AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (107)

DA SANGRÍA

Quatro cousas há que observar (segundo Avicena) a respeito da sangría. A saber: o tempo, a idade, a costûme, a fortaleza do suxeito paciente. Mais adiante afirma o próprio Avicena, que se terám em conta duas horas para a sangría: A hora da eleiçón e a hora da necessidade. A hora da eleiçón, conveniente para sangrar, tem de ser unha hora quente, que vem a ser despois de bem saído o sol, xá com a dixestón feita e acabada e despois de expedidas as superfluidades. Para esta hora electiva, som boas e necesárias as advertências dos doutores e sábios astrólogos. Em quanto à hora da necessidade, vem dictada pola urxência, e pode ser: por unha fêbre muito aguda; unha esquinência; um frenesí; unha apoplexía; ou outras doênças semelhantes, as quais non admitem prórrogas nem consideraçóns astronómicas, porque estas enfermedades podem acabar com a vida dos homes num instânte. Tendo em conta a hora da eleiçón, e de acordo com as regras dos peritos médicos no tocante à idade e tempo, afirmamos com Ptolomeu (in conviloquio, verbo 20), que é cousa perigosa e temerária sangrar estando a Lua no signo predominante. Para os coléricos é de muito proveito a sangría que se faga estando a Lua em signos àqueos como som: Carangexo, Piscis, e Scorpio durante os últimos quince gráus. Para os flemáticos, será de grande utilidade a sangría feita estando a Lua em signos cálidos (excepto Leo) como som Aries e Saxitário. Aos melancólicos combém sangrar quando a Lua estiver baixo signos àqueos (excepto Xéminis) como som Libra e Aquário. E finalmente os sanguíneos, que se podem sangrar em qualquer signo em que estexa a Lua, guardadas as regras da medicina e advertências astronómicas. As ventosas, podem ser aplicadas baixo qualquer signo no que estexa a Lua (excepto em Tauro) a causa disto vem a ser, por passar parte deste signo por certas estrelas que som da natureza da morte.

MANUEL CALVIÑO SOUTO

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