Arquivos diarios: 30/10/2020

ANTÓN PÁVLOVICH CHÉJOV (O HOME ENFUNDADO)

Outro exemplo está constituído polo “home enfundado”, cuxo protagonista, o profesor de grego Bélikov, leva todos os seus obxectos pessoais, desde o chapeu de chuva ao relóxio, metidos em fundas. A personaxe traslada essa manía para a vida diária. Xamais traspasa o que disponhem as instrucçóns e circulares oficiais. Assim, com as suas dúbidas, receios e formalismos, acaba por envolver nunha atmôsfera asfixiante toda a escola onde trabalha e à cidade enteira. Chéjov reproduce a asfixia que caracterizaba a vida quotidiana da Russia de entón. Em “A groselha espinhosa “, aproveita a ocasión para polemizar com Tolstoi. Um relato deste “Quanta terra necessita um home?”, apresenta a um campesino ao que, por idêntico preço, lhe venden unha superfície de terra compreendida no perímetro que logre recorrer de sol a sol. Levado polo desexo de abarcar o mais possíbel, cai morto ao final do recorrido. A sua tumba mede três varas de terra. No relato de Chéjov, o narrador conta a história do seu irmán, que passou toda a vida sonhando com unha finca para cultivar “groselhas próprias non compradas”. Ó final vê materializado o seu sonho. Entón o narrador saca unha licçón moral, oposta à de Tolstoi: “Afirma-se que o home non necessita mais de três varas de terra. Mas as três varas necessita-as um cadáver, non um home. O home necessita, non três varas, non unha parcela, senón o mundo enteiro, toda a natureza, onde poida ofertar sem ataduras todos os rasgos e peculiaridades que som próprios do seu libre albedrío”.

RBA EDITORES, S. A. – BARCELONA

DESCARTES (O “TEATRO DO MUNDO”

Descartes foi um exemplo do êxito indiscutível dos métodos pedagóxicos Xesuítas. Apesar das recorrentes queixas contra a formaçón “libresca” que aparecem no “Discurso do Método” (“parecia-me non ter colhido algum proveito durante os estudos a non ser o de ter descoberto, pouco a pouco, a minha ignorância”), amou sinceramente a sua escola. Disso dá testemunho a sua afirmaçón, perante um conhecido que lhe pedia conselho, de que “em nenhum outro lugar da Terra se ensina filosofia melhor do que em La Flèche”, ou que o centro atraía “muitos xovens de todos os recantos de França que forman unha grande mistura e, conversando com eles, aprende-se tanto como se muito tivéssemos viaxado”. Também eloxia “a igualdade que mantenhem os xesuítas entre eles ao tratar quase da mesma maneira quem tem elevada linhaxem e quem é de baixo nascimento”, para terminar concedendo que “dado que a filosofia é a chave das restantes ciências, é extremamente útil estudar todo o seu currículo tal como é ensinado nas instituiçóns xesuítas, antes de nos elevarmos acima do pedantismo para nos tornarmos sábios de um modo acertado”. Na verdade, hoube unha tendência para interpretar erradamente a crítica de Descartes às “letras”: mais do que menosprezar a sua formaçón, refere o facto de que a melhor teoria non exime da necessidade de “sair dos libros”, e pede para completar a sua educaçón com algo que nem a melhor escola podia proporcionar-lhe: o contacto com o “mundo”. Esta actitude anuncia xá unha revoluçón intelectual, comum a muitos descontentes com a Igrexa, pois desloca o foco do interesse científico da biblioteca (onde estamos à mercê da autoridade tutelar) para o “teatro do mundo” (onde nos debemos valer do nosso bom senso). O xovem saiu da La Flèche com dezasseis anos e aos vinte licenciou-se em Direito em Poitiers, embora entretanto também tenha exercido as funçóns de aprendiz de médico na aldeia do seu pai. Os biógrafos non están de acordo sobre se durante esses anos se dedicou apenas a estudar ou se usufruiu das diversóns de Paris (alimentando assím a popular lenda do Descartes bohémio e mulhereiro, que se bateu em duelo por unha dama). A única certeza é que a partir desse momento, xá licenciado, decide alistar-se no exército. E é aqui onde começam os mistérios.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO