
Este ver unha verdade como verdade, rodeada pola glória da verdade, non pola glória de que muitos ou poucos nela acreditem, chama-se em latim filosófico “intuiçón” (bem sei que agora usamos a palabra practicamente no sentido oposto, mas o que é que se pode fazer?). E unha vez que vimos, quero dizer, “intuímos” a necessidade de tudo o que disse em nome de Husserl (na realidade, simplesmente em nome da filosofia), passemos a tentar “intuir” também os “fenómenos puros” que ficam como resíduo da abstençón filosófica. Eu, o libre autor deste salto para trás a que a chegada do misterioso me induziu de forma tán intensa, continuo a ser, evidentemente, o mesmo que era antes. Sou o mesmo na actitude filosófica e na actitude “natural”. O que me aconteceu foi que me deixei expor à força de unha certa “cousa em si mesma”, non de unha certa mera opinión ou unha mera aparência, e esta força como que pôs “entre parênteses”, “desconectou ou desligou” unha certa interpretaçón de mim mesmo e, ao trasladar-me para o campo da filosofia, compreendi que esta interpretaçón non era tán obrigatória como antes pensaba. Antes, de facto, nem sequer xulgava que fosse unha interpretaçón: xamais reflectira directamente sobre ela. Esta interpretaçón era algo como o chán básico, a terra firme de todas as minhas presumíveis verdades: o que mais se dá como garantido, com o que mais se conta e no que menos se pensa. Algo parecido ao que se diz que ocorre com os habitantes das casas edificadas ao lado de um ruído contínuo: que notam tudo menos esse ruído que lhes está mais próximo do que qualquer outra cousa. Esta tese da qual non me apercebia é que o “mundo é a totalidade do que há, e eu, unha parte minúscula dele”. A partir dela explicamos tudo de modo definitivo. Ela é como os óculos, ou melhor, como as lentes, melhor ainda, como o próprio olho, olho intérprete, com que tudo vemos. Melhor: é como as lentes que alguém nos pôs unha noite na infância, e non como o próprio olho. Visto que podemos abster-nos de as usar, non som o olho, mas unhas quase transparências quase coladas sobre o olho. Husserl defende, tal como os filósofos da antiguidade, que se unha pessoa non toma sobre si amorosamente o trabalho tremendo, mas magnífico, da “responsabilidade radical e infinita” pola verdade é porque prefere (por medo) unha certa passividade. Fica na inércia da “paixón” (isto é o que significa essa passividade) e non exercita o diálogo, o pensamento solitário, a meditaçón, a intuiçón (em suma, a “intelixência”. Falta-lhe amor, dirá um filósofo fenomenólogo de agora; sobexa-lhe medo, dirá um filósofo antigo.
MIGUEL GARCÍA-BARÓ