ARENDT (AS ORIXENS DO TOTALITARISMO)

A partir desse momento, 1944, Arendt deixou de ser considerada unha aliada intelectual e política no seio do sionismo ( se é que algunha vez chegara a sê-lo). Pelo contrário, iniciou o caminho da polémica, das acusaçóns e das críticas, que terminaría em 1962 com a publicaçón do seu libro Eichmann em Jerusalém. A sua crítica e a rexeiçón da forma da naçón-estado para a Palestina centrava-se fundamentalmente em que, por um lado, non resolvia o problema do antissemitismo e, por outro, o novo Estado xudaico non respeitaría a pluralidade de indivíduos no território (árabes e xudeus), pois deixava a maioría árabe do território na situaçón de apátridas, aos quais non era reconhecido “o direito a ter direitos”, segundo a fórmula que Arendt utilizou posteriormente em As Orixens do Totalitarismo. Em sua opinión, a Palestina só se podía salvar como pátria nacional dos xudeus se – como era o caso de outros pequenos países e nacionalidades – fosse integrada nunha federaçón. Ao mesmo tempo que escrevia sobre o presente e o futuro da política na Palestina, Arendt trabalhaba em comités responsábeis pela preservaçón dos tesouros culturais xudaicos e nunha das editoras importantes de Nova Iorque. Esse trabalho permitiu-lhe conhecer mais de perto os intelectuais nova-iorquinos, bem como os exilados europeus que começavam a trabalhar nas universidades do país. Mais unha vez, o seu interesse teórico estaba ligado aos fenómenos e experiências políticas do seu tempo.

CRISTINA SÁNCHEZ

. UNHA POLÍTICA PARA A PALESTINA .

Mesmo que os xudeus ganhassem a guerra, encontrariam as únicas possibilidades e os únicos êxitos do sionismo na Palestina destruídos. O país que apareceria sería muito diferente do que fora sonhado pelos xudeus de todo o mundo, tanto sionistas como non sionistas. Os xudeus “victoriosos” viveriam rodeados por unha populaçón árabe totalmente hostil, isolados dentro de fronteiras permanentemente ameaçadas, obcecados com a autodefesa física a um gráu tal que deixaríam de lado todos os restantes interesses e actividades. O desenvolvimento de unha cultura xudaica deixaría de ser o obxectivo das pessoas; as experiências sociais seriam descartadas como luxos impracticábeis; o pensamento político xiraría em redor da estratéxia militar; o desenvolvimento económico sería exclusivamente determinado pelas necessidades da guerra. E tudo isto sería o destino de unha naçón que (…) continuaría a ser um povo muito pequeno, ultrapassado numericamente polos vizinhos hostis. Nestas circunstâncias (…) os xudeus palestinianos transformar-se-iam nunha dessas tribus guerreiras acerca de cuxas possibilidades e importância a História nos ensinou o suficiente desde a época de Esparta.

HANNAH ARENDT (1948)

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