
Na sua História da Filosofia Ocidental, Bertrand Russel apresenta-nos um Hegel que, entre outras cousas, teria cometido o pecado de xá non se afastar do empirismo, mas sobretudo de pôr de lado (quando non, pura e simplesmente, desprezar) o bom senso, do qual todos participaríamos, segundo Descartes; um bom senso que o pensador françês valorizaba (provavelmente, menos do que poderia parecer inicialmente), mas que Hegel consideraba non apenas insuficiente, como, até mesmo, nocivo ao tratar-se de… filosofar, isto é, algo que esixe um esforço extenuante. Para Russell, além de obscuro Hegel seria quase o paradigma de unha espécie de “borracheira” conceptual que se entusiasma a si própria; um delírio constructivo que non tem qualquer enraizamento na “empiria”, de toda a confrontaçón real com os fenómenos e, consequentemente, nas antípodas da sóbria contençón que seria a marca da ciência. Segundo Russell, a denúncia non deixa no entanto de ser ambígua, quando escrebe que Hegel seria “o mais difícil de entender de entre os grandes filósofos”, embora certamente a obscuridade prevaleça sobre a grandeza. Russell parecia considerar como um período de adolescência filosófica os anos em que se poderia empatizar com a filosofia hegeliana.
VÍCTOR GÓMEZ PIN