VOLTAIRE (“MOI, J’ÉCRIS POUR AGIR”)

Aos nove anos, Voltaire é admitido como aluno interno no liceu dos xesuítas Louis-le-Grand, de Paris, onde permanecerá durante sete anos. Aí recebe unha educaçón clássica, que tem como eixos principais o latim, um pouco de grego, literatura, história e conhecimentos básicos de matemática. Era um bom aluno, apesar de non ser muito aplicado, e revela rapidamente a sua extrema facilidade para versificar em françês. Nesse liceu, relacionar-se-á com o terceiro duque de Richelieu, com os irmáns Argenson, que viriam a ser, respectivamente, ministros da Guerra e dos Negócios Estranxeiros, e com o conde de Argental. De entre os seus docentes conservou unha agradábel lembranza do professor de retórica e sempre agradeceu a todos no seu conxunto por o terem feito interessar-se por culturas non europeias, dado que non eram poucos os missionários xesuítas que voltavam do Oriente e, particularmente, da China, com muita informaçón em primeira mán. Isto non seria incompatíbel com o provocador episódio difundido por alguns biógrafos, como, por exemplo, Max Gallo na biografía intitulada “Moi, j’écris pour agir”: Vie de Voltaire, segundo a qual, sentado à mesa de Alexander Pope e em frente tanto da nái do anfitrión como dos criados ali presentes, talvez com o provocador espírito de ganhar notoriedade, Voltaire teria exclamado inopinadamente: “Ah, esses malditos xesuítas! Quando era pequeno fum sodomizado e xamais poderei esquecer isso enquanto for vivo!”. A senhora da casa retirou-se logo e non puido ouvir como, de seguida, Voltaire evocaba com admiraçón as aulas de rectórica, o domínio do latim e da arte de versificar ou a familiaridade com o mundo greco-latino. Quem sabe se as duas cousas forom ditas sucessivamente naquele serán. A única cousa certa é que nunca tivo papas na boca e que nada lhe era mais alheio do que a hipocrisia, a non ser quando lhe convinha, dado que a sua impertinência e insolência só som comparáveis com um narcissismo que teve de cultivar para compensar o facto de ser tán adoentado e non muito bem-parecido na maturidade. Com doze anos, o seu padrinho, o irrelixioso abade de Châteauneuf, levou-o a visitar unha veterana e célebre cortesán xá quase nonaxenária, que ficou tán impressionada com o rapaz que lhe legou, ao morrer pouco tempo depois, dous mil francos para comprar libros. Por essa mesma época, o seu padrinho introduziu-o na “Sociedade do Templo”, composta por um grupo de libres-pensadores epicuristas e libertinos, entre os quais se encontravam o duque de Sully ou o duque de Vendôme, Grán-Prior dos cavaleiros de Xerusalém e neto ilexítimo de Henrique IV. Voltaire estaba à vontade nesse círculo e adquiriu rapidamente fama de enxenhoso.

ROBERTO R. ARAMAYO

Deixar un comentario