AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (25)

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               Carpinteiro.  O 4 de Agosto comecei a trabalhar de carpinteiro com Gomez ganhando cinco reais a seco.  O día 7 fún ó rosário e encontrei o Senhor Cura Val, falei com el e dei-lhe três pesetas.  O 20 de Outubro de 1910, fún trabalhar prá Encostada (Tafula) e como andava com a lagareta emborrachei-me, e á noite encontrando unhas poucas de putas criticando, dem um sopapo sem querer, e ó fim sái que era da Pucha, e, á noite o Spírito inquietou-me, e escangalhei um relóxio.  Visón.  O 22 de Novembro de 1910, vim o inferno, eran unhas chispas que saían pola terra e dirixiam-se muito alto ó mesmo tempo andavan polo chan a toda présa, mo meio estava o Senhor Val e variada xente com el, ouvin unha voz que dixo – Ah! O inferno -, despois sem saber como nim por onde, aparecín na cidade de Lisboa, avistando um altar e uns poucos de Santos e flores.  Tremor de terra,  O 24 de Novembro, pola hora das 11,20, estando eu a coser uns pantalons, sentín estalar as rípas da casa e cair barro das paredes, e sentindo um zumbido que se introducia vagarosamente nos ouvidos dos mortais, sem saber donde vinha, aflixiu-me ver a parede da casa movendo-se e saín á xanela, e entón souben que era um tremor de terra.  O  meu ente querido. O día 1 de Xaneiro levantei-me muito cedo e fún a Fornelos (Adivinho), eu havia días e semanas que tinha falado com Preciosa do Pachugo, sei que nesse día, me dirixía eu para Ponte e fún polo Garamil e mais abaixo andava o meu ente querido colhendo toxo com outras mais, eu neste tempo ia mil vezes xunto do adivinho (Caraxera) que me daba unhas purgas pra tomar.  O día 20 de Xaneiro fún ó Serán e dancei duas veces com ela, ó momento unhas nenas, non sei que lhe dixeron, que ela xa non queria falar comigo, e quando saímos do Serán ela fuxiu prá casa.  Noutra noite, mostrou-se-me muito indiferente, e fuxidia, e quando estava dentro do Serán escondia-se detrás das outras xá mencionadas, e cubrindo o rosto.  O día 17 de Febreiro de 1911 tinha mil sonhos, mas esqueciam-se-me ó despertar, polas 12 da noite deu-me uns calores amorosos que era impossíbel resistir.   

manuel calviño souto

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