HENRI BERGSON (UNHA METAFÍSICA À ALTURA DOS TEMPOS)
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Embora a metafísica tenha caído em desuso, non abandonou o grande palco sem entoar um último himno à altura das suas pretensóns. É Henri Bergson que, em mais de um sentido, elabora a última grande metafísica do Occidente, integrando todos os saberes do seu tempo nunha filosofía que se apresenta, inmodestamente, como a superaçón da condiçón humana e a “experiência total”. Sendo o seu ponta de lança o “impulso vital” (élan vital), torna-se inevitável recordarmo-nos da vontade de Schopenhauer, que concebeu a anterior grande força metafísica do Occidente. Encontramos aquí, no entanto, contribuiçóns cruciais relativas aos problemas do tempo, da memória e do desenvolvimento da vida que passam a ser redefinidos por completo. Bergson representa o ponto culminante de unha corrente filosófica que, sob a rubrica de “espiritualismo”, acompanhou em segundo plano, qual actriz secundária mas insistente, a filosofía moderna desde Descartes, denunciando todos os abusos do mecanicismo e reivindicando a primazia absolucta da consciência e da vontade. Frequentemente, contudo, o seu excessivo desdém relativamente ao estudo da matéria impediu-o de ser convincente além de alguns círculos reduzidos. Foi necessário um filósofo de unha importância superior, grande renovador conceptual e simultaneamente entusiasta da ciência e mestre do estilo, para devolver a vantaxem ao espiritualismo precisamente no momento em que o cientificismo o submetía a um assédio encarniçado, e o criticismo Kantiano dava a metafísica como morta. Bergeson é alguém de quem, de certa forma, a filosofía francesa estava há séculos à espera. Só agora se volta a afirmar orgulhosa, com o seu novo embaixador à cabeça, hasteando as bandeiras da consciência, da liberdade e da criaçón.
antonio dopazo gallego
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