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Arquivos mensuais: Outubro 2017
O CHOQUE COM A SOCIEDADE
Era provavelmente considerado unha personagem um pouco excêntrica devido ás suas ideias radicais, e sem dúvida que era conhecida a autoria das suas obras pseudónimas, mas após o tumulto que a ruptura com Regine Olsen causara. Kierkegaard vivia tranquilamente em Copenhaga, onde dava passeios quotidianos e conversava com pessoas de todas as orixens que encontrava na rua. Esta vida pacata acabou em 1846, devido a um conflicto aparentemente absurdo. Um crítico literário publicou unha resenha de “Estádios no Caminho da Vida” na qual non deu mostras de ter entendido o livro e, em todo o caso, non o elogiou. Kierkegaard replicou com um artigo num xornal, em que relacionava o crítico com unha revista satírica do momento, “O Corsário”, publicaçon semanal que ridicularizava personagens públicas da sociedade dinamarquesa, mas que até enton non se metera com ele porque o seu director o respeitava. No artigo de réplica, Kierkegaard desafiou sarcasticamente a revista que o transformará no alvo dos seus. Non devia ter-se mostrado tan ofensivo. No início de 1846, começaram a aparecer em “O Corsário” caricaturas que o apresentavam como unha personagem disforme, corcunda (os anos tinham acentuado a deformaçon das suas costas). Com pernas de extensón desigual que lhe causavam um andar irregular, ou sexa, no conxunto, como unha figura desconcertante. Embora o semanário tenha deixado de ser publicado em outubro daquele mesmo ano, o prexuízo que causou a Kierkegaard foi enorme; transformou-o num motivo de chacota. Muitos reconheciam-no pelas caricaturas satíricas e riam-se dele quando o viam na rua. O autor, que provocara a sua própria ruína ao desafiar “O Corsário”, de repente perdia um dos seus grandes prazeres, que era passear pela sua cidade. Non tardou a transformar a amargura por esta situaçon desagradável nunha intensa consciência de martírio, á semelhança do que Cristo padedera. Reforçou a sua convicçon de ser um indivíduo isolado em confronto com as massas, sem mediaçon possível entre os dois termos. O patronímico Sorensen (“filho de Soren”) é um dos apelidos mais comuns na Dinamarca. No entanto, o nome Soren, que em tempos também foi dos mais vulgares do país, quase deixou de se usar depois da campanha difamadora de “O Corsário”. O incidente tornou-o um nome maldito.
joan solé
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SARDINHAS ASSADAS NO FASCO
Para quatro pessoas,vintiquatro sardinhas grandes e gordinhas; sal gordo; e agulhas de pinheiro, tamém chamadas em galaico-português enguiço. Sobre unha laxe de pedra, espalha-se unha camada de dez centímetros de fasco (tamém chamado caruma). Lavam-se as sardinhas em água fria e disponhem-se sobre o fasco, tempera-se logo com sal abundante. Cobrimos com mais dez centímetros de agulhas de pinheiro, seguida pegamos candeia á mezcla explosíva nas quatro esquinas, e deixar arder. Retiramos as sardinhas todas chamuscadinhas coitadas, mas non queimadas, e limpamos lixeiramente. Servir imediatamente acompanhadas com patacas cozidas e regadas com azeite. Os expertos asseguram, que son muito mais dixestivas, e que no sabor, desafiam qualquer outra maneira de cozinhá-las.
