HUME (CONFISSÓNS)

Aparentemente, Rousseau e Hume non considerabam que tivessem nada para falar a nível filosófico e, na sua correspondência cruzada, non há diálogo no terreno das ideias, mas se Rousseau necessitaba de proteçón e apoio, Hume estaba disposto a oferecer-lhos. Há xá algúm tempo que Rousseau era perseguido e acossado (em 1762, o Parlamento de Paris tinha ordenado que a sua obra “Emilio” fosse rasgada e queimada e o seu autor, preso), e via-se obrigado a deslocar-se continuamente de um lugar para outro e a viver nunha espécie de exílio permanente. Neste contexto, Hume ofereceu-se para o acompanhar à Gran-Bretanha e aí se ocupar do seu bem-estar. Terríbel erro, posto que, após o entusiasmo inicial, Rousseau chegou a ver esta empresa como unha tentativa de desprestixiá-lo, submetê-lo a cautiveiro e, a unhas quantas maldades mais de concreçón duvidosa. As suas cartas acusatórias, a defesa de Hume sobre a sua inocência, a recepçón de toda esta polémica nos círculos parisienses, os comentários dos xornais daquela altura… Podemos imaxinar o escândalo entre os membros da república das letras. É compreensíbel que Hume – inquieto polo medo de como iria ficar retratado para a posteridade e pola forma como aparecería toda esta história nas “Confissóns” de Rousseau, unha pluma indubitabelmente brilhante – se sentisse compelido a dar a conhecer ao público a sua visón das cousas. Olhando em perspectiva, o triste é que non tivessem comentado as suas respectivas obras filosóficas, porque as similitudes em algúns aspectos e as enormes diferênças noutros teriam feito da comparaçón das suas opinións e da sua respectiva crítica filosófica algo que tería sido magnífico.

GERARDO LÓPEZ SASTRE

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