Arquivos mensuais: Xaneiro 2020

LITERATURA (VICENTE BLASCO IBÁÑEZ)

A melhor personaxe da fecunda obra de Vicente Blasco Ibáñez foi o próprio autor, xá que a sua vida pragada de aventuras e escândalos, triunfos e misérias, protagonismo descaradamente buscado e admiraçón sinceramente lograda. Blasco Ibáñez puidera ser o romancista espanhol mais próximo do naturalismo imposto em França por Zola, sobre tudo nas suas primeiras obras. Se Pardo Bazán foi a que melhor soubo comentar esta nova forma de fazer novelas, Blasco Ibáñez, com o seu indiscutibel poder descriptivo, a sua eficaz e arrebatadora prosa e unha imaxinaçón que non se detem ante os aspectos mais desagradábeis e efectístas da humana existência, consegue páxinas que se atenhem perfeitamente ós postulados naturalistas. Blasco Ibáñez escrebeu decenas de românces, libros de viaxes, contos e obras de carácter histórico nascidas das suas ideias revolucionárias. Detêndo-nos exclusivamente na sua labor novelistica, podemos aceitar, com os estudiosos do autor, três etapas na sua produçón. Em primeiro lugar, os românces de ambiente valenciano, que som também os mais logrados: Arroz y tartana, Flor de Mayo – com o mar de Levante, o mesmo mar de Sorolla, como protagonista -, Entre naranjos, para muitos a melhor obra do autor, ideolóxicamente equilibrada e com unha prosa cuidada, ainda que sem a brilhantez que afoga outras narrativas do romancista, e, sobre tudo, La barraca e Cañas y barro. A horta valenciana enmarca e em grande parte é protagonista dessas duas obras, e nela movem-se uns seres humanos com a brutalidade, o rencor e o ódio que conformam unha atmósfera que non se detêm senon ó borde mesmo da náusea. De Valencia passa Blasco Ibánez a outras cidades (Madrid, Toledo, Bilbao…) para oferecer-nos o que el mesmo denominou novelas de tendencia social e que resultam quase panfletárias, non só pola falta de obxectividade de que fán gala senón também pola escassa profundidade com que se desarrolham os conflictos e a falta de credibilidade dos alegatos das suas personaxens. Tal sucede com o inxénuo e torpe anticlericalismo de La Catedral, ou com o tôm demagóxico de La bodega. O terceiro grupo, em fím, está formado pelos românces ós que serve de fundo a primeira guerra mundial e que forom as que ensancharom o âmbito da sua fama, sobre tudo ó ser levadas para o cinêma, tál como aconteceu com Los cuatro jinetes del Apocalipsis… Tudo isto e muito mais logrou Blasco Ibáñez, o romancista que todavía está esperando a que os estudiosos se acerquem à sua obra a fim de resaltar os indiscutíbeis acertos que a excessiva frondossidade impedíu observar.

CAMILO JOSÉ CELA

ARENDT (EICHMANN EM JERUSALÉM)

