Arquivos mensuais: Xaneiro 2020

LITERATURA CLÁSSICA LATINA (4)

O elemento práctico principal na educaçón dos nenos romanos que estabam destinados à vida pública (como eram tradicionalmente todos os de boa família) consistia na declamaçón de discursos formais sobre temas específicos. Na Roma estes exercícios, puderom ser mais necessários na vida real, e a eleiçón de temas -legais e políticos mais contemporâneos- que a sua contrapartida grega. Durante o principado, e por razóns obvias, produziu-se um cambio dos temas realistas e contemporâneos para os bassados em premisas que partiam do improbábel para o francamente grotesco, passando pelo romântico. Alguns dos temas podem considerar-se derivados da literatura, especialmente da Comédia Nova, mais que da vida. A declamaçón, que começou como exercício meramente privado, converteu-se em seguida num espectáculo público, no que inclúso oradores destacados e proeminentes homes de negócio, non desdenhabam participar. Quintiliano recomenda a declamaçón como unha costûme práctica para o orador que xa estaba muito aperfeiçoado nésta arte e era celebrado nos tribunais, “consummatus ac iam in foro clarus”. Um exemplo notábel de practicante adulto foi o imperador Nerón. Dous tipos de exercícios estabam em boga: a “suasoria”, na que o orador apresenta a algúm pessoeiro famoso da história ou da fábula nunha situaçón difícil na sua própria actuaçón; e a “controvérsia”, na que os oradores argumentabam em favor de partes oposta de um caso, xeralmente de natureza legal ou quasi-legal. De ambos tipos, a “controvérsia” era mais popular em xeral, por ser directamente mais competitiva. Posto o ênfase na competiçón e nas premisas irreais dos argumentos, o propósito dos adeptos non era tanto convencer como assombrar o seu audictório. Para este fim empregabam todos os meios possíbeis: descripçóns vividas, xiros inesperados, paradoxas, agudezas, epigramas sentenciosos e extravagâncias emotivas do tipo mais extremo. Por encima de tudo apoiábam-se no que se conhecia técnicamente como “cores”: a manipulaçón enxenhosa, frequentemente até ó ponto de colocar cousas encima da cabeza, de palabras ou ideias, com obxecto de dar um carácter novo e inesperado aos dactos sobre o caso. Em tudo isto a probabilidade gozaba de escassa consideraçón; o propósito era menos persuadir que superar ó orador anterior. Tais eram as características da declamaçón. O perigo de que estes exercícios, pensados como subordinados aos fins prácticos da oratória, puderam converter-se num fím em sí mesmos, foi reconhecido bem pronto, e a literatura do século I d. C. abunda em críticas aos excessos e abusos das escolas. Mas a ideia de algunha forma alternativa de treino nunca se considerou sériamente; evidentemente é inamovíbel a crênça de Quintiliano no valor da declamaçón, quando estivéra bem controlada.

E. J. KENNEY E W. V. CLAUSEN (EDS.)

ESPINOSA (A ÉTICA À MANEIRA DOS XEÓMETRAS)

Paradoxo do fundo e da forma: Espinosa é actual polo que dí, non pola forma como o diz. “Espinosa é único entre os filósofos do século XVII. Ainda hoxe é possíbel perguntar-se seriamente se a sua filosofia, reformulada nos termos do século XX, é substancialmente correcta, quando parece impossíbel formular este pensamento em relaçón aos principais dos seus quase contemporâneos, Descartes e Leibniz. Contudo, a técnica filosófica moderna debe muito mais a estes dous, e practicamente nada a Espinosa”. Paradoxo da falta de estilo literário: A sua escrita, sóbria e austera, desprovista de qualquer ornamento literário (“liberto da metáfora e do mito”, segundo Borges), concebida para a mais obxectiva e impessoal transmissón de conteúdos abstractos, é para muitos leitores atraente como unha arquitectura transparente, tal como existe quem admire a beleza fria da matemática e a compare à da poesia e da música. Paradoxo da clareza com múltiplos sentidos: A Ética: demonstrada à maneira dos geómetras é o tratado filosófico que se apresenta com um maior rigor formal, composto como se fosse pura matemática, o que, segundo o autor, garante a passaxem unívoca de unhas premissas claras e distintas para unhas conclusóns necessárias. Mas, surpreendentemente, apesar do seu afán de precisón, esta Ética recebeu as mais diversas interpretaçóns: foi associada ao materialismo, ao ateísmo, ao panteísmo, ao espiritualismo, ao misticismo, ao idealismo. Paradoxo da perfeita imperfeiçón!

