MONTAIGNE (UNHA SOCIEDADE MAIS EQUITATIVA)

Os biógrafos indicam o ano de 1559 como dacta da primeira viaxem à corte; em Septembro do mesmo ano, o bordalês acompanha o rei, Francisco II, a Bar-le-Duc, onde se celebra o casamento da sua irmán Cláudia com Carlos III de Lorena. Em “Da Presunçón”, recorda ter assistido à entrega de um autorretrato do rei de Sicília, para honrar a sua memória, e rexista “Por que motivo, da mesma forma, non é lícito a todos pintar-se com a pena como ele se pintava com um lápis?” (II, 17). A pergunta retórica suxeriu a hipótese de que, talvez, xustamente naquela ocasión, lhe pode ter surxido a ideia de fazer um retrato de si próprio. Ao longo de 1561, non se encontra nenhum vestíxio da sua presença no Parlamento, Mas é, precisamente, por mandato directo do Parlamento que irá de novo para a corte e ficará em París até Fevereiro de 1563. Para ser admitido no Parlamento de París, a 12 de Junho de 1562, tinha xurado fidelidade à relixión católica. Em Outubro do mesmo ano, acompanha a armada real no cerco a Rouen, por parte dos huguenotes, e fala longamente com um dos três indíxenas do Brasil que chegaram a essa cidade, aos quais se refere no capítulo “Dos Canibais” (I, 31): “Três deles, sem saber quanto custará um dia para a sua calma e felicidade o conhecimento da corrupçón do nosso mundo e que desse comércio nascerá a sua ruína (…) foram a Rouen, na época em que governaba o difunto rei Carlos IX…” Daquele encontro e daquela conversa (verdadeiros ou supostos) com os seus eloquentes caníbais nascerá a ideia de unha sociedade mais equitativa.

NICOLA PANICHI

Deixar un comentario