
Com o exemplo que usámos, corremos o risco de non fazer xustiça ao pensamento de Sócrates. Com efeito, polo que sabemos dele por diversas fontes, Sócrates non manifestou um interesse desmedido em saber o que fazia com que unha mesa fosse unha mesa (isso é mais platónico), mas antes de chegar a conhecer os “universais morais”. E a descoberta desse universal debe ser o obxecto fundamental da filosofia e o conteúdo da autêntica sabedoria. Esse é precisamente o segundo grande contributo de Sócrates, que fai com que toda a filosofia anterior a ele tenha passado à história sob a designaçón de “pré-socrática”. Com efeito, até enton, os filósofos tinham focado a sua atençón de forma prioritária no estudo da realidade exterior: porque mudam os obxectos da nossa experiência e a água se transforma em xelo ou em vapor? O que é o real, entón? A àgua, o xelo, o vapor ou algo diferente? O que é o cosmos e o universo? É-nos quase espontâneo procurar regularidades no mundo exterior e chegar à ideia de que a diversidade dos obxectos da nossa experiência pode ser agrupada em conceitos que a definem, pensar que atrás das mesas particulares debe haber unha definiçón do que é unha mesa, e que só podemos empregar o termo com propriedade na vida quotidiana se a conhecermos. Como desde crianças vamos adquirindo conceitos practicamente sem dar por isso, afigura-se-nos difícil entender a problemática equoacionada, razón pola qual unha situaçón teórica pode axudar-nos a espelhá-la com maior clareza. Imaxinemos que queremos aprender unha língua da qual nada sabemos, por exemplo, inglês. Se non conhecer o significado exacto da palabra “table” (e o que a diferença de unha “chair” ou de unha “toothbrush”) é mais que probábel que acabe por utilizá-la de forma arbitrária, aplicando-a em circunstâncias em que non se usa, com o risco que pode implicar o ter de lavar os dentes com unha mesa de xantar.
E. A. DAL MASCHIO