JOAN SOLÉ

CANCIONEIRO D’AJUDA (CXLII-CXLIII)

Pregoutou iohan garçia da mor

te de que morrea. e dixelleu toda vía.

A morte desto se mata. guiomar afonso

gata esta dona que me mata.

Pois que mouve preguntado

de que era tan coitado

dixelleu este recado

A morte desto xe mata.

Dixelleu ia vos digo

a coita que ei comigo

per boa fe meu amigo

A morte desto se mata.

(CXLIII)

Pois eu ora morto for. sei ben

ca dira mia sennor.

Eu soo guiomar afonso.

Pois souber mui ben ca morri.

por ela sei ca dira assi.

Eu soo guiomar afonso.

Pois que eu morrer fillara

enton osoquey xe dira

Eu soo guiomar afonso.

CANCIONEIRO D’AJUDA

LEIBNIZ (ENTRE A CIÊNCIA E A POLÍTICA)

Por outro lado, e para que Leibniz non se esquecesse dos seus estudos de teoloxia e filosofía, Boineburg pediu-lhe que compatibilizasse a preparaçón do proxecto polaco com a resposta a unha antiga carta que tinha recebido em 1665 do polaco Andrzej Wiszowaty – sociniano unitário e, portanto, herexe que critica o dogma da Trindade – e da qual se lembrou por este motivo. A resposta, intitulada Defesa da Trindade a partir de Novos Argumentos (Defensio Trinitatis per nova reperta logica), tem particular importância porque indica os pontos de fricçón fundamentais com os inimigos comuns do cristianismo e da relixión, nos quais estabam de acordo tanto o católico convertido Boineburg como o luterano Leibniz, ambos convencidos da importância da reunificaçón das igrexas na Alemanha. O período de estada em Mainz é, quanto ao resto, fundamental para desenvolver os interesses multidisciplinares de Leibniz, que participa activamente em todas as questóns acesas da época, quer sexam teolóxicas, científicas ou políticas, e também encontra tempo para escrever pequenos ensaios, ora sobre controvérsias relixiosas ou filosóficas, ora sobre problemas filolóxicos, históricos, físicos ou matemáticos. Além disso, encarrega-se de divulgar estas questóns através de unha rede crescente de correspondentes (mais de 1100 em dezasseis países diferentes, no final da sua vida) e, para maior repercussón na opinión pública, pede ao Kaiser autorizaçón para fundar unha revista científica. Tudo isso sem deixar de desenvolver a reforma xurídica e de trabalhar como advogado ao serviço da família Boineburg. É desta época a redaçón de Novas Hipóteses Físicas (Hypothesis physica nova), unha das suas obras mais importantes, que reveria um ano depois enquanto estaba imerso no seu estudo intensivo de Hobbes para a publicar anonimamente (com as iniciais G. G. L. L.) em 1671 e que, finalmente, daria a conhecer como sua na forma de dous ensaios complementares: Teoria do Movimento Concreto (Theoria motus concreti) e Teoria do Movimento Abstracto (Theoria motus abstracti), que dedicaria, respectivamente, à Royal Society de Londres e à Académie Royale des Sciences de París, nas quais quixo entrar como sócio. Leibniz distancia-se de Descartes e encontra inspiraçón para a explicaçón do movimento nesta obra precoce, na ideia do “conatus” (tendência, impulso) de Thomas Hobbes, e que Espinosa também adoptará na sua filosofia; unha ideia mecânica que Leibniz definirá, no entanto, como “começo do movimento”. Mas a maior orixinalidade de Leibniz neste ponto encontra-se, sem dúvida, no facto de ter considerado nas suas investigaçóns o problema do contínuo, um antigo problema na história da filosofia, que recua até aos paradoxos de Zenón: xá que se o contínuo é divissíbel até ao infinito, existiria realmente unha infinidade de partes, enquanto para Descartes o indefinido seria unha ideia sem correspondência com a realidade. A defesa do movimento contínuo significaba para Leibniz – contrariamente a Gassendi – que non era interrompido por intervalos de repouso, pois tudo o que se move dirixe o seu “conatus” total – cuxo efeito será a velocidade virtual – contra qualquer obstáculo até ao infinito. Ainda assim, todos estes paradoxos referentes aos indivissíbeis só se poderam resolver mais tarde graças à descoberta do cálculo infinitessimal.

CONCHA ROLDÁN