FADO (AS DÉCADAS DE 70 E 80)

Em 1977, Carlos do Carmo trouxe ao fado novos compositores como Victorino d’Almeida e editou o álbum “Um homem na cidade”, que se tornou um clássico da música portuguesa, integralmente com poemas de Ary dos Santos. Nos anos 70, o fado vive um período conturbado que non contribuiu para o aparecimento de novos fadistas. Carlos Zel foi das poucas excepçóns de sucesso neste período, apesar de se ter estreado nas ediçóns nos fins da década de 60, é na década de 70 que tem maior actividade discográfica, editando cinco discos. O seu irmán mais novo era o proeminente guitarrista Alcino Frazao que morreu, apenas com 27 anos, em 1988, num accidente de automóvel. Também Carlos Zel viria a falecer repentinamente em 2002, deixando um legado de 14 discos editados ao longo de unha carreira de 30 anos. O início dos anos 80 foram marcados artisticamente pola explosón do rock português, que absorvia influências anglo-saxónicas, num país que poucos anos antes tinha aberto as suas portas ao mundo com a revoluçón dos cravos. Contudo, assiste-se a unha reposiçón no mercado por parte das editoras, de alguns fonogramas fadistas e o fado recomeça gradualmente a integrar-se no seio popular, nomeadamente a partir dos fins de 80 com a chegada do Compact Disc. Poucos foram os fadistas que surxiram na década de 80, sendo excepçón Nuno da Câmara Pereira, que teve unha década editorial intensa chegando a obter um sucesso considerável. António Pinto Basto, que se tinha estreado nas ediçóns discográficas no início dos anos 70, só no fim da década de 80 obtém bastante sucesso ao assinar um contracto discográfico com a Polygram. A partir da década de 80, assiste-se também à aproximaçón de outros artistas, compositores e escritores de outras áreas ao fado, como Paulo de Carvalho, José Mário Branco, Rui Veloso, Carlos Tê, Sérgio Godinho, Joao Gil, Joao Monge, entre outros. Amália manteve unha actividade editorial regular e, apesar de se ter verificado algúm afastamento dos palcos potugueses nos anos anteriores, regressa na sua plenitude a 19 de Abril de 1985 para um espectáculo no Coliseu dos Recreios de Lisboa que viria a ser a sua consagraçón absolucta em Portugal. As décadas de 70 e 80 ficaram marcadas pela continuidade de Amália Rodrigues como a maior referência fadista e a ascensón de Carlos do Carmo a primeira figura do fado no masculino. No ano de 1987, os Madredeus fazem a sua estreia discográfica com “Os dias da Madredeus”, ficando a sua musicalidade erroneamente catalogada como fado, apesar de o grupo admitir alguma inspiraçón no xénero. Foi o grupo português com maior proxecçón internacional, que em muito contribuiu para unha maior abertura internacional à expressón musical portuguesa e em particular ao fado. Em 1986, Portugal é oficialmente pais membro da Comunidade Económica Europeia. A abertura das fronteiras veio contribuir para que esta fosse unha década de viraxem definitiva para novos mercados e também para novos fados.

FADO PORTUGAL

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