Na década de 1950, Arendt xá era unha figura pública reconhecida no mundo intelectual americano, era convidada para dar aulas em universidades prestixiadas e colaborava com regularidade em revistas políticas e académicas. Recordemos que, no campo dos acontecimentos políticos, os Estados Unidos entravam na convulsa e obscura etapa do macarthismo, enquanto a Europa se dividia com a Cortina de Ferro, em especial com o levantamento húngaro contra os tanques russos em 1956. Este último acontecimento, sobre o qual Arendt escrebe em A Condiçón Humana, pareceu-lhe demonstrar que ainda era possíbel ter esperança na acçón política colectiva non governamental, no regresso da política a partir de baixo, a partir da acçón partilhada espontânea da cidadania contra o poder violento. No entanto, antes de a sua produçón teórica se centrar no exame da acçón política nas sociedades de massas actuais, o passado alemán voltou a estar mais presente que nunca, batendo á sua porta com o processo de Adolf Eichmann, em 1961. O resultado foi a sua obra mais controversa, Eichmann em Jerusalém. Este momento marcou sem dúvida, um ponto de viraxem na sua biografia, convertendo-a em “Arendt, a personaxem”, albo das mais duras polémicas e acusaçóns. Muito tempo teve de passar até que esse libro fora traduzido, por exemplo, para hebraico (em 2000), dado o pesado fardo da polémica que arrastaba. Mas também é verdade que a passaxem do tempo fez com que os seus leitores actuais, xá pertencentes a outra xeraçón, que non é a das testemunhas directas do extermínio, mas a dos seus netos, apreciem mais as ideias contidas no libro sobre a perpectraçón da violência em massa nas sociedades contemporâneas que a adequaçón ou non adequaçón da sua descripçón da personaxem histórica Eichmann. (…) Quais eram os aspectos mais controversos e polémicos do libro, que provocaram críticas duríssimas à sua pessoa, tanto académica como pessoalmente? Sem dúvida que o tom irónico de toda a obra non conseguiu estabelecer unha ligaçón com a sensibilidade dos leitores. Hannah non evitou nenhuma brecha pela qual a polémica se pudesse infiltrar. O público esperaba encontrar a representaçón do mal absolucto em Eichmann, unha espécie de Rasputín ou um psicopata, e o que Arendt lhes apresentou foi um homenzinho ridículo, vulgar, quase a roçar a inocência com a sua incapacidade de pensar. Um home assustadoramente normal, que nos devolvia a imaxem de um mal inserido na sociedade “normal”, nas nossas sociedades, um criminoso, portanto, inquietantemente próximo de nós.

CRISTINA SÁNCHEZ

LITERATURA CLÁSSICA GREGA (5)

Grande parte da literatura grega antiga, desvaneceu-se xá durante a Antiguidade mesma ou durante o curso da Idade Média; dela, unha parte reapareceu teatralmente nos achados de papíros, durante os últimos cem anos: Menandro, Baquílides, Calímaco, Hipérides, a Constituiçón de Atenas de Aristóteles. Mas nunca esteve em perigo de completo esquecimento ou de destrucçón, porque a continuidade da cultura da que dependía nunca se cortou totalmente, e non houbo um lápso xeral de barbarie. A fala foi um dos factores mais importantes nesta história de conservaçón. O grego tivo câmbios muito lentos no transcurso da sua larga história. À diferença do latim, nunca se escindiu nunha série de falas separadas; e desde finais do períudo helenístico até tempos bastante recentes, as sociedades de fala grega tenderom a manter um lenguaxe literário classicista, mais ou menos diferenciado do discurso ordinário. Isto fixo possíbel unha continuidade muito chamativa, como assinala R. Browning: “A partir daquela fecha(século VI a. C.) até ao presente houbo unha tradiçón literária continuada e ininterrumpida, mantida polos coléxios, por um corpo de literatura gramatical, polo estudo contínuo de um número limitado de textos literários, cuxa forma linguística foi diferindo cada vez mais da do discurso ordinário”. De feito, Homero sempre foi parte dos planos de estudo das terras de fala grega. Mas, por quê Virgilio nunca substituiu a Homero unha vez que o Império Romano foi afianzado? E por quê Homero non foi proscrípto polos cristianos, com mais razóns que Platón para prescindir del? A resposta à primeira destas perguntas é suficientemente obvia polo que xá se dixo sobre o valor universal da “paideia” grega. Os romanos da República tardía, com toda a sua crênça na superioridade romana das cousas, tinham absorvido, à vez que a literatura e a filosofía gregas, os axiomas sobre os que se basaba a educaçón grega. Admitindo que fixeram unha literatura própria em resposta à grega, nunca intentarom impor a sua cultura às províncias orientais. Isto apenas nos sorpreende considerando que o sistema educativo grego se tinha estabelecido em Roma antes de que Roma tivera unha literatura plenamente madura que se puidéra utilizar com este fím; a Homero estudába-se nas escolas romanas, e os romanos que podíam permitir-se, acababam a sua educaçón estudando retórica e filosofía gregas. Roma convertiu-se num centro tán importante do comércio do libro grego como Atenas ou Alexandría, e as bibliotecas romanas tinham âmplos fondos gregos; lonxe de ser unha ameaça para a civilizaçón grega, o Império Romano a sustentaba de feito, e a fixo consolidar nunha zona muito âmpla. Houbo um períudo excepcional, a finais do século III d. C. e no século IV, nos que os imperadores de Constantinopla ou bem sabíam muito pouco grego ou bem non o conheciam em absolucto, e a preferência para os altos cargos do serviço civil, para a corte ou para a carreira legal, dependiam do conhecimento do latim, incluso no Oriente de fala grega. Mas o modelo non durou e, em qualquer caso, a demanda do latim nunca se impuxo como imprescindíbel a nível da educaçón elemental.

