
Por outro lado, há temas científicos que xá esíxem um forte compromisso existencial, por assim dizer, a quem pretende compreendê-los o mais obxectivamente possíbel. Um assunto de psiquiatria ou de psicoloxia só pode ser, obxectivamente, entendido de maneira suficiente por quem tiver vivido unha série complexa de experiências que lhe permitam unha complicada e sempre arriscada analoxia com o que tenta compreender. Quem non odiou verdadeiramente, non necessitará de odiar para entender as sequelas anímicas do ódio ou as suas causas, mas se for um anxo, no máximo poderá fazer um exame de semelhante tema sem ter chegado a compreender nada. Quem aqui compreende -ou melhor ainda, quem “entende” unha qualquer psicose grave- debe estar na estranha situaçón de ter vivido algo palidamente semelhante, mas encontrar-se agora completamente libre dessa vivência. Proxectará um salto analóxico em direçón a algunha mínima simpatia com o paciente psicótico, mas garante a sua compreensón do assunto quanto menos se transfira ele próprio para o domínio da doença (e, de facto, o seu cuidado do doente dependerá, para o seu êxito, também de que tenha existido, aqui, apenas um salto analóxico e non unha autêntica transferência, com a qual, por sua vez, o paciente saberia identificar-se em seguida, para obter o resultado de um reforço perverso da doença). Mas o mais interessante do diálogo reside seguramente no facto de ser impossíbel o que acabo de descreber se non houber, ao mesmo tempo, a consciência, por mais táctica que sexa, de que quem fala é, por sua vez, completamente dono do sentido que tenta comunicar-me. Dizer, como muitos hermeneutas destacam, é xá desdizer-se do dito. Digo-te isto e sei que o compreenderás à tua maneira, a partir das tuas “crenças” e das tuas “ideias”, a partir dos teus próprios proxectos e das tuas memórias pessoais; mas eu non tenho, sem dúvida, exactamente os mesmos proxectos e as mesmas memórias – no máximo, as mesmas crenças, sem as quais talvez non entrasse em diálogo contigo. Eu entendo o que digo à minha maneira, e esta é a mais autêntica compreensón do que deixo dito. Dizê-lo é sempre expressá-lo inadequadamente e estar a retirá-lo, estar como que a defender, mas sem grande convicçón, que están bem ditas as minhas palabras. Eu nunca posso expressar inteiramente o que quero dizer e o que sei, nem sequer quando estou a explicar um assunto de unha ciência exacta. Mas o significado das minhas palabras consta-nos, a ti e a mim, que está em meu poder. Exactamente por isto sabes “que me estás a ouvir”, que eu non sou um gravador, que esta é unha situaçón de diálogo real. Do meu lado, sei também que, unha vez dito o dito, o ser eu o seu dono fica imediatamente em dúvida em quem me compreende, porque só pode entendê-lo à sua maneira. E ambos sabemos que o compreendido por um e por outro “difere e sempre diferirá”. Quando entramos em diálogo, gostaríamos ambos de prolongá-lo indefinidamente, com base no desdizer quase com obsessón o que deixámos antes dito.
MIGUEL GARCÍA-BARÓ