léria cultural
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O DESTINO DE ESCRITOR
Os anos que se seguiram á ruptura son de unha produçon literária assombrosa. Numa década escreveu perto de trinta livros e vinte volumes de diários. Mal rompeu o noivado, em agosto de 1841, obteve o doutoramento em Teologia na Universidade de Copenhaga, com unha defesa da tese “O Conceito de Ironia, Constantemente Referido a Sócrates” (em setembro) e, em outubro, partiu para Berlim. De regresso a Copenhaga, quatro meses depois, deu início a essa década em que o seu tempo de vigília foi quase exclusivamente dedicado a escrever e a ler livros necessários para a composiçon dos seus. Os únicos momentos de distraçon eram aqueles em que dava os seus passeios pela cidade, os das conversas com pessoas do mundo editorial e a frequência assídua dos espectáculos do Teatro Real (onde se deixava ver, inclusive nas épocas em que mais consagrado estava á sua misson, mesmo que fosse apenas durante os dez minutos do intervalo, para fazer crer que continuava a levar unha vida de estecta hedonista). Entre 1844 e 1848, voltou a viver em casa do pai, de onde saíra ainda estudante e que ficara desocupada quando o irmán mais velho. Peter Christian, a deixara para assumir a direcçon de unha parróquia. Em fevereiro de 1843 aparecéu o voluminoso “Ou-Ou”, onde expon as suas ideias sobre os estádios ou esferas estécticas (hedonistas) e ética (baseada no dever moral e na responsabilidade) da vida. Este grosso volume contém a xá mencionada narraçon na primeira pessoa “Diário de Um Seductor”, apogeu da visón estéctica e talvez a obra mais representativa. No mesmo ano foram publicados o célebre “Temor e Tremor” (extensa reflexon sobre o sacrifício, no Antigo Testamento, de Isaac pelo pai, Abraam). “A Repetiçon” e vários discursos de índole religiosa (intitulados “Discursos Edificantes”), pensados para ser lidos em voz alta, e que continuaram a aparecer em novembro e em anos posteriores (1844, 1847). O leque temático do conxunto destes discursos é vasto: amor, bondade divina, conteúdo da fé… Em 1844, publicou as “Migalhas Filosóficas”, em que distingue a verdade cristán da verdade filosófica, tal como fora construída de Sócrates a Hegel, o famoso “O Conceito de Angústia” (análise psicológica da relaçon do homem com o pecado através da angústia) e mais “Discursos Edificantes”. No ano seguinte, “Pós-Escrito Definitivo e Non Científico ás Migalhas Filosóficas”, o seu livro mais claramente filosófico e sistemático, no qual se ocupa principalmente da ideia de verdade subjectiva, um exame que influiria enormemente na corrente existencialista do século XX (o autor vincula a verdade subjectiva á especificidade da fé cristán). Surge, também em 1845, “Estádios no Caminho da Vida”, dividido em três partes assinadas por diversos pseudónimos, unha delas o diálogo “In Vino Veritas”, inspirado na forma de “O Banquete” platónico. A parte final dos “Estádios” exponhem a vison decisiva dos estádios ou esferas – isto é, modos de vida – que podem caracterizar unha existência humana: estéctico, ético, religioso (vexa-se o quarto capítulo do presente estudo). Estádios pode entender-se como unha ampliaçon de “Ou-Ou”, quer por usar unha estratéxia literária semelhante quer por acrescentar a esfera religiosa, ás duas primeiras, xá expostas no livro anterior.
joan solé
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PASSEIOS PARA UNHA TARDE DE SÁBADO
