Arquivos diarios: 18/10/2020

¡QUE NADA SE SABE! (39)

Xá ouviste a opinión dos filósofos. Mas sabes que, segundo a fé, o contrário é totalmente verdadeiro: que o mundo non só foi criado, senón que hade ter também fím, ao menos segundo as qualidades que agora tem. Porque non será aniquilado, conforme aquilo do profecta real: “E os cambiarás como se muda unha manta, e serán cambiados, etc…”. Isto, na verdade, sabe-se por revelaçón, non por razoamento humano, pois isto último nem sequer é possíbel. De ahí que o divino lexislador Moisés, inspirado polo sopro divino, começe divinamente a sua divina história pola criaçón do mundo, totalmente ao contrário de como o fixo Plinio. Por isto, algunha disculpa tem a opinión dos filósofos, mas non a obstinaçón em non acreditar e a contumácia contra a fé. Mas, voltando ao nosso tema. Há também outra causa da nossa ignorancia: a entidade de algunhas cousas é tán grande que em modo algum pode ser percibida por nós; a este xénero pertencem o infinito dos filósofos – se é que isso sexa algo – e o nosso Deus, do qual non cabe medida algunha, nem limíte, nem, em consequência, comprehensón algunha por parte da nossa mente. E non sem motivo, porque debe existir unha proporçón certa entre quem compreende e o comprehendido, de tal maneira que o que comprehende é maior que o comprehendido ou sequer igual (ainda que isto, a saber, que o igual compreenda a outra cousa igual, parece que dificilmente pode acontecer, como veremos no tratado “De loco”; mas, concedámo-lo agora). Agora bem: non há proporçón algunha entre nós e Deus, ó igual que non a há entre o finito e o infinito, nem entre o corruptíbel e o eterno; ao fím de contas, em comparaçóm com el, somos mais bem nada que algo. Por esta mesma razón. El conhece-o todo, posto que é maior, superior e mais alto que todas as cousas, ou, melhor dito, non vai parecer que o comparo com as criaturas, el é o máximo, o supremo, o altíssimo. As cousas que están mais perto deste supremo artífice som também, pola mesma razón, desconhecidas para nós.

FRANCISCO SÁNCHEZ