Arquivos diarios: 08/04/2019

HUSSERL (VIAXEM É APRENDIZAXEM)

Por sinal, um subtil engano da ciência, que precisamente Husserl non se cansou de debelar, consiste em tratar de convencer-nos que apenas existem os problemas, nunca os mistérios. É unha posiçón perfeitamente antifilosófica, que tecnicamente se chama “positivismo”. Consiste aproximadamente nisto: “embora eu próprio ainda non me consiga acostumar a esta verdade porque a minha educaçón me deformou demasiado, sei que non há nenhuma pergunta que tenha sentido que non se possa responder num laboratório, ou com unha estatística, ou com um modelo computacional. Por exemplo, espero que um dia a pretendida questón do sentido da vida me deixe totalmente de importar e até nem sequer a compreenda.” A filosofía nasceu em paralelo com a ciência e nela embrenhada, mas muito cedo, apenas com cinquenta anos de vida, estas siamesas souberam por sí próprias separar-se (mas as pessoas non son nem a ciência nem a filosofía, e insistem e insistirám talvez sempre em enmaranhá-las de novo). Aos “mistérios” carregá-los-emos para sempre, e o trabalho, penoso e delicioso unhas vezes, angustiante e embriagante outras, consiste, por conseguinte, em ir-lhes dando voltas. É como se, precisamente quando vamos chocar mortalmente contra o muro, passassem de aporías a colossais nuvens de tempestade, igualmente belas e sinistras, por meio das quais se aventura o piloto do avión. A experiência ensina-nos que se trata de algo semelhante a unha viaxem por unha paisaxem de montanha. Curvas, subidas, descidas; picos vertixinosos; vales sem luz; perspectiva infinita de súbito; um páramo; a foz de um rio… Tomo, a propósito, a imaxem do filósofo Franz Rosenzweig: somos como convalescentes da doença problemática, aporética e misteriosa da vida, que almexam a saúde nestas paisaxens, isto é, que procuram unha vida nova ou renovada aprendendo a ver todas as coisas depois de unha imensa “abstençón” a respeito das técnicas e das rotinas da vida quotidiana e da cidade de ar e de água poluídos, na qual adoeceram. Experiência quer xustamente dizer viaxem, e a viaxem é aprendizaxem. Quando a facilidade da traxectória da vida se vê alterada, dá-se unha espécie de reduplicaçón da vida: non posso non continuar a vivê-la, mas agora, além disso, penso-a.

MIGUEL GARCÍA-BARÓ