Arquivos diarios: 18/12/2017

EM NOME DE GUILLADE (XXIII)

               Como indica Lisón Tolosana as aldeias na Galiza forman unha unidade xeográfica, social e cultural bem delimitadas.  Os vecinhos e vecinhas, eran perfeitos conhecedores da paisaxe e reconheciam qualquer accidente no terreno.  Os marcos de límites da aldeia convertem-se así nunha parte mais da paisaxe reconhecivel,  quase permanente quando nos escritos sobre os montes comunais se assinale “per suos terminos antiquos” ou  “desde tempo inmemorial” quando as testemunhas se expressan nos interrogatorios.  Os límites da aldeia como os do monte comúm van formar parte da paisaxe vivida polos vecinhos, convertem-se em fitos de referencia os marcos mas tamém os penedos, mâmoas, antas, muros ou corredoiras.  Xurdem na aldeia as linhas imaxinárias, tanto sexa entre marcos, penedos, mâmoas ou caseríos.  As augas vertentes sinalan a pertenza a unha aldeia ou outra, a linha recta entre marcos (em dereitura) transformam-se na unidade espacial de referencia entre os vecinhos.  Os elementos que conformarom os límites divisórios dos montes ou aldeias transformáron-se em referência da cultura popular ao solapar-se com espazos vencelhados ás lendas tradicionais (mâmoas, castros, caminhos), redefínem-se como unha parte do património intanxivel da comunidade.  Os conflíctos polos límites entre aldeias vecinhas tamém se incorporan á paisaxe mental da aldeia, cargando os marcos divisorios com unha ritualidade especial: cruces, letras, simbolos que son o resultado dos acordos entre dúas ou várias aldeias.

a irmandade circular

IMMANUEL KANT E O CONHECIMENTO (40)

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               Kant fez unha “revoluçón copernicana” na teoría do conhecimento.  Se Copérnico foi o responsável por a humanidade renunciar á visón xeocêntrica do firmamento e, em vez disso, colocar o Sol no centro e os planetas a xirarem á sua volta (modelo heliocêntrico), Kant substituiu a tradicional concepçón do conhecimento, em que o suxeito adapta a sua mente ao obxecto, por outra em que é o suxeito que determina, com as suas faculdades, o tipo de percepçón.  O suxeito passa a desempenhar um papel sumamente activo na construçón da percepçón.  Esta mudança de modelo cognitivo non implica modificaçóns no conteúdo das percepçóns, que continuam a ser as mesmas (da mesma forma que o modelo heliocêntrico copernicano non implicou modificaçóns na traxectória aparente do Sol, que non deixa de aparecer a nascente e desaparecer a poente), mas o novo modelo permite explicar muito mais cousas e transforma a concepçón que os homens têm do seu lugar no universo.  Entre as transformaçóns decisivas resultantes da revoluçón copernicana de Kant, há a destacar unha que é fundamental para Schopenhauer: o único conhecimento verdadeiro é o que se dá na experiência, na qual se obtém unha intuiçón sensível a partir do contacto entre o mundo e o conxunto sensibilidade-entendimento: tempo, espaço, categorias (recorde-se o que foi dito nas páxinas 62-65).  Tudo o que non se integre neste esquema carece de garantias. Segundo Kant, non é possível unha intuiçón intelectual (ou sexa, a razón non pode criar conhecimento sólido a partir de conceitos desvinculados da percepçón e da experiência).  Entre outras cousas, esta visón pon fim ás pretensóns da metafísica dogmática de construir unha ciência:  questóns últimas como a da existência de Deus e a da inmortalidade da alma, non podem ser tratadas no âmbito da fé.  Há unha segunda implicaçón decisiva, tanto para a filosofia em xeral como para a de Schopenhauer em concreto: a distinçón entre fenómeno e cousa em sí ou númeno.  A exposiçón deste binómio, fundamental na filosofia, fica reservada para a páxina seguinte.

joan solé