Arquivos diarios: 24/09/2019

LEÓN FELIPE (COMO TÚ)

COMO TÚ

Así es mi vida,

mi vida, piedra,

como tú.

.

Como tú,

piedra pequeña,

como tú,

piedra ligera,

como tú.

.

Como tú,

canto que ruedas,

como tú,

por las veredas,

como tú.

.

Como tú,

guijarro humilde,

como tú,

de las carreteras,

como tú.

.

Como tú

piedra pequeña,

como tú,

como tú,

guijarro humilde,

como tú.

.

Como tú,

que en días de tormenta,

como tú,

te hundes

en la tierra,

como tú.

.

Como tú

y luego

centelleas,

como tú

bajo los cascos,

bajo las ruedas;

como tú.

.

Como tú,

piedra pequeña,

como tú,

como tú,

guijarro humilde,

como tú.

.

Como tú,

que no sirves

para ser ni piedra,

como tú,

ni piedra

de una lonja,

como tú.

.

Como tú,

ni piedra de un palacio,

ni piedra de una iglesia,

ni piedra de una audiencia,

como tú,

como tú.

.

Como tú,

piedra aventurera,

como tú,

que tal vez estás hecha,

como tú,

como tú,

sólo para una honda,

como tú,

piedra pequeña,

como tú,

como tú.

LEÓN FELIPE

A FILOSOFIA XÓNICA

A singularidade xónica non radica na maior ou menor elevaçón do seu conhecimento da natureza. Tales de Mileto nutre-se do saber das civilizaçóns mais próximas e o eclipse que lhe é atribuído teria podido ser previsto com igual ou maior acuidade por um astrónomo babilónico ou exípcio. A diferença reside menos no gráu de conhecimento técnico e mais na maneira de considerar aquilo de que tem tal conhecimento. A assunpçón de que a necessidade rexe a natureza sustenta o postulado de que a natureza é cognoscível e neste postulado teríamos a primeira razón para retornar ao período áureo do pensamento de Tales de Mileto (585 a. C., aproximadamente), Anaximandro (por volta de 565 a.C.), Anaxímenes (545 a. C.), etc… Entre estes pensadores, que podem ser claramente considerados tanto os primeiros cientistas como os primeiros filósofos, nasce non apenas a ideia de que a natureza é susceptível de ser compreendida, como também a ainda mais singular ideia de que tal compreensón é neutra, isto é: o “conhecimento em si non perturba aquilo a que se dirixe”. Os postulados seriam, pois, na verdade dous: a) o mundo é intelixível; b) o conhecer é em si mesmo neutro em relaçón a esse mundo (outra cousa seria a técnica que surxiria de tal conhecer, que é transformadora por essência). Observe-se que o segundo postulado, o facto de a pessoa compreender sem perturbar o compreendido, é a primeira condiçón para que se possa falar de conhecimento “obxectivo”. Pois se, no acto de conhecer, o suxeito introduzisse unha perturbaçón no conhecido, perderia nitidez a própria diferença entre suxeito e obxecto. Temos aquí a orixem de unha polaridade tán arraigada que nem sequer (no nosso habitual discorrer) a reflectimos. Pois bem: se os pensadores gregos pudessem ser catalogados exclusivamente pela assunçón consciente ou implicita dos dous postulados, teriam de ser considerados mais como primeiros cientistas do que como primeiros filósofos. E é o que fazem muitos dos que deles se aproximan. Num libro que tem o significativo título de “Anaximandro de Mileto ou o Nascimento do Pensamento Científico”, o ilustre físico Carlo Rovelli considera Anaximandro como o primeiro cientista no sentido que essa palabra tem para nós.

VÍCTOR GÓMEZ PIN

PITÁGORAS (DA ETERNA GUERRA ENTRE A PHISYS E O NOMOS)

A necessidade natural tem de ser distinguida da lei (nomos), que determina o tipo de constriçón que se forxa na sociedade humana. A lei é o tecido que constitui os múltiplos vínculos entre filhos da “polis” ou “cidade”, entre seres que son intrinsecamente cidadáns, vínculos que diferem dos que se dán entre os indivíduos das restantes espécies animais. Non há certamente cidade (polis) sem lei (nomos), haverá no máximo unha cidade com unha lei ameaçada ou debilitada, mas enquanto houver um resquício de organizaçón humana, a lei está presente. A lei, que non tem nada de natural, non é menos constrinxente que a necessidade. A lei está para as cidades como a necessidade para a natureza, mas unha e outra têm de ser perfeitamente diferenciadas, embora non sexa tarefa do físico centrar-se nessa diferença. Lei e necessidade desempenham um papel determinante na configuraçón de cada indivíduo humano. A criança vai-se fazendo plenamente home quando se apercebe, por exemplo, de que há um impedimento para dispor à sua vontade dos bens que se encontram à sua volta, ou para persistir num estado prazenteiro como o do sonho; apercebe-se, em suma, que as relaçóns com as cousas ao nosso alcance físico, com o nosso próprio corpo e com o corpo das demais pessoas, son “reguladas” ou “normalizadas”, sendo a sua vontade impotente a esse respeito. Mas, paralelamente, há no desenvolvimento de cada indivíduo outro momento-chave: a descoberta à sua volta de unha alteridade, unha resistência ao que ele sente e pensa, unha “necessidade” ou constriçón, que nada tem a ver com aquela que se dá quando o educador o impede de continuar a dormir ou o obriga a consumir este ou aquele alimento. Descobre, em suma, que a natureza é regulada segundo “princípios” non coincidentes com as “leis”, que enquadram a sociedade, mas que a fazem tanto ou mais irreductível à sua vontade e desexo como o forxado nessas mesmas leis. O físico explora a “necessidade”, nunca essa cousa dos homes que é a lei. Isso, em todo o caso, enquanto permanecer físico e salvo de a sua práctica o levar a dar um passo radical.

VÍCTOR GÓMEZ PIN