VOLTAIRE (NASCIDO EM PARÍS, OU NOUTRO LUGAR?)

No que refere aos respectivos relatos autobiográficos, Voltaire e Rousseau, dous dos pensadores mais influentes da sua época, non deixaram de optar por caminhos muito diferentes em quase tudo, embora partilhassem muitas das suas metas e acabassem sepultados um em frente do outro no Panteón de París. A questón é que, enquanto Jean-Jacques Rousseau dedicou unha grande parte da sua produçón a falar sobre sí próprio em obras como Confissóns, Os Devaneios de um Caminhante Solitário e nos Diálogos intitulados Rousseau Juíz de Jean-Jacques, Voltaire, polo contrário, guarda a sete chaves os segredos da sua privacidade e quase nunca fala sobre a sua vida pessoal, a non ser para criar confusón, como fez, sem ir mais lonxe, com a sua data de nascimento. François-Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire, foi baptizado em París, na Igrexa de Saint-André-des-Arts, a 22 de Novembro de 1694. Esta certidón de baptismo é a única data fidedigna sobre a sua chegada a este mundo. Em princípio, teria nascido em París dous dias antes do baptizado, mas o próprio fez circular o rumor de que a sua nái teria dado à luz na casa de campo de Châtenay, a 20 de Febreiro desse mesmo ano. A sua fraxilidade parecia pressaxiar mais unha morte infantil, muito frequentes na época, como bem o atesta o facto de só dous dos seus quatro irmáns terem atinxido a idade adulta. Porém, a fráxil criança non faleceu e decidiram baptizá-la, mudando-lhe a data de nascimento, depois de terem tentado esconder o escândalo de unha gravidez fora do casamento… Voltaire conservaria sempre essa delicada saúde de ferro, até atinxir a idade de, nada mais nada menos 84 anos. Definitivamente, Voltaire acalentava a ideia de ser um bastardo e vangloriava-se de o seu pai poder ter sido um tal Rochebrune, porque a sua nái teria preferido um home talentoso que, além disso, era mosqueteiro, para se consolar da sua triste existência ao lado do notário com quem era casada e que deu o seu apellido a Voltaire. Este fantasiava com unha suposta bastardia que non deixará de impinxir a unha das suas personáxes mais emblemáticas, Cândido, inventando ainda o rumor sobre um hipotéctico proxenitor, da mesma forma que mais tarde criaria o seu próprio nome. Aquele que foi baptizado como François-Marie Arouet decidiu ser conhecido como Voltaire, que poderia ser um anagrama da aldeia de Airvault ou também unha contraçón de “volontaire”, ou sexa, de “voluntário” em françês, embora a hipótese mais plausíbel sexa que tal anagrama corresponda a Arouet le jeune, ou sexa, o xovem Arouet ou Arouet Jr., como seria chamado hoxe no mundo anglo-saxónico, com o qual se diferenciaba tanto do seu pai, como do seu ainda mais aborrecido irmán mais velho, sempre que troquemos o “u” por um “v” e o “j” por um “i”. A primeira vez que utilizou o anagrama foi nunha dedicatória dactada de 1719, onde assinava como Arouet de Voltaire.

ROBERTO R. ARAMAYO

Deixar un comentario