P. E. EASTERLING E B. M. W. KNOX (EDS.)

QUE NADA SE SABE (31)

Há finalmente, algúns homes a respeito dos quais duvidarias sobremaneira de se debes chamar-lhe racionais ou mais bem irracionais. Non obstânte, cabe encontrar brutos aos que poderias chamar racionais com maior motivo que a algúns homes. Responderás que unha andorinha non fai o verán e que um só particular non destruie o universal. Eu, polo contrário, sostenho que o universal é absoluctamente falso se non abarca e afirma todas as cousas que se contenhem baixo el tal como som. Pois, como sería verdadeiro afirmar que é racional todo home, se um só – ou vários – é irracional? Se dixéras que neste home a deficiência non está no espírito senón no corpo, que é um instrumento, talvez dirás verdade, mas a meu favor, porque o home nem é espírito só nem corpo só, senón ambas cousas à vez. Logo, se um deles é deficiênte, será deficiênte o home, polo qual tampouco será home sem mais, pois o corpo, ó igual que o espírito, pertence à sua essência, e non ao corpo sem mais, senón um corpo determinado. De onde se segue que a afirmaçón de algúns resulta ridícula, segundo a qual a alma do home pode atopar-se baixo unha figura redonda ou baixo qualquer outra diferente da que temos todos, e que isso sería um home. Nón sei se eles virom algunha vez um home de tais características: se o virom, están a meu favor, pois non pensaria eu que tal home fora da nossa mesma natureza. Non obstânte, aseveram que é home e que o é de verdade. Quêm o sabe? Ninguem. Se non o virom, por quê inventam um home tal qual a natureza talvéz non será capaz de producir? E se é capaz, como vai ser eterna aquela proposiçón? “A alma é o acto de um corpo físico orgánico, etc…?” Heis aí a ciência dessa xente. Mas todavía resulta muito mais absurdo aquilo de que, ainda quando non existíra home algúm, sería verdadeiro dicer que o home é animal. Suponhem um impossíbel para acabar nunha falsidade, pois, se falas desde a filosofía, nunca faltarám homes, xá que o mundo é eterno, e se falas desde a fé, deixará acaso de existir Cristo nosso Senhor? Xá ves como é impossíbel a tua suposiçón desde ambos pontos de vista. Mas parece que non teis aprendido do teu mêstre que ningúm inconveniente se segue se dás por existente o possíbel, mentras que se adivinham muitíssimos se admitimos o impossíbel? Mas, concedamos que é possíbel o teu suposto: se o home non existe, como vai ser animal?