Caminho da serra do Xurês, vamos de longada, xá provistos de um portentoso avance da civilizaçon, o magnífico, o milagrento “Ton-Ton”. Voamos pela A-52, até bem passado Ourense-City, quando de repente, unha voz sobrenatural nos ordena, “mantenha-se á direita, a trescentos metros colha a saída de Celanova (Unha outra intelixência, muito mais perfeita, vai completando a informaçón), Celso Emílio, Fuco Buxan, emigra! Terras de Bande, Lóbios mais alá no horizonte lonxano, nas estribaçons da cordilheira do Xurês, venhem á memória velhas recordaçons dum companheiro de banca, chamado Xaime Tejada, tocador de viola e cantador de fados (O galo canta/ a galinha chora/ porque os pintaínhos ficarom a dormir fora/). O seu pai tivera unha mina de Wolfrâmio, que sacava o mineral pela cidade do Porto, e travalhava com mineiros portuguêses, dos quais Xaime contava contos de nunca acabar. “Monsenhor” Tejada, era um profundo admirador de Portugal, inclúso se apropriára das requintadas maneiras portuguêsas, no bem vestir, e no encarar a vida. Bom, afrontemos defenitivamente a serra pela Portela do Home, mas isto xa non é o mesmo doutrora, está tudo modernizado (quer decir conspurcado). Daquela estrada velhinha, com postes de madeira á marxem, que parecia o deserto mexicano, xa non queda nada, somente unha fronteira fantasma, morta, arrassada por ordas de bárbaros liberais, pela qual paradoxalmente chegamos a sentir a falta. Com o rabo-do-olho posto no “Tontainas”, do qual non nos fiámos nin um ápice (pois xa nos pregou unha partida diabólica, da qual saímos milagrosamente, porque non encontramos ninguém de frente, pois o carreiro no que nos meteu, era estreito de verdade.). Descemos lentamente o Parque Nacional do Xerês, com o motor em ponto-morto, admirando toda a luxuriante policromia outonal, das selvas nativas galegas. Há bastante xente por estes lugares ultimamente, eu sei que tenhem direito tamém a disfrutar da paisaxe, mas, esperemos que non inundem tudo de lixos e vivendas. Agora, caída a noite negra, “mecanizados e duros”, vamos meter-nos na boca do lobo. Levanta-mos a cabeza do aparcadoiro sub-terrâneo do Centro-Centro de Braga, para encontrar-nos diante dum faraônico, concorrido, e ao mesmo tempo acolhedor café, escondido detrás dunha grande fonte luminosa, cuxa água refresca o calor do outono. Soberbo lugar! Para admirar os edifícios inmóveis, e os monumentos que pasan diante das nossas narizes. Um home, non é de pedra! Por isso mesmo, tivemos que ir comer ó Ignácio, que estava cheio de espanhois, catalans, galegos e vascos. Provei pela primeira vez na minha vida os
famosos “Roxóns Minhotos”, e penso que foi suficiente. Hacho que penetrei bastante bem o espírito do prato. De todas as formas é melhor pedir bacalhau ou cabrito ó forno (tenrinho, e com as patacas caramelizadas).
– “¡¡Jorgue!! ¡¡My dear Jorgue!!
– “¡¡Monsenhor!! ¡¡Monsenhor!! Recuava, Jorgue Vasquez, facendo reverências pausadas e zalamalêques, naquel teatro da vida que era o Banco Gallego de Baiona.
léria cultural
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A RELAÇON COM A AMADA
Em agosto de 1841, chegamos ao segundo acontecimento: Soren rompe o noivado que assumira onze meses antes com a novíssima (dezoito anos, menos nove que ele) e bela Regine Olsen, filha de um alto funcionário do Estado dinamarquês. Depois de, em 1837, se apaixonar pela rapariga de catorze anos, levara mais de dous a conquistar o afecto da xovem, que xá estava noiva, e da família. Assim que obteve a sua man, Soren caiu na mais profunda melancolia. Compreendeu que non estava feito para o casamento e que faria Regine profundamente infeliz, embora a amasse profundamente. Estes onze meses foram o único período na vida de Kierkegaard aparentemente orientado para a respeitabilidade pública: preparava-se para ser um homem de bem, útil á comunidade, para “realizar o universal” característico de unha vida ética. Comunicava diariamente com Regine, escrevia-lhe e enviava-lhe presentes, dava passeios com ela, xantava frequentemente com a sua em breve família por afinidade, tan devota como a sua, e preparava-se no seminário para ser pastor. Mas o destino de Kierkegaard era claramente outro, e ele sabia-o com crescente certeza. Depois de unha intensa correspondência, com cartas demasiado literárias, decidiu pôr fim ao noivado. Sabemos pelas anotaçons do seu diário como sofreu com a decisón, a que ponto chegou a torturar-se. Mas de nada valeran as súplicas iniciais de Regine, nem as do pai dela. Simulou ser vil e insensível para ser mais fácil á xovem aceitar a ruptura. Atendendo á honra de Regine. e prevendo a inevitável maledicência