Arquivos diarios: 29/11/2020

A FILOSOFIA MEDIEVAL (A MATRIZ GREGA)

Os filósofos medievais no seu conxunto, tanto islâmicos como cristáns e xudeus, bebem de unha fonte comum, a filosofia grega. Non se trata de unha mera cópia ou repetiçón, pois nesse caso non falariamos de pensamento filosófico, mas da base de que partem e das ferramentas conceptuais que usam serem de matriz grega. O primeiro a influir na patrística foi Platón. A metafísica platónica baseada na teoria das Formas ou Ideias que constituiem a verdadeira realidade, das quais as cousas do mundo que nos rodeia som unha cópia, a sua conseguinte distinçón entre conhecimento das Formas e opinión das cousas, e as suas derivaçóns antropolóxicas (divisón tripartita da alma, eternidade da alma racional) tiveram um bom acolhimento entre os primeiros teólogos cristáns. O idealismo metafísico e o dualismo platónicos permitiam ser reelaborados mais facilmente segundo unha leitura relixiosa do que o naturalismo de Aristóteles ou o materialismo de Demócrito. O Timeu, com o seu demiurgo que ordena o caos preexistente no universo, e A República, em que as três clásses sociais (governantes, guerreiros e artesáns) estructuram o seu Estado ideal, som dous diálogos centrais na recepçón medieval do platonismo. Outra corrente filosófica relevante no medievo foi o neoplatonismo, que dominou o pensamento helénico desde meados do século III. Surxiu em Alexandria e consolidou-se com o pensador exípcio Plotino (205-270). Nas Enéadas, encontra-se condensada a sua doutrina cuxos elementos principais resumimos em seguida. Todas as cousas se reduzem a unha única causa, o Uno, infinito, ilimitado e que está além do pensamento. Por emanaçón ou irradiaçón deste primeiro princípio surxe o “Nous”, ou “Intelixência”, que contém os modelos ou arquétipos das cousas senssíbeis. E deste procede a alma do mundo, que contém um duplo aspecto, um que olha para o mundo intelixíbel e outro mais próximo do mundo natural. Há, pois, unha descida na perfeiçón dos seres até chegar no seu gráu ínfimo à matéria, onde a luz se dilui por entre as trevas. Mas existe também um caminho de regresso: através de um afastamento do corpo, da práctica do asceptismo e do exercício das virtudes, a alma pode chegar a contemplar o “Nous” e ser inundada pola luz divina no êxtase místico.

ANDRÉS MARTÍNEZ LORCA