FRANCISCO SÁNCHEZ

E VINHEROM AS SUECAS

As praias do Mediterrâneo espanhol, por aqueles anos de “Planes de Desarrollo”, de estabilizaçón ou do que fora, era um deserto cheio de puzos; infinito oásis onde, entre o éxtase e o milágre, todos queriam abrevar. A Espanha tinha saído das sombras prehistóricas da autarquía e avanzaba para a Europa. A Europa também avanzaba cara a Espanha: emigraçón e turismo eram as columnas de choque da abertura do sistema. Os problemas políticos e morais que aquilo puidera acarretar, a disoluçón da pátria, por exemplo, era algo que tinha ó fresco a xente como a mím, sem muita moral e com muito pouca pátria. E aos gobernantes, místicos ou guerreiros, metade monxes ou metade soldados – Opus Dei ou Falange -, também os tinha ao fresco esta depravaçón moral; a política é a arte da eficácia e a ideia do pecado que nos tinha atormentado na infância podía ser retocada. Foi por entón quando um desses políticos, dos mais contumazes e graníticos, Manuel Fraga Iribarne, lanzou o lema da “España alegre y faldicorta” como sinónimo de modernidade. Os curas e a xente do Opus tiverom que “envainársela”. Mas o Tribunal de Orden Público, imperaba todavía e a caza do “rojo” tinha a veda permanentemente levantada. Os amigos da canalha noctâmbula e “jaranera” sempre me reprocharom, a mím, a Sebastián Villegas Zapata, a alabanza das alemáns e o menospreço das suecas, e que erradicara do meu vocabulário um xentilicio xenérico com o qual nos entendíamos todos, em beneficio de um xentilicio específico. Non saco nem ponho; só que às suecas, as xenuinas, non às xenéricas, apenas as conhecim. Por tanto, unha vez que deixei constança dessa denominaçón que englobaba a todas as extranxeiras, aquí vai-se nomear a cada qual pelo seu nome: as suecas, suecas; as alemáns, alemáns; e as holandesas, para non fazer a lista interminábel, holandesas. As suecas, estrictamente falando, eram cousa de mais abaixo, de Marbella e Torremolinos, ou de mais arriba, San Feliú, Blanes, S. Agaró… Ou das ilhas Baleares. A minha predileçón polas alemáns, era também unha cousa de idioma; o alemán resultába-me um pouco mais familiar graças o Hans Kleist, que mo tinha ensinado na Universidade Laboral de Tarragona; Hans Kleist era um alemán sem ocupaçón concreta no quadro de professores da Laboral, salvo ensinar a fala de Goethe e de Rilke a quem lhe daba a veleta xermanófila; um nazi seguramente, prófugo de Nuremberg e outros processos, e protexido por Franco. Estaba meio cego e a Tito García e a mím, que lhe facíamos de “lazarilhos”, ensinába-nos o idioma. Nunca falaba de política e, se algunha vez traíamos ésta a colaçón, o invadía unha pesadûme infinita. Um día, como sem querer e ó acaso, deixei cair algo sobre o “Mein Kampf” e, ademais de cego, que o era, fixo-se surdo. Despois dixem que quería aprender alemán para ler a Rilke sem necessidade de traduçóns e também non se alterou nada. O pouco de alemán que Herr Kleist me ensinou servíu-me para trabalhar em Canet de Mar e para ligar. A desculpa da minha afecçón a Rilke seguím utilizando-a mais a diante e quedaba muito bem, ainda que quase nunca colaba. Confesso agora, xá sem sombras escabrosas de leviandade na minha vida, algo que, por outra parte, nunca foi segredo: que quería saber alemán somente para ligar.

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

MAQUIAVEL (DE PRÍNCIPES, CACIQUES E OUTROS ANIMAIS POLÍTICOS)

Convém dedicar unhas quantas palabras à escolha do título deste libro. “Maquiavel, De príncipes, caciques e outros animais políticos” fai referência a todo um elenco de líderes que procuram chegar ao poder e perpectuar-se nele a qualquer preço. Embora sexa verdade que o florentino escrebeu um manual ou unha guia para príncipes, para monarcas renascentistas (sobretudo para aqueles que eram novos néstas lides), a extrapolaçón que nos permitimos fazer a partir deste tipo básico non é especialmente problemática. Porque na Itália do século XVI, os conselhos maquiavelianos serviam igualmente a Lourenço II de Medici, a quem dedicou a obra, como a qualquer outro senhor ou mercenário ambicioso que pretendesse derrotar um príncipe de outra dinastia, fosse esta hereditária ou non. Além disso, com o tempo, este decálogo das leis do poder foi empregue por caciques, monarcas absoluctos, tiranos, imperadores e dictadores vários. Os seus ensinamentos forom adaptados, com resultados díspares, a diversos âmbitos da vida contemporânea. Há adaptaçóns de O Príncipe para mulheres, para executivos, para principiantes e até para os temidos narcotraficantes. Esclarecida a intençón precisa do título, resta-nos apresentar a estructura do presente texto. A obra organiza-se em quatro grandes blocos: unha breve introduçón, duas secçóns centrais e a conclusón final. A parte central aborda, nos seus capítulos, as duas facetas principais de Maquiavel que xá referimos: a sua vocaçón como político e a sua retirada forçada do serviço público, que o levou a dedicar-se à filosofia, mais propriamente, à filosofia política. No capítulo que se segue a esta introduçón, intitulado “O diplomata tecnocrata”, vamos fazer unha retrospectiva sobre a biografia pública do florentino e relacioná-la com as ideias mais importantes do seu pensamento. Nessas páxinas, trataremos os aspectos mais prácticos do seu pensamento, ou sexa, as conclusóns ou conselhos que Maquiavel recomenda para alcançar o sucesso no terreno político. Dado que tais máximas foram o resultado da sua experiência como diplomata de Florença, as mesmas irán sendo apresentadas paralelamente à narraçón dos factos históricos e biográficos que as motivaram. Porque se torna necessário saber como foi tanto a vida do alto funcionário florentino como o contexto político da Europa renascentista, unha vez que foi daí que Maquiavel extraiu o material que serviu de base à sua posterior teoria do poder. A profundidade da análise e os princípios de acçón daí derivados só se compreendem ligados à própria participaçón do secretário em episódios transcendentais da história florentina. O fio conductor deste capítulo – simultaneamente biográfico e práctico – é unha série de missóns, como enviado diplomático, às grandes potências da época: a emergente monarquia francesa, a Itália fragmentada e a Alemanha imperial. Conheceremos entón Girolamo Savonarola e César Bórgia, Piero Soderini, vários papas – todos eles ambiciosos e aguerridos -, monarcas autoritários, o imperador Maximiliano I e, como non podia deixar de ser, muitos membros da poderosa família Medici. O capítulo termina com um “Game Over”, título que responde à mudança da sorte, que fez Maquiavel dar com as costelas na prisón, onde foi torturado devido a unha falsa acusaçón de conspirador.

