem. Assim o afirma Menéndez Pidal ao soster para a lírica as mesmas ideias da teoría tradicionalista, que tinha defendido para a épica: “Há que pensar – escrebia num dos seus primeiros trabalhos sobre a lírica castelán – que todo xénero literário que non sexa unha mera importaçón extranha, surxe de um fundo nacional, cultivado popularmente antes de ser tratado polos mais cultos… A indíxena popular está sempre como base de toda a produçón literária de um país, como o terreno onde toda raíz se nutre, e do qual se alimentam as mais exóticas semêntes que a el se levem. A subtileza de um estudo penetrante atopará o popular quase sempre, ainda no fundo das obras de arte mais pessoais e refinadas.”

J. L. ALBORG