da pequena Copenhaga, Soren propôs primeiro que anunciassem que fora a rapariga a romper o noivado; como ela se negou a representar o papel, simulou ser um homem cruel e depravado, entregue aos prazeres sexuais, para carregar ele o opróbio. Consumada a ruptura, Kierkegaard partiu de imediato para Berlim, onde assistiu, durante quatro meses, a aulas na Faculdade de Filosofia e escreveu grande parte do seu voluminoso livro “Ou-Ou”. Depois daquele noivado romântico e infeliz, Regine reatou a relaçon com o seu primeiro pretendente, antigo tutor e xá entón destacado advogado e funcionário que abandonara quando Soren aparecera, e que, ao contrário deste, seria capaz de desempenhar devidamente as funçons de esposo maduro, responsável e de confiança. O anúncio do novo noivado, passados dous anos sobre a ruptura, foi um rude golpe para Kierkegaard; perdido na abstraçon ensimesmada das suas emoçons, foi, por fim, envolvido pelo princípio de realidade. A interrupçon do noivado obcecou Kierkegaard para o resto da vida, com diversos graus de intensidade conforme a época. A relaçon aparece recriada em “Diário de um Seductor” e “A Repetiçon”, duas histórias de relaçons infelizes, embora com significados muito diferentes; apresentada na perspectiva do D. Juan no primeiro relato e na óptica de unha posterior crise religiosa no segundo. Muitas conjecturas se fizeram sobre as causas da ruptura. Alguns psicanalistas freudianos aplicaram os seus esquemas ao caso. Era apenas encaixar as peças: pai intensamente melancólico, dominante e ao mesmo tempo lascivo, filho dissoluto que volta a casa, com um carácter latente ou xá patentemente obsessivo e possíveis disfunçons fisiológicas reforçadas por unha rexeiçon visceral da parte física da sexualidade, tudo isso sublimado numa religiosidade cada vez mais desconcertante. O hipotéctico freudiano poderia emitir aqui o seu veredicto de neurose incurável, e interpretaria todo o pensamento do autor como manifestaçon desses traumas, xá houve mais de um que assim o fez. Unha leitura non psicanalítica de Kierkegaard non irá tan lonxe: terá em conta todos os aspectos traumáticos da sua vida como unha das causas do seu pensamento, mas non o reduzirá a mero sintoma ou manifestaçon de unha neurose. Há entre as vivências e as ideias do dinamarquês sobreposiçon, mas também desaxustamento e é por esse desaxustamento que entram a sua sensibilidade, intelixência e espiritualidade.
joan solé
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EM NOME DE GUILLADE (XIII)
Fol. 2. Dentro del atrio de la yglesia de S. M. de Guillade (…) por quanto ellos y los mas vezinos desde mas de quarenta y cinco años a esta parte se allan en la quasi Possesion de hir a cortar leña y a pastar los ganados Mayores y menores a los montes comunes del destrito de la feligresia de Uma todas las vezes y cada y quando que les pareciere a vista Ciencia y consentimientos de los vezinos y moradores de ella sin que jamas ellos ni sus causantes lo Ubieren repunado según escruptura de concordia otorgada por Ante Jacinto Suarez de Zuñiga escribano que fue de su magestad y del numero de la jurisdiccion y camara de Oliveira ahora defunto. que la qual se otorgo por Algunos de los vezinos de una y otra feligresia abra dichos quarenta y cinco años”.
Fol. 55v. (…) “que algunos vezinos de la feligresia de Guillade y han a coxer leña y estrume a los montes altos de la feligresia de Uma desde Seijos alvos a la piedra de escorregadoura. Para la parte de arriva de Juimo a la bereda que ba de campo de mouro para la Franquera y llevaba todo genero de ganados a a pastar con ellos con lo mismo hazian en quanto al Pasto de ganados para la parte de avajo hacia a la Rivera y feligresia de Uma que desde dichas demarcaciones avajo no cojian los de Guillade leña ninguna sino para la parte referida de arriva.”, testigo Amaro Álvarez de San Pedro de Batalláns.
Entre os argumentos dos veciños de Uma estaba a pobreza da parroquia, que non permitía que os veciños de Guillade levasen a leña e estrume dos seus montes.
A sentencia de 1709 sería favorable aos veciños de Guillade, mantendo esta servidume fóra dos mesmos montes comunais de San Miguel de Guillade.
a irmandade circular
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O LUTERANISMO DINAMARQUÊS
As crenças religiosas de Kierkegaard assentavam no cristianismo luterano, primeira manifestaçon histórica da Reforma protestante, iniciada pelo monge agostiniano Martinho Lutero na primeira metade do século XVI. Os fundamentos doutrinais do luteranismo son a ênfase na natureza pecaminosa e corrupta do homem, na sua abissal distância a Deus e na enorme compaixón de Cristo ao assumir o peso dos pecados humanos. Ao contrário do que se afirma na confissón católica, a salvaçon pessoal depende da fé (confiança absoluta) na graça divina, non nas obras, xá que estas poderiam incutir vaidade. Quanto á Igrexa, o aspecto fundamental do luteranismo é limitar a sua intervençon na vida espiritual dos crentes, visto afirmar que é a relaçon pessoal e directa com Deus que é decisiva, prescindindo da mediaçon eclesiástica. O fundamental é o contacto com Deus através do Cristo descrito no Novo Testamento. O papel do clero, dos santos e dos teólogos fica reduzido ao mínimo perante esta relaçon básica. O pai de Kierkegaard assistia com regularidade aos ofícios e aos encontros dos Irmáns Morávios, comunidade protestante fundada no século XVI na Boémia, actual República Checa. Os Irmáns Morávios sublinhavam o sofrimento físico e a humilhaçon moral de Cristo, as feridas que lhe foram infrigidas na crucificaçon, em suma, os padecimentos que sofreu para redimir a humanidade. Ao sublinhar o carácter explícito e carnal do culto a Cristo, os Morávios tentavam despertar a compaixón e o arrependimento dos seus seguidores. Esta postura tétrica estava de acordo com a profunda melancolia que dominou Michael Pederson na maturidade, e que provavelmente até a tornou mais intensa. Non há dúvida algunha de que tudo isto se repercutiu directamente no xovem Soren, que, ao recordar mais tarde os anos de formaçon, escreveu: “Em criança recebi unha educaçon cristán severa e ríxida. Do ponto de vista humano, foi unha educaçon de unha imensa insensatez. Unha criança – que loucura – disfarçada de velho melancólico! Horrendo! Non é de estranhar por isso, que o cristianismo me parecesse ás vezes a mais desumana das crueldades”. Numa entrada de 1846 do seu diário reflete: “O maior perigo para unha criança no que respeita á relixión, non é que o seu pai ou o seu professor sexam descrentes, nem sequer que sexam hipócritas. Non, o perigo é que sexam pios e temerosos a Deus, e a criança estexa convencida disso e ainda assim pressinta que no fundo há um terrível desassossego oculto. O perigo é que a criança sexa levada a concluir que Deus non é amor infinito”. Há convicçóns fundamentais no cristianismo de Kierkegaard que determinan o conxunto do seu pensamento. Deus non pode predestinar o homem de forma a arrebatar-lhe a liberdade, o acto de fé é livre, o Deus dos cristáns é pessoal, transcendente e alcançável através de um empenho moral intenso, mais que pela piedade mística espontânea.
joan solé
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EM NOME DE GUILLADE (XII)
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Varios son os pleitos por límites entre San Miguel de Guillade e os seus veciños, sobre todo con Santo André de Uma, mostrando os usos tradicionais pero tamén os desencontros entre veciños. Extraemos algunhas partes dos mesmos, tanto dos expedientes conservados no arquivo do Reino de Galicia como no da Chancillería de Valladolid: ARG, Veciños, 9912. “Los vecinos de San Miguel de Guillade con los vecinos de San Andrés de Huma. Auto ordinario sobre los montes de Couto”, 1708. Fol. 1. (…) visto y jamas contradicho asta que en el año de mil seis cientos y sesenta y uno los vecinos que al tiempo eran de dha feligresia de Uma quisieron perturbar a mis partes en dicha Posession y aviendoles movido Pleito en razon dello por scriptura de concordia que an otorgado se conbinieron en mis partes Usasen de dicha posesion como con efecto la usaron y continuaron ansi en el Pasto como en el corte de dichos montes a vista y consentimiento de los querellados y sin que se lo Ubiesen ynpedido ni contradicho asta que el dia diez y siete de nobiembre del año Pasado de mill setezientos y siete abiendo ydo mis Partes a dichos Montes a buscar alguna leña le salieron al enquentro en el sitio que se llama Gondufe distrito de dicha feligresia de Uma Ambrosio Bello Domingo Lorenzo Blas Martínez Francisco Davide Pedro de Barzia Feliziano Riveiro y otros mas vezinos de dicha feligresia de Uma con Armas ofensibas en las manos y quitaron A mis partes la leña que trayan, Y les dieron muchos golpes y porrazos tirandoles muchas Piedras Perturbandoles en su posesion Y lo continuaron después en lo qual han cometido fuerça (…)
a irmandade circular
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SOREN AABYE
Em 1819, o pequeno Soren Michael (irmán quase homónimo de Soren Aabye) morreu com doze anos, depois de bater com a cabeça contra outra criança. Em 1822, Maren Kirsten morreu de cólicas aos vinte e quatro. Mas, em 1832, as calamidades começaram a precipitar-se sobre a casa em catadupa. Poderia pensar-se que era unha maldiçon sobre unha família que os deuses tinham destinado á destruçon. O melancólico pai viu nisso a mán de um Deus iracundo. Primeiro, Nicole Christine morreu, a 10 de septembro de 1832, aos trinta e três anos, ao dar á luz um nado morto. Um ano depois, a 21 de septembro de 1833, Niels Andreas morreu com vinte e cinco anos em Paterson, New Jersey. Soren sentiu muito esta perda, porque Niels era o irmán de idade mais próxima da sua. (…) Dez meses depois, a 31 de Xulho de 1834, o idoso perdeu a mulher depois de unha dolorosa doença de muitas semanas; e cinco meses depois, a 29 de dezembro, a mais intelixente das filhas, Petrea Severine(…) morreu aos trinta e três anos ao dar á luz um filho. Assim, em dois anos, o idoso perdeu três filhos e a mulher; só lhe restavam dois dos sete filhos com que Deus tinha parecido abençoar o seu lar: Peter e Soren, o filho mais velho e o mais novo. A traxédia familiar tinha forçosamente de fazer mossa nos sobreviventes. Unha anotazón pessoal de Soren, escrita aos vinte e dois anos, refere-se a “um grande terramoto, um terrível transtorno que, de repente, impós unha interpretaçon nova e infalível de todos os fenómenos”; trata-se provavelmente da revelazón paterna de que, sendo Michael Pederson unha criança e estando a guardar o gado nas urzes da península da Jutlândia, aflixido pela pobreza extrema, pela fame e pelo tédio, amaldiçoara Deus. O pai estava convencido de que as mortes dos filhos eram um castigo por aquele acto impío, e que o seu destino era sobreviver a todos eles. Soren foi profundamente afectado pela confissón. A longevidade do pai transformava-se em castigo divino e em convicçon de que a sua própria morte seria precoce. De facto, Soren morreu xovem, embora tivesse superado nove anos a esperança de vida que se concedera a si próprio. Estimava como máximo a idade com que Cristo morrera: trinta e três anos. No entanto, há confusón quando ao conteúdo efectivo do “grande terramoto”, pois Soren non o revela explicitamente. Alguns biógrafos inclinam-se a vinculá-lo, mais á maldiçon, á descoberta de que o pai abusara da empregada no período referido para o luto pela esposa defunta, e que este “pecado orixinal” fora a razón do casamento em cuxo seio Soren nascera. De facto, ninguém na era moderna levou tan a sério como o filósofo o problema do “pecado orixinal”, que tem em dinamarquês o nome de “pecado herdado”.
joan solé
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FRONTEIRAS DE OLIVEIRA NO CATASTRO DE ENSENADA
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“Al Capítulo tercero digeron que la/ citada Fra. y termino de su comprehension/ tendra de distancia desde L. a P. la octava par/te de una Legua y de N. a S. la decima/ sexta parte de otra Legua; y de circunferen/cia media legua, que para caminar-se se/ necesitan los tres quartos de una ora; linda/ por la parte de el L. con la Fra. de San Estevan/ de Cumiar; por el P. con la de San Verisimo/ de Arcos; por el N. con la de San Lorenzo/ de Oliveira, y por el S. con la de San Pedro Fe/liz de Celeiros, principiando su demarcacion en el Marco de Santa Leocadia hasta llegar al Regueiro de Fragon; sigue á orillas de/ el avajo hasta el sitio de Fafia; y de alli a la/ Cruz de Miranzo; de esta al Marco/ de Camba; de alli al sitio de Rivahido; sigue/ a la Cruz da Portela; de esta al Marco da/ Espiga de Baldo Perro; de esta al Marco/ de Vigotes; y de alli al de Santa Leocadia prime/ra demarcacion, su figura es la de el margen.”
(mALIA NON SINALAR A FRONTEIRA CON GUILLADE, POR SER PEQUENA, OS MARCOS DE DEMARCACION SI QUE FIGURAN NA RELACION)
A IRMANDADE CIRCULAR
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A RELAÇÓN COM O PAI
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Soren foi o último dos seis filhos de Michael Pedersen Kierkegaard, um abastado comerciante de têxteis que, no plano económico e social, podemos qualificar com toda xustiça como um homem que subiu a pulso. Na infância, até aos onze anos, Michael Pedersen viveu, numa zona inóspita e paupérrima da península de Jutlândia, onde passou os mais extremos rigores com os seus oito irmans, sobrevivendo a duras penas através da pastorícia. Com essa idade foi levado para a capital dinamarquesa por um tio materno, que o pós a trabalhar como aprendiz nunha loxa de roupa. No sector téxtil, mostrou um talento natural para os negócios, que lhe permitiu realizar unha imprevisível ascensón meteórica, até se tornar, antes dos quarenta anos, um dos comerciantes mais abastados de Copenhaga. Tal como Schopenhauer, Kierkegaard herdou unha boa fortuna familiar, que lhe permitiu consagrar-se exclusivamente ao pensamento, sem ter de se preocupar com os meios de subsistência. Mas o seu pai sofreu vários percalços ao longo da vida. A primeira mulher morreu ao fim de apenas dous anos de casamento, sem que o casal tivesse tido filhos, e Michael Pedersen engravidou unha empregada da casa durante o ano de luto prescripto na Dinamarca daquela época; a primoxénita nasceu ao fim de quatro meses das segundas e precipitadas núpcias. De início, Michael non pretendia casar-se com a empregada, por quem non sentia nada de profundo e que non chegaria a considerar unha verdadeira companheira. A empregada transformada em segunda mullher, Ane Sorensdatter Lund, seria nái de mais seis filhos, o último dos quais, Soren Aabye, nasceu quando o pai tinha cinquenta e seis anos e a nái quarenta e cinco. É provável que a idade avançada dos pais tenha tido influência em certos problemas físicos do benjamin, que tinha as costas muito encurvadas e as pernas desiguais e fracas, o que lhe causava um modo de andar irregular, entrecortado. Nenhum dos muitos biógrafos de Kierkegaard encontrou nos milhares de páxinas por ele deixadas a mais leve referência á nái, ou qualquer reflexón sobre a maternidade que non sexa a da Virgem Maria. É evidente, portanto, que Ane representou escassamente a figura materna para Soren; e também a de esposa em relaçón a Michael, que, apesar da abundante prole, non deixou de considerar que a sua verdadeira mulher fora a primeira. Entre os irmans de Kierkegaard deu-se unha mortandade que faz pensar numa extrema fraxilidade física, mas que na família se viveu, literalmente, como unha maldiçon divina. Quando Soren completou vinte e um anos só lhe restava um irman, cinco irmáns e a nái morreram muito prematuramente.
joan solé
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