IGNACIO ITURRALDE BLANCO

ESCRITORES HISPÂNOS (JOSÉ DE ACOSTA)

Acosta, José de (Medina del Campo, 1539 – 1600). Ós doze anos ingresou na Compañia de Jesús. De 1571 a 1587, foi missioneiro no Perú, sendo posteriormente nomeado provincial da ordem. Em 1588 convertíu-se no primeiro professor xesuíta a impartir cursos de teoloxía na Universidade de Salamanca. O seu “De natura novi orbis” (1589) foi unha versón prévia da “Historia natural e moral de las Indias” (1590). Humboldt dedicou-lhe grandes elóxios. O libro contêm unha grande quantidade de dactos úteis para um historiador. Trata da história e xeografía do Perú e da Nueva España, dos seus sistemas políticos e relixiosos e dos seus habitantes. Acosta foi um defensor do colonialismo hispâno. Escrebeu tamém: De procuranda salute Indorum, ademais de catecismos em falas autóctonas como a aimára e a quechua.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (CECILIO ACOSTA)

Acosta, Cecilio (San Diego de los Altos, 1818 – 1881). Escritor venezuelano. Cultivou com acerto ainda que sem excessiva xenialidade a poesía, o ensaio sociolóxico e a crítica literária. A figura de Acosta é representativa da gama de inquietudes de um país cheio de curiusidade. Obras: Estudios de sociología venezolana, Influencias del elemento histórico-político en la literatura dramática y en la novela e Consideraciones generales sobre la poesía. A sua obra poética está recolhida no Parnaso Venezolano. E as obras completas forom publicadas em 1908 – 1909 com um prólogo de José Martí.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (ANTONIO ACEVEDO HERNÁNDEZ)

Acevedo Hernández, Antonio (1887-1962). Romancista, ensaista e dramaturgo chileno. Os seus românces, a miudo sobre bandoleiros, som: Manuel Lucero (1927), El roto Juan García (1938) e Pedro Urdemalas (1947). O seu melhor libro é Chañarcillo (1956).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (EVARISTO ACEVEDO GUERRA)

Acevedo Guerra Evaristo (Madrid, 1915). Humorista. Escrebeu baixo vários pseudónimos: “Cam”, “Evaristóteles” e “Fernando Arrieta”. Colaborou em “La Codorniz”, Informaciones, Pueblo e outros xornais e revistas. Libros: Los ancianitos son una lata (1955); 49 españolas en pijama e 1 en camiseta (1959) e Triunfé en sociedad hablando mal de todo (1963).

OXFORD

BERGSON (NON HÁ NEM DEVIR NEM EVOLUÇÓN)

De surpresa em surpresa. É así que evolui, segundo Bergson, o espírito de qualquer pessoa que se tenha desprendido das palabras e das opinións comuns para acudir directamente às cousas e aprofundar os problemas que elas apresentam. No seu caso, Zenón de Eleia serviu como catalizador, ou talvez como mera constataçón, de todo um processo de evoluçón intelectual. Os antigos paradoxos, que non pretendiam provar a inexistência do movimento (pois Zenón non estava cego nem era um idiota), mas a dificuldade de um pensamento do movimento, fizeram com que o xovem filósofo reequacionasse tudo o que tinha considerado válido até entón (“non habia nem devir nem evoluçón”, sentenciará em 1907). Ofereceram-lhe, com isso, a ocasión para um novo começo no qual a especificidade da noçón de tempo adquiria todo o protagonismo. De repente, conseguiu ver com clareza que este sábio antigo, de quem mal habia rastro além de alusóns fragmentárias mas insistentes, tinha desempenhado o papel de um xénio trocista para toda a história da filosofia. A metafísica nasceu, de facto, dos argumentos de Zenón de Eleia relactivos à mudança e ao movimento. Foi Zenón quem, atraindo a atençón para o absurdo daquilo a que chamava movimento e mudança, levou os filósofos – Platón em primeiro lugar – a procurar a realidade coherente e verdadeira no que non muda. Toda esta filosofia, que começa em Platón para culminar em Plotino, é o desenvolvimento de um princípio que formularíamos deste modo: “Há mais no inmutábel do que no móvel e passa-se do estável ao instável por unha simples diminuiçón”. Ora, o contrário é a verdade. Como que atraídos pola magnitude do desafio, todos os grandes pensadores morderam o isco e caíram na armadilha de explicar o movimento a partir do inmóvel e o tempo a partir do espaço, que é onde a nossa intelixência se sente mais confortável. Non se apercebiam de que a tentativa nascia morta, e que Zenón os tinha enganado, conduzindo-os a um labirinto sem saída: a intelixência caracteriza-se por unha incapacidade para pensar o móvel, que reduz continuamente a imaxens espaciais. Daí todo o repertório de mal-entendidos e problemas sem soluçón que a filosofia enxendra, derivados do “mais velho problema”, o da mudança, também conhecido como o da passaxem do Uno ao múltiplo, do nada ao ser, o do infinito, a xénese do mundo, etc…

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

LITERATURA CASTELÁN (5)

Os “cantares de xésta”. Os relatos épicos que difundia o Xograr recebem o nome de “cantares de xésta”. Eram poemas de carácter xeralmente heroico, e tinham por obxectivo a vida de personaxens importantes, sucesos notábeis ou acontecimentos da vida nacional que mereceram ser divulgados. A palabra “xésta” veio assím a converter-se em sinónimo de “feito façanhoso”; mas, na realidade, este vocábulo, derivado do verbo latino “gero”, que significa “fazer”, alude a “cousas feitas” ou “sucedidas”, para sinalar a contraposiçón com a lírica, que se nutre de “cousas imaxinadas” ou “sentidas” polo próprio autor. O nome de xésta com o sentido de “façanha”, aparece xá citado por el Rei Sábio no mencionado pasaxe de “As Partidas”. As xéstas componhem-se e difundem-se porque satisfazem duas profundas necessidades do povo: unha, a curiosidade admirativa diante do sucesso notábel que provoca um interesse de índole poderiamos dizer novelesca; outra, o afán de conhecer aqueles feitos que de algunha maneira afectavam ó destino da comunidade. Poderia dizer-se que todos os modernos meios de difusón postos ao serviço da notícia – xornais, revistas, rádio, televisón -, se condensabam durante aqueles séculos na pessoa do xograr e nas cantigas que recitaba. Menéndez Pidal define perfeitamente o carácter essencialmente informativo destes poemas: “O cantar de xésta nasce como substitutivo da inexistente historiografia, quando à falta de grandes relatos em prosa, se daba notícia dos sucessos importantes dentro do canto que os popularizava…”. E explica logo mais ampliamente: “É aquela idade em que todo um povo, levado de um vivo interesse nacional bastante unánime, posseído de um sentimento político cálido e afectivo, mais que práctico, requere unha habitual informaçón sobre os seus próprios acontecimentos presentes e passados, e non tendo chegado ainda, no seu desarrolho cultural, a possuir unha literatura regularmente escrita, nem ainda menos um xénero prossístico historiográfico na fala vulgar, emprega o metro, a rima e o canto como meios de publicaçón (em parte mais poderosos que a escritura) para fixar e difundir os relatos de interesse comúm. Multitude de notícias cantadas nessa idade nos parecem efímeras, mas salvam-se aquelas que os ouvintes elixem, as preferidas do público, e o canto que goza do favor colectivo, refundíndo-se de xeraçón em xeraçón, perpectua o herói, conferíndo-lhe consagraçón poética inmortal. A idade heroica dura aqueles séculos em que um povo de epopeia conserva viva a costûme de divulgar na forma cantada os acontecimentos coetâneos. Mas no curso desses séculos, ó mesmo tempo que a notícia actual, cantam-se também os acontecimentos notificados no passado e que perduram no interesse comúm. Assím a Epopeya é um xénero literário irmán da História. A epopeia românica é a irmán maior da historiografía; nasce quando a história ainda non existia, ou só era escríta em latim, fala estranha à comunidade”. Estas xéstas recebem com propriedade o nome de “cantar” porque non estavam destinadas à leitura, senón ao canto ou à recitaçón. Som conhecidas com o nome xenérico de “épica medieval”, para distingui-las da antiga clássica e da posterior renacentista; e também “romance” para “sinalar a fala, desta ocasión histórica, em que o dominante foi o latim”. Ao que habría que xuntar todavia o dictado de “popular”, com que xeralmente se designa; non só para diferenciá-la das duas “épicas cultas” citadas – a renacentista e a clássica -, senón para sinalar possitivamente os rasgos: primeiro, o que fora dirixida a todo o povo sem discriminaçón, entendido no seu mais âmplo sentido social, desde o rei até ao mais humilde aldeán; segundo, que tratara fundamentalmente de assuntos contemporâneos e, por tanto, perfeitamente intelixíbeis para todo o mundo, sem especial informaçón ou preparaçón. De maneira principal se nutríu de temas ou personaxes nacionais, e com preferência casteláns, mas também deu entrada a motivos extranxeiros: “A jograría -escrebe López Estrada- recolheu non só obras relixiosas e épicas, senón outras de moda no seu tempo, que se tomabam de outros países e adaptabam à fala e gostos casteláns…

J. L. ALBORG

DENIS DIDEROT (A ENCICLOPÉDIA)

Há outro lado que merece ser destacado como um episódio assaz representativo do período que coube viver a Rousseau: a elaboraçón de unha obra monumental cuxo impacto só poderia comparar-se ao da Internet. Refiro-me ao grande proxecto impulsado por Denis Diderot: a Enciclopédia, ou Dicionário Racional das Ciências, das Artes e dos Ofícios, onde os artesáns eram elevados a peças-chave do bem-estar colectivo. Como diz Philipp Blom, mesmo no início da sua Encyclopédie: “O Triunfo da Razón em tempos Irracionais” (Encyclopédie. The Triumph of Reason in an Unreasonable Age), “o que faz dela o acontecimento mais significativo de toda a história intelectual do Iluminismo é a sua particular constelaçón de política, economia e ideias revolucionárias que prevaleceu, pola primeira vez na história, contra a determinaçón da Igrexa e da Coroa xuntas, para ser um triunfo do pensamento libre”. Habia que saber esquivar-se à censura e nisso Diderot mostrou-se simplesmente maxistral. Decidiu tratar os artigos mais espinhosos dunha maneira prudentemente ortodoxa, sem deixar de utilizar referências cruzadas para que os leitores chegassem a conclusóns dictadas pelo seu próprio xuízo. Valha-nos um exemplo como amostra: na entrada “Eucaristia” remetia para “Canibalismo”, “Comunhón” e “Altar”, piscando o olho aos leitores para que fossem eles a tirar as próprias consideraçóns. Nada era, em princípio, sagrado e tudo debia passar polo cribo da crítica. Por isso, a Enciclopédia simboliza o espírito do Iluminismo e, em consequência, pressaxía os valores da Modernidade, isto é, das coordenadas culturais do mundo de hoxe, unha vez encerrado o breve parêntese do que se chamou “pós-modernidade”, desde que consideremos o espírito crítico do Iluminismo como um proxecto inacabado.

ROBERTO R. ARAMAYO

APARTIR DA DÉCADA DOS 60 (FADO)

Ainda na década de 60, estando o fado a atravessar um dos seus melhores momentos, dá-se o aparecimento de outros fadistas de referência como Carlos do Carmo, Maria da Fé, Maria do Rosário Bettencourt, Teresa Tarouca, Beatriz da Conceiçao, Joao Ferreira-Rosa ou Joao Braga. Carlos do Carmo (filho da fadista Lucília do Carmo), actua com sucesso fora de Portugal, como no Brasil, França, Espanha ou Alemanha, mantendo unha carreira de sucesso até aos dias de hoxe. Paralelamente ao triunfo de Amália, outros artistas usufruíam de grande popularidade como Alfredo Marceneiro, Hermínia Silva, Fernando Farinha, Maria Teresa de Noronha, Fernando Maurício, Lucília do Carmo, Carlos Ramos, Tristao da Silva, Fernanda Maria, Manuel de Almeida, Maria José da Guia, António Mourao, Fernanda Batista, Manuel Fernandes, Mariana Silva, António Rocha e outros. Amália representaba para muitos um dos 3 efes de Salazar (Fado, Fátima e Futebol), porém, sabe-se que apoiaba financeiramente a comissón de apoio e solidariedade para com os presos políticos, organizaçón que tinha conexóns com o Partido Comunista sendo este clandestino. O grande sucesso de Amália prolonga-se até ao início dos anos 70 e retoma nos anos 80. Unha mulher com forte intuiçón artística e que revela um gosto intemporal que marca definitivamente um ponto de viraxem na história do fado, sendo indiscutivelmente o símbolo máximo da cançón de Lisboa

FADO PORTUGAL

O QUE SIGNIFICA O EXÍPTO PARA GRÉCIA?

O desprezo de Plotino polas questóns terrenas está também na orixem das dúvidas sobre a sua procedência. Todos o tomabam por exípcio debido ao seu tom de pel escuro e ao seu acentuado sotáque, mas Porfírio conta que nunca confessou a sua data nem lugar de nascimento, precisamente para que os astrólogos non se entretiveram com a sua pessoa, e os seus alumnos pudessem concentrar-se nas suas liçóns (só se permitia celebrar unha festividade anual: o aniversário conxunto de Sócrates e Platón, nos inícios de Maio). Embora o seu nome latino tenha levado a pensar que podia ter nascido na parte ocidental do Império, o mais probábel é ter pertencido a unha família romana de classe média-alta estabelecida no Exípto, tal como xá afirmámos. Em todo o caso, que Plotino fosse unanimemente visto como um “exípcio” entre os seus conhecidos é significativo por um motivo “cultural” que nos leva até aos diálogos platónicos e que ilustra bem até que ponto os tempos estabam a mudar. Para os gregos, de unha forma xeral, o Exípto sempre representou a terra da sabedoria, onde ainda existiam sábios autênticos, enquanto na Grécia xá só habia “filósofos” (isto é, literalmente, “amantes” ou “amigos” do saber, mas non “possuidores” do saber). Esta comparaçón, que encontramos disseminada por toda a literatura antiga, non deixa de ter um ponto de maliciosa ironia por parte dos helenos: perante os diferentes e solemnes orientais, rexidos por dinastias milenárias que se pretendiam descendentes de deuses (no caso do Exípto, os faraóns) e que aspirabam a perpectuar-se no tempo, a Grécia era um povo xovem e audaz entregue às pouco duradouras artes plásticas, ao equilíbrio entre o corpo (perecedouro) e o intelecto (eterno) e a unha organizaçón política (a cidade-estado) pequena e instábel, na qual os seus habitantes non deixavam de pleitear e discutir entre si. Um povo carente de passado (porque da “era obscura” da qual a Grécia emerxíu poucos documentos restavam) e sem nenhuma filiaçón directa entre os seus governantes e os seus deuses, mas, apesar disso, sabia-se orgulhosamente localizado na vanguarda do mundo antigo.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO