Arquivos diarios: 04/08/2018

HEIDEGGER (O FRACASO DO SER)

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               Este livro pretende fazer unha aproximaçón a Heidegger. No entanto, a tarefa torna-se complicada por vários motivos:  unha obra que aínda está a ser publicada 40 anos depois da sua morte; unha longa controvérsia sobre a figura do filósofo; um desacordo xeral sobre o próprio sentido e o alcance da sua filosofía…  non sabemos sequer se essa obra merecerá no futuro ocupar unha posiçón tan relevante como a dos seus predecessores:  Nietzsche, Hegel, Kant…  ou se será, simplesmente, posta de parte.  Mas, por motivos que aquí se expôem e desenvolvem, a obra de Heidegger interliga-se com a dos nomes acima citados, num sentido impossível de atribuir a qualquer outro filósofo do século XX, talvez porque nela se convoca toda a “história da filosofía”.  Neste estudo, renuncia-se expressamente a unha exposiçón enciclopédica e opta-se, por outro lado, por unha perspectiva sumária que reproduzca o problema de fundo que percorre todo o traxecto de Heidegger.  Ainda assim, é obrigatório referir a dificuldade que qualquer exposiçón da sua filosofía tem de enfrentar: reconhecer as chaves desse traxecto e decidir em que medida ao longo dele se abandona unha questón por outra, ou se, pelo contrário, apenas se reitera a mesma.  Aqui parte-se do pressuposto de que Heidegger apresentou apenas unha questón, que ele próprio configurou e desfigurou de tal maneira que a própria forma de a reflectir e expressar acabou por se transformar em conteúdo decisivo do seu próprio pensamento.  Talvez isso tenha a ver com o que Hannah Arendt disse sobre as suas aulas:  “Heidegger nunca pensa sobre algunha cousa: ele pensa algunha cousa”, mesmo quando se trata de Aristóteles, de Kant ou de Nietzsche.  Isso torna os seus textos mais difíceis. porque quase nunca se referem a um tema fechado que ele tivesse simplesmente de expor: quando pensa, arrisca, e isso torna-os mais vulneráveis, em certas ocasións erróneos, e ás vezes até ridículos. 

arturo leyte

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (57)

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               Socorro. Socorro.  O día 19 de Agosto de 1915, fún escreber unha carta a Caetano, mostrando-se muito dolorido ó despedir-me, com voz grave e ton de tristeza.  Á noite sonhei com el e a súa filha Isolina; sei que eran eles por unha aspiraçón do sentido, e algo percebín-no também em imaxem, mas alí se me mostrou muito fea, que me non parecía cristiana.  E o seu pai, tamén muito feíssimo, o qual a agarrou por um brazo, e non sei que fixo, mas parece lhe bateu, mandando-a non sei onde…  Despois, encontrei-me debaixo de unha figueira e estaba vendo figos maduros entre as folhas verdes.  Sonhei que ía por uns caminhos, e de vez em quando dába-me a tosse, e vinha-me um pensamento de que estaba enfermo, quando tossía botaba fora o exputo, e ó mesmo tempo golfaradas de sangue entremisturadas e sentía-as brotar do peito, como se estivera desperto.  Ó mesmo tempo ven-me a idéia, de que xa non tinha cura.  Desperto, e encontro-me doente, o cabelo caíndo com determinaçón, e a puntada aguda nos quadrís, a dor inmensa da páxina 71…  E, o 21 de Agosto de 1915, pola hora das 3,30, vín a minha cabeza calva, só con dous peleiros espetados na frente.

manuel calviño souto