UM GRANDE ESCRITOR (7)

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.              Depois de ler a linguagem ultratécnica de Kant e o abstruso xargon de Hegel e restantes idealistas, a prosa schopenhaueriana é unha lufada de ar fresco, um reencontro com as palavras, com a linguagem significativa.  Escreveu algo que todos deveríamos ter gravado:  “O verdadeiro filósofo procura sempre a luz e a clareza e esforça-se para ser como um lago suíço, capaz de xuntar unha grande profundidade a unha grande clareza que é, precisamente, o que revela a sua profundidade” (RS, 53).  Conclui que a clareza é a boa-fé dos filósofos.  Naturalmente, pode ter um estilo claro porque tem as ideias muito claras.  Mesmo nas partes mais abstráctas da sua doutrina (as que se referem á teoria do conhecimento) consegue ser agradável e interesante, lê-se com agrado e sem esforço.  É um artista da prosa.  Grande leitor de poesia e da melhor literatura – admira Shakespeare, Cervantes, Goethe, os poetas antigos -, converte a leitura de filosofia nunha experiência estéctica, non só nunha transmissón de ideias.  Transforma as ideias mais abstráctas em poderosas imaxens, socorrendo-se de comparazóns e metáforas, com as quais o leitor passa de imediato, da dimensón conceptual á da intuiçón poética, acabando por se reforçarem mutuamente.  Por isso, mais do que um escritor para filósofos profissionais (que em xeral, prescindiram dele),  é o pensador que fascina escritores – Tolstoi, Mann, Nietzsche, Borges, Beckett – e pensadores xeniais – Wittgenstein.

joan solé

 

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