
No entanto, os inimigos de Hegel non se encontram apenas entre os adversários do apriorísmo. Quando, há meio século, o hegelianismo tinha ilustres defensores em França e na Alemanha (neste caso, às vezes por contáxio do país vizinho), a filosofia conhecida sob a denominaçón algo reducionista de “positivismo lóxico”, mais ou menos inspirada no filósofo Rudolf Carnap, abdominaba qualquer discurso com pretensóns de conhecimento que non lutasse contra os equívocos da linguaxe natural, e que, obviamente (tratando-se de conhecer), podem dar lugar a confusóns. Consequentemente, era preciso repudiar o hegelianismo, pois, como veremos, a obra central do sistema de Hegel, a “Ciência da Lóxica”, lonxe de fuxir da equivocidade, faz dela a própria expressón do motor da razón, a sua engrenáxe intrínseca, que consiste em que tudo o que se afirma é chamado a diversificar-se, a opor-se a si próprio e, finalmente, a entrar em contradiçón. Se recuarmos no tempo, mesmo assumindo a paternidade hegeliana do seu “método dialéctico”, e contando a sua “Ciência da Lóxica” com fervorosos admiradores entre as suas fileiras (tal como Lenine), o marxismo punha a ênfase mais no carácter idealista da filosofia hegeliana e, consequentemente, proclamava a imperiosa necessidade de realizar unha inversón materialista que poria as cousas no seu debido lugar.
VÍCTOR GÓMEZ PIN