Arquivos diarios: 23/11/2017

DOUTOR EM FILOSOFIA (21)

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               Aos dezanove anos, Arthur ficou, por fim, livre da obrigaçón de se transformar num homem de negócios.  Antes disso, passara por unha última entediante etapa de formaçón comercial, em Hamburgo, durante a qual se dedicou a aliviar a sua frustraçón seduzindo actrizes e coristas humildes, aventuras que acabaram por resultar num profundo fastío e que alimentaram as suas posteriores reflexóns sobre a luta entre a pulsón sexual e a vida do espírito. A parte espiritual desta época, que o salvou de cair em desespero, foi, como sempre, a leitura: Rousseau, Voltaire, Lessing, Schiller e Goethe, que acabaria por conhecer, pouco depois, em Weimar.  Direccionado xá para o seu obxectivo,  Arthur concentrou-se em preparar a sua entrada (bastante tardia) na universidade.  A sua educaçón era esmerada, mas tinha unha lacuna flagrante que dificultava o accesso aos estudos superiores; non dominava nem o latin nem o grego, o que non tinha qualquer importância para a sua formaçón comercial e para o mundo em xeral, mas que constituíam um requisito indispensável para a universidade.  Arthur apressou-se a corrigir esta falha e fez vários cursos intensivos num colégio da cidade de Gotha,  tendo demonstrado um extraordinário rendimento intelectual,  mas acabou por ser expulso ao fim de cinco meses por causa de um ofensivo poema satírico que escreveu sobre um professor.  Aos vinte anos o xovem rapaz de intelixência aguda, sólida cultura, rezingón e sarcástico ficou, assim, sem unha instituiçón onde estudar. E aconteceu entón o que Johanna tinha tentado evitar o todo o custo, consciente do carácter complicado do filho.  Arthur foi viver para Weimar com a nái, no início de 1808.  Alí se dedicou aos estudos com unha determinaçón obsessiva – latim, grego, história, matemática –  mas, nos momentos de pausa, emerxiam graves conflictos familiares e Arthur acabava por se exceder nas críticas e piadas que fazia em relaçón aos convidados assíduos do salón de Johanna, embora sem chegar aos extremos de alguns anos mais tarde.  Non é difícil de imaxinar Arthur em Weimar como Hamlet na corte de Helsenor, fazendo-se de louco e atirando comentários á nái do xénero “Oh, que vergonha!  Onde está o teu pudor?”,  “Se non teis virtude, pelo menos simula-a”, “Debilidade, o teu nome é mulher”,  “As iguarias que sobraram do funeral serviram de prato frio no banquete da boda”.  A diferença é que a Hamlet lhe aparecia o espectro do pai para lhe revelar que Gertrudes casara com o assassino e para lhe exigir vingança, enquanto a Arthur foi a nái que o axudou a derrotar o espectro paterno. Tudo se complicou ainda mais quando Arthur, cuxa subsistência dependia por completo da sua parte da herança familiar, suspeitou que ela estava a ser desbaratada no exuberante estilo de vida de Weimar.                        

joan solé

“EXISTE UNHA INDUSTRIA DO FOGO NA GALIZA” (I)

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               “Há unha série de pessoas que ganham sempre, passe o que passe.  É como no bingo, a casa sempre ganha.  Estou-me referindo ao lobby florestal.  Esse lobby ostenta-o, ainda que me critiquem cada vez que o digo, os enxenheiros de montes, como colectivo.”

               “Há que remontar-se no tempo.  Houbo um xefe medieval no Xapón ó que se lhe deu um dia que tudo tinha que encher-se de árbores.  Para o qual criou unha espécie de comunidade no país nipón que se dedicou a prantar árbores.  Depois a ideia foi copiada mais tarde pelos alemáns, alá polo século XIX.  Tinham que por árbores por toda a parte.  Em parte estava bem porque existia, e existe, unha demanda de madeira.”

               “Xustamente em Espanha e Portugal, com as dictaduras de Franco e Salazar, imitou-se a Alemanha.  O corpo de enxenheiros florestais em ambos países, era um dos poderes do Estado.  O que se fixo foi votar a xente dos montes comunais, que eran uns reductos de liberdade quasi comunista, um lugar onde os vecinhos se apanhavam sem ter unha propriedade directa, algo que para o liberalismo económico de unha dictadura de corte fascista filosóficamente chocava muito.”

               “O que fixeron foi expulsar do campo a xente mais pobre, a que non era proprietária de terras.  E no seu lugar começaron a prantar pinheiros, tanto em Espanha como em Portugal, quando os montes da Galiza, históricamente, sempre estiveron absolutamente pelados.  A massa florestal de Espanha é infinitamente mais grande do que o era fai cinquenta anos.  As pessoas ás que expulsaron tiveron de emigrar: muitos marcharon a Catalunha, ó País Vasco, a Estados Unidos, Venezuela, Suiza, Alemanha.  E xustamente quem se quedou no campo foron os pequenos proprietários.”

               “O uso do fogo nos ecosistemas mediterrâneos é muito comúm para, por exemplo, abrir pastos.  Mas non é o mesmo abrir um pasto quando estás rodeado doutros, que abrir um pasto quando teis um pinheiral ó lado.  E a xente que tinha quedado no campo necessitava abrir forzosamente pastos.”

               “A xente do campo queima constantemente.  Non o fan todos, só alguns.  Queima-se muita terra de campo no sul de León, parte de Zamora, de Valladolid…  Mas, ¿ que sucede ?, que queimam rastroxos, os lindes de enormes fincas de quatro ou cinco hectáreas de cereal.  Obviamente, alí non vai haber problema de um grande incêndio florestal que acabe tapando o sol.”

xabier vázquez pumariño      (continua)