A ARTE COMO ALÍVIO E COMO REVELAÇÓN (54)

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      (redençón momentânea pola arte)

               O terceiro livro de O Mundo está dedicado á experiência estéctica.  É unha das grandes reflexóns alguma vez escritas sobre o assunto.  A arte permite substrair-se à trama da vontade, emerxir do querer.  Deixa a vontade em suspenso: de modo provisório, desaparece o perguntar obsessivo sobre a utilidade que as cousas têm para nós.  A arte entende-se de um modo singular, sem remeter o obxecto aos intereses egoístas, non subxectiva, mas obxectivamente.  Experimenta-se como pura representaçón, sem motivo para a acçón ou o desexo.  Por si mesma, non tem relaçón com outros obxectos.  Enquanto dura a experiência estéctica  “livramo-nos da humilhante urxência da vontade, celebramos o sabbath dos trabalhos forçados do querer” (MVR1,231).  A pessoa dotada de capacidade para a contemplaçón estéctica pode experimentar com obxectos naturais: unha paisaxem, unha árbore, unha rocha;  mas o obxecto idóneo para vivê-la com maior intensidade é o obxecto artístico.  A arte orixina um estado de comtemplaçón em que a vontade fica em suspenso, o que dá alívio e revelaçón ao espírito. O que a arte revela son arquétipos eternos.  Eleva o suxeito a um estado de conhecimento ou percepçón obxectiva na qual experimenta um tipo de prazer único ao ver com serenidade a forma eterna das cousas.   As ideias, os arquétipos, encontram-se fora das determinaçóns espaço-temporais,  para além das cousas e dos seres particulares, concretizados na matéria e das relaçóns que estes mantêm entre si.  Quando o suxeito está submetido à vontade só é capaz de perceber o reino do empírico e do particular, e de encaminhá-lo para os seus intereses egoístas.  O efeito terapêutico e cognitivo da arte consiste em permitir ao suxeito acceder à experiência estéctica das formas arquetípicas.  O suxeito capaz de se elevar ao nível da contemplaçón da Ideia percebe o eterno e inmutável, e abandona a sua habitual prostraçón apetitosa: perde a consciência de si mesmo como indivíduo.  Claro que os termos e conceitos de Ideia, Forma e arquétipo nos remetem de inmediato para a filosofia platónica que, como sabemos, xuntamente com Kant e o pensamento hindu, é a terceira grande influência na filosofia de Schopenhauer.  Neste sistema unitário, tudo conduz ao todo: também a estéctica à metafísica.

joan solé

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