VIRAGENS DO PENSAMENTO DA DIFERENÇA (III)
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O que foi dito até aqui resume-se nas “viraxens do pensamento da diferençá”. Assim a “Viraxem linguística” comunicacional contrapon-se a todo o “realismo” excludente, faz valer a experiência dos diversos xogos de linguagens imanentes e diverxentes, e insiste na premissa de que o ser (comunicável) se dá na linguaxem de múltiplas maneiras, segundo os contextos e os xéneros literários, tanto como as prácticas discursivas. Lyotard insistiu muito nesta questón e dá um exemplo ilustractivo; pede-nos para imaxinarmos unha banda desenhada em que um capitán se lanza para fora da trincheira, de arma em riste dizendo “Avante!” e os soldados começam a aplaudi-lo: “Bravo, muito bem.” Sem dúvida, enganaram-se no xogo de linguaxem: ou finxem fazê-lo. Segundo a “Viraxem ontolóxica”, a linguaxem non é um instrumento nas mans do homem, mas o espaço de interlocuçón do ser das diferenças ligadas pela própria linguaxem (logos: ligaçón-limite, que une e separa, nexo), diferenças ligadas pela língua comum que falamos e nos fala; diferenças que nos poêm em xogo e que nos relacionam com a retransmissón interpretactiva dos passados e a recriaçón de futuros mais habitáveis. Logos do bem comum histórico e recriado no novo, em que participamos todos e cada um de diferente forma: riqueza comunitária da pluralidade e mesmidade converxente das diferenças, iguais perante a lei. A “Viraxem estéctica” afecta a transformaçón do “aspaço- tempo” segundo a nossa percepçón sincrónica e pós-hitórica, pois xá non estamos no tempo linear nem no espaço “físico” externo. Pela mesma razón, afecta também a primacia política que as novas tecnoloxias electrónicas, dixitais e telemáticas alcançam, e que transformam as obras de arte-técnica na forma de ser que permite unha exploraçón e experimentaçón da diferença, orientada para libertar as diversas interpretaçóns e a libertar-se a sí própria… de quê? Sobre tudo da essência “metafísica” da técnica como superaçón e conquista dominadora (ou salvadora) sempre proxectada além de qualquer limite. Aquí a tarefa dos Decrescimentistas e dos Ecofeminismos destaca-se pelo seu alcance social e planetário. A “Viraxem Teolóxico-política” salta da História Universal da Humanidade (eurocêntrica) para um politeísmo (non mitolóxico nem antropocêntrico) do sagrado indisponível plural, onde se reconhece o mistério da realidade-possibilidade aberta, gratuita e non calculável, das plurais culturas quotidianas. A filmografía do cinema pós-moderno oferece belos exemplos, alguns dos quais Gilles Deleuze selecciona no segundo libro que configura a sua história filosófica do cinema. Falamos do volume “A Imaxem-Tempo”, a continuaçón do primeiro dedicado ao cinema moderno, “A Imaxem-Movimento”. Assim se vai abrindo caminho a unha possibilidade solidária, coherente com as democracías igualitárias e participativas, da diferença na era comunicativa da globalizaçón. A “Viraxem ecolóxica” reúne todas as anteriores num espaço habitável e aberto ao outro e á diferença, como constituintes do devir.
teresa oñate e brais g. arribas
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