Arquivos diarios: 11/12/2020

ARISTÓTELES (SENTÊNÇA POR IMPIEDADE)

No ano de 323 a. C., produzem-se dous factos destacados na história de Atenas: as mortes de Alexandre Magno e de Demóstenes, o máximo axitador dos atenienses contra os macedónios. As duas mortes marcaram o início de um ressurximento do sentimento antimacedónico na cidade, do qual Aristóteles xá tinha sido víctima algum tempo antes. Nessa ocasión, as sensaçóns negativas concretizaram-se nunha “sentênça por impiedade”, um “delito” que consistia em non respeitar os ritos e as divindades da “polis”, algo muito grave naquela época, polo qual xá tinha sido condenado Sócrates, três quartos de século antes. Aristóteles tinha recebido a acusaçón a causa de um himno que escrevera na honra de Hérmias, o seu amigo e anfitrión durante a sua estada em Assos. No himno em questón, Aristóteles falaba do amigo practicamente como de um deus e isso foi, por certo, considerado polos seus inimigos como unha falta de respeito polas autênticas divindades, digna de ser castigada. Mas Aristóteles, ao contrário de Sócrates, non ficou à espera de ver o que lhe acontecia. Por isso, deixou o Liceu nas máns do seu velho amigo Teofrasto e foi-se embora de Atenas pola segunda e última vez, non sem antes deixar, segundo dizem, esta pérola: “Non permitirei que Atenas peque duas vezes contra a filosofia”, em clara alusón à morte de Sócrates. Se para Sócrates “é melhor sofrer unha inxustiça do que cometê-la”, talvez Aristóteles pensasse que ainda era melhor evitá-la. Tinha sessenta e um anos e é concebível pensar que começaba a sentir-se cansado de ir de um lado para o outro. Tinha abandonado Atenas duas vezes: a primeira, após a morte do seu mestre, Platón, e a segunda, após a onda de ódio aos macedónios que a morte do seu discípulo Alexandre Magno tinha desencadeado. Desta vez, o seu destino foi Cálcis, na ilha de Eubeia, de onde a sua nái era orixinária e onde Aristóteles ainda conservaba algunhas posses. Ali morreu ao fim de uns messes, no ano 322 a. C., aparentemente por causa da doênça de estômago que sofria há muito tempo, talvez a mesma que o levaba a passear de modo regular polo Perípato. Antes de falecer, redixiu um extenso testamento com minuciosas instrucçóns para todos os assuntos económicos e familiares, com o qual demonstrou, pola última vez, o seu carácter práctico e realista, tán aristotélico.

P. RUIZ